2º Encontro da quadrilha


Ana Vidal,

 

Ontem foi um dia especial para os delinquentes. Com ordem de soltura para um passeio no pátio* para desentorpecer as pernas, respirar o ar puro e morno de uma bela noite de Verão lisboeta, e também – ou não fosse o delito a opinião – conspirar e delinear estratégias futuras de fuga ou de motim, ou ainda de manobras de diversão para iludir a guarda armada da blogosfera. Chegaram das suas celas da ala esquerda e da ala direita, bem dispostos e compinchas, misturando-se no corredor central com uma animação de velhos amigos, e desceram até ao pátio, onde os esperava um jantar de ração melhorada:

 

Pão, azeite aromatizado, azeitonas curadas  

 

Sopa fria de caramelo de Alho com Tomates Cereja e Mozarelas

 

Lombo de Bacalhau com “Manja” à moda da Maçussa

Carne de porco preto confitado com migas de coentros

 

Bolo “Gazeta”

Tudo isto bem regado a

 

Casal do Além – Bucelas DOC, bco 2007

Grilos – Dão DOC, Tto 2006  

àgua mineral, café  

 

Falaram de tudo com humor e camaradagem – também de política, pois claro! – e sobre a mesa correram as mais escaldantes fofocas da actualidade nacional, o amor aos animais, a paixão das viagens, novidades e velharias, enfim, tudo o que faz as delícias de uma quadrilha de delinquentes. Alguns eram residentes ou chegaram da vizinhança: a Teresa, o Pedro, o Carlos (o anfitrião), a Leonor, eu, a Sofia, o Adolfo, o André e o Paulo. Outros foram transferidos de estabelecimentos mais  longínquos: o Joaquim (do Porto) e o António Manuel (do Alentejo), e para lá voltaram nos respectivos carros celulares.

 

Houve membros da quadrilha que não puderam estar presentes,  em gozo de licença ou ocupados com planos de fuga: a Ana Cláudia, a Ana Margarida, o Jorge, a Marta, a Cristina, o José, o Sérgio. Muito notada foi também a ausência de um ilustre ocupante da solitária (na Terceira): o João.

 

Mas todos eles estiveram lá em espírito e foram incluídos nos brindes.

 

Depois de muita conversa, à uma da manhã lá foram dispensados os delinquentes, mas em liberdade condicional. É que a pena é para cumprir: um jantar de convívio periódico, para manter viva a chama desta perigosa troupe. Porque o crime… compensa.

Até ao próximo!

 

 

* O pátio é o do Clube de Jornalistas, onde o jantar teve lugar.

62 comentários em “2º Encontro da quadrilha”

  1. Ana, não é possível partilhar connosco essas «escaldantes fofocas da actualidade nacional»? Compensava-nos um bocadinho da privação do bacalhau e do bolo «Gazeta». ;-D

  2. Cada vez há menos justiça. Se eu não sou mais delinquente que qualquer outro, isto da solitária tem de acabar. Ou começam a providenciar ajudas de custo, ou começam a mudar de ares para os festins.
    Claro que a solitária tem as suas características: ninguém saca uma precária, mas também não fica com soltura.

  3. Ouvi dizer que um dos delinquentes aproveitou a precária e se pirou para Israel. É melhor avisá-lo que terá de regressar antes do próximo.
    Quanto ao delinquente em solitária, temos de arranjar maneira de lhe arranjar uma licença especial., sob pena de nos termos de deslocar todos à Terceira, ficando ele obrigado a pagar as despesas do “cumbíbio”.

    1. Também me constou essa fuga para Isarael. É a cruz da direita, não é, Adolfo? 😉

      João, vai limpando o refeitório, que o próximo talvez seja mesmo na tua solitária…

        1. Lol. É mesmo, Adolfo? Tss, tss, que mau feitio dos Judeus…
          Boa viagem e não se chegue muito ao muro das lamentações, já basta as que temos por cá!

  4. Por isso, esta “cena” estava tão parada ontem!

    Solidariedade total com o sr. “delituoso” da Terceira!

    Que bom deve ter sido o “cumbíbio”!

    Abraços e beijinhos respectivamente eheheh

    :))))

    1. O delito de ontem foi bem melhor… com requintes de malvadez que não me atrevo a repetir aqui, não vá a nossa bijutaria transformar-se em pulseira electrónica, Leonor!

  5. Ena, que bela “quadrilha” e que bem foram tratados, pelo “anfitrião” -Carlos B.Oliveira – estranhei, ontem, o silêncio lá para as bandas do “Rochedo”, desta vez, Carlos, está perdoado, afinal foi por uma boa causa!

  6. Excelente relato, Ana. Já participei em muitos jantares de blogues, mas nunca achei nenhum tão bom como este. Em tudo: ambiente, ementa, convívio. Para repetir, assim que for possível. No sítio do costume.

    1. Ontem, já de regresso a casa, vinha a pensar exactamente o que o Pedro diz aqui em cima. Foi o melhor jantar de bloggers em que eu alguma vez já estive. E a culpa foi toda vossa!

  7. Peço desculpa, o anónimo de cima sou eu a Maria que vos visita e por vezes comenta, conheci o vosso “Blog” através do Carlos -“Crónicas do Rochedo” e fiquei a gostar, os meus parabéns!

  8. Fiquei com pena de não poder estar presente, mas espero poder participar no próximo. Se o próximo puder ser combinado com um pouco mais antecedência, talvez eu possa programar melhor a minha vida. Fica a sugestão para quem teve essa excelente ideia e irá tratar do próximo evento.

  9. Regressei de facto ao Alentejo no carro celular, e fui eu que o conduzi porque depois do jantar nem sinal dos guardas. Imagino que se perderam na noite de Lisboa. Agora já é tarde para me apanharem.

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