25 de Abril!!!


jpt,

[“E Depois do Adeus”, Festival da Eurovisão 1974]

É, no género, uma bela canção e muito bem interpretada, esta “E depois do adeus”, sempre lembrada por ter servido como senha para o golpe corporativo militar de 25 de Abril de 1974 – provocado pelos heróicos movimentos de libertação nas colónias africanas portuguesas e tornado, à revelia do oficialato castrense, numa revolução pelo povo de Lisboa (sobre a matéria ver Cunhal 1975 [1967]).

 

É também um bom símbolo da democracia, da autoria do socialista José Niza (lírica), de José Calvário (música) e Paulo Carvalho (intérprete), estes dois últimos logo autores do hino do PPD (depois PPD/PSD), do qual o primeiro foi militante.

 

Esta é a história deste símbolo – não a propagandeada pelos ainda hoje miseráveis enverhoxistas, guevaristas ou brejnevistas. E otelistas…

 

Bibliografia:

 

Álvaro Cunhal, 1975 (1967), As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média. Lisboa, Estampa, pp. 33-95.

6 comentários em “25 de Abril!!!”

  1. Vocábulo “revolução” sempre me fez urticária, salvo se conduziu a independência de países.
    Carrega ódio e desmandos a coberto da “liberdade”.
    Passei mal, após o 25 do A. O que não esqueço.
    Com 13 anos, morava então em Abrantes
    No caso, nacional, rumo a pantominocracia.
    Vacinou Espanha.
    O festejo carnavalesco, do 14 de julho, que iniciou ominosa carnificina piramidal. é mais horrenda comemoração, do que surdiu.
    Estuporada memória.

  2. Guedelhudos, barbudos, bigodudos, os “progressistas”, deram azo a libertinagem odienta, desavindo relações humanas e familiares, sob pretextos ideológicos malsins, amassados em despeitos vingativos.

  3. durante novembro de 65 conheci diariamente na EPC o ‘básico’ hoje elogiado como herói
    ainda não consigo perceber como a lástima conseguiu chegar a Lisboa.
    detesto que os lambe-cus me queiram considerar parvo e ignorante

  4. Gostaria de acrescentar à “história deste símbolo” um contributo que nunca vi referido ao longo de todos estes anos. Não consigo garantir que nunca tenha sido expresso, se o foi, nunca me apercebi que o tivesse sido.
    Foi a primeira senha utilizada pelo movimento. Para dar o sinal para a saída das tropas dos quartéis na madrugada do dia 25 de abril de 1974. Por volta das 22.55 horas do dia 24, João Paulo Dinis, colocou-a no ar na antena dos Emissores Associados de Lisboa. Para que as canções pudessem funcionar com a precisão de uma senha secreta teriam que estar fora das “play list” da altura. Como primeira senha, com a ordem de avançar, seria arriscado utilizar qualquer uma das canções de intervenção, de fora por proibidas pela censura. Serviria facilmente de alerta para os ouvidos do regime. “E depois do adeus”, como diz “no género, uma bela canção e muito bem interpretada”, era de todo insuspeita. Nada tem de subversivo. Mas não podia constar da play list , na altura, como durante ainda muitos depois – e francamente não sei por imposição nacional se da Eurovisão – as canções vencedoras do festival ficavam impedidas de passar na rádio antes do festival da Eurovisão. Independentemente das virtudes da canção, dos compositores e do intérprete, “E depois do adeus” seria muito provavelmente a única que poderia ser utilizada como senha de partida. Mais tarde, já com o movimento em curso, sem recuo possível, então sim -“Grândola vila morena”.
    Esta foi a minha leitura na altura – que vivi intensamente – e que também nunca expressara. E que achei apropriado fazê-lo a propósito do seu texto.

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