25 de Abril Sempre!


Carlos Barbosa de Oliveira,

 

Sou um daqueles portugueses que não renegou Abril e estarei, até ao fim da vida, grato aos militares que me devolveram a Liberdade.

Sou um daqueles portugueses que se indigna quando se lembra que neste país de Abril o actual PR concedeu pensões vitalícias a dois ex-PIDE, por serviços excepcionais prestados ao país, mas a viúva de Salgueiro Maia viu recusada a mesma  pretensão.

Não sou ingrato para quem me devolveu a Liberdade. Fiquei sempre do mesmo lado. Recusei vender a alma ao Diabo. Chamem-me burro, por manter a coerência, mas fiquem a saber: 

Esteja onde estiver, todos os anos celebro e recordo o dia 25 de Abril de 74, com a mesma emoção. Não me esqueço que, nesse dia, estava aqui. E quando de lá saí encontrei um país diferente.

19 comentários em “25 de Abril Sempre!”

  1. Parece que estavas em parte incerta, Carlos (verifica o endereço em ‘link’).
    Mais do que a coerência (a vida pode mudar as pessoas), é muito respeitável o sentimento de lealdade para com quem te proporcionou o que consideras importante. Só me fez espécie teres dito que te «devolveram» a liberdade. Ou ’tás um velho, ou não vens da Primeira República…

  2. Pois… Onde quer que estivesses (não vou ver…), bem podias ter continuado.
    Talvez tivesses, entretanto, aprendido a escrever Português e, em vez de lermos, no primeiro parágrafo, “renegou”, leríamos “renegaram” e, no segundo, “indignam” em lugar de “indigna”, etc.,
    Também talvez tivesses, entretanto, aprendido a não ser selectivo nas indignações, optando pela busca da objectividade que deve presidir a quem escreve para que outros o leiam.
    Lamentavelmente, parece-me, pelo que aqui tenho visto, que já não vais a tempo de aprender seja o que for.

  3. Como o João, também admiro muito mais a lealdade do que a coerência, que pode ser um espartilho. Temos o direito de mudar (e às vezes também o dever), mas não o de esquecer quem nos fez bem. Gosto de gente franca e directa, Carlos, como é o seu caso.

  4. Assino por baixo, Carlos. Manter a coerência não é burrice é apenas mantê-la. Os argumentos de que só os burros não mudam só servem para quem não sabe justificar a mudança e precisa de subterfúgios. Quando algo deixa de nos servir, mudamos, se não mudarmos não precisamos de ser apelidados de burros.

  5. Isto interessa-me. Não o saberei discutir com a profundidade que merece. Ainda assim:
    1) A coerência e a lealdade completam-se.
    2) Algumas confusões advêm de se fazer coincidir coerência e casmurrice!
    3) Pode-se e deve-se mudar. Porque se é humilde perante a vida e se aprende com ela! Não caberão aqui “mudanças” ao sabor de oportunismos e de conveniências momentâneas.
    4) A mudança não implica necessariamente incoerência se for leal aos princípios fundadores das nossas convicções.

    Mais especificamente em relação ao post:
    1) A gratidão é para aqui chamada. Parece-me que ser grato actualmente está fora de moda.
    2) Parece-me que muitos preferem ser servis a serem gratos, confundindo gratidão e lealdade com fidelidade canina.
    3) Os capitães de Abril fizeram o que deviam. Foram bravos. O resto, o que se passou depois, a todos nós diz respeito.
    4) Também eu hei-de festejar sempre este dia com muita alegria e cheiinha de admiração por eles, em especial pelo meu herói desde o Largo do Carmo onde assisti ao vivo ao desenrolar das operações: Salgueiro Maia.

    :)))

  6. Subscrevo inteiramente.

    Reconhecer a generosidade é essencial à vida!

    Também não esqueço e transmito aos mais novos:
    “Sou um daqueles portugueses que se indigna quando se lembra que neste país de Abril o actual PR concedeu pensões vitalícias a dois ex-PIDE , por serviços excepcionais prestados ao país, mas a viúva de Salgueiro Maia viu recusada a mesma pretensão.”

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