
Sou um daqueles portugueses que não renegou Abril e estarei, até ao fim da vida, grato aos militares que me devolveram a Liberdade.
Sou um daqueles portugueses que se indigna quando se lembra que neste país de Abril o actual PR concedeu pensões vitalícias a dois ex-PIDE, por serviços excepcionais prestados ao país, mas a viúva de Salgueiro Maia viu recusada a mesma pretensão.
Não sou ingrato para quem me devolveu a Liberdade. Fiquei sempre do mesmo lado. Recusei vender a alma ao Diabo. Chamem-me burro, por manter a coerência, mas fiquem a saber:
Esteja onde estiver, todos os anos celebro e recordo o dia 25 de Abril de 74, com a mesma emoção. Não me esqueço que, nesse dia, estava aqui. E quando de lá saí encontrei um país diferente.

Parece que estavas em parte incerta, Carlos (verifica o endereço em ‘link’).
Mais do que a coerência (a vida pode mudar as pessoas), é muito respeitável o sentimento de lealdade para com quem te proporcionou o que consideras importante. Só me fez espécie teres dito que te «devolveram» a liberdade. Ou ’tás um velho, ou não vens da Primeira República…
Pois… Onde quer que estivesses (não vou ver…), bem podias ter continuado.
Talvez tivesses, entretanto, aprendido a escrever Português e, em vez de lermos, no primeiro parágrafo, “renegou”, leríamos “renegaram” e, no segundo, “indignam” em lugar de “indigna”, etc.,
Também talvez tivesses, entretanto, aprendido a não ser selectivo nas indignações, optando pela busca da objectividade que deve presidir a quem escreve para que outros o leiam.
Lamentavelmente, parece-me, pelo que aqui tenho visto, que já não vais a tempo de aprender seja o que for.
Começa a ser cansativo. Por mim, este Sá só não vai porta fora para a próxima, porque nem chega a entrar.
Muito democrático está você hoje, Carvalho… É mesmo do dia, como já alguém sugeriu.
O importante é que você ficou avisado.
Se estivesse aqui o sr. Carvalho, emendava logo: sou um daqueles portugueses que não renegaram.
Mais uma do mesmo teor e sou eu que o ‘emendo’ a si blogue fora.
Carvalho está cada vez mais tolerantemente democrata. Deve ser para assinalar o dia…
“… não RENEGARAM…”
“… que se INDIGNAM…”
Idem.
Como o João, também admiro muito mais a lealdade do que a coerência, que pode ser um espartilho. Temos o direito de mudar (e às vezes também o dever), mas não o de esquecer quem nos fez bem. Gosto de gente franca e directa, Carlos, como é o seu caso.
Assino por baixo, Carlos. Manter a coerência não é burrice é apenas mantê-la. Os argumentos de que só os burros não mudam só servem para quem não sabe justificar a mudança e precisa de subterfúgios. Quando algo deixa de nos servir, mudamos, se não mudarmos não precisamos de ser apelidados de burros.
Isto interessa-me. Não o saberei discutir com a profundidade que merece. Ainda assim:
1) A coerência e a lealdade completam-se.
2) Algumas confusões advêm de se fazer coincidir coerência e casmurrice!
3) Pode-se e deve-se mudar. Porque se é humilde perante a vida e se aprende com ela! Não caberão aqui “mudanças” ao sabor de oportunismos e de conveniências momentâneas.
4) A mudança não implica necessariamente incoerência se for leal aos princípios fundadores das nossas convicções.
Mais especificamente em relação ao post:
1) A gratidão é para aqui chamada. Parece-me que ser grato actualmente está fora de moda.
2) Parece-me que muitos preferem ser servis a serem gratos, confundindo gratidão e lealdade com fidelidade canina.
3) Os capitães de Abril fizeram o que deviam. Foram bravos. O resto, o que se passou depois, a todos nós diz respeito.
4) Também eu hei-de festejar sempre este dia com muita alegria e cheiinha de admiração por eles, em especial pelo meu herói desde o Largo do Carmo onde assisti ao vivo ao desenrolar das operações: Salgueiro Maia.
:)))
Pelo contrário, MdSol, está claríssimo e muito bem exposto.
Que bom ler isso vindo de si!
:))
Lambe-botice. Porquê?
25 de Abril Sempre! Aquele primeiro 1ª de Maio, quem não o viveu, não sabe, não pode saber o que não viveu.
Subscrevo inteiramente.
Reconhecer a generosidade é essencial à vida!
Também não esqueço e transmito aos mais novos:
“Sou um daqueles portugueses que se indigna quando se lembra que neste país de Abril o actual PR concedeu pensões vitalícias a dois ex-PIDE , por serviços excepcionais prestados ao país, mas a viúva de Salgueiro Maia viu recusada a mesma pretensão.”
Não percebo a gravura que lá está.