O ano político de 2009 começou verdadeiramente em Dezembro de 2008, com a mensagem presidencial de Cavaco Silva acerca do Estatuto dos Açores. O vigor da sua argumentação e a especial violência da sua apresentação aconselharam o Governo a antecipar um discurso que planeava apenas utilizar um pouco mais perto das eleições.
Na verdade, como há muito se percebeu, o Governo pretende, ao contrário do que é normal, utilizar esta crise como motor para a segunda maioria absoluta. Na convicção de que o desnorte da oposição à direita e a irresponsabilidade da oposição à esquerda afastariam os eleitores, os socialistas convenceram-se de que, em tempos de crise, e com um discurso seguro e estatista, a única alternativa credível para o eleitor seria mesmo o PS.
Foi por isso mesmo que José Sócrates negou a crise até mais não poder, levando mesmo a Lusa a não admitir a palavra estagnação nos seus takes. Na verdade, dava-lhe jeito fazer desta crise um evento internacional a que Portugal, infelizmente, lá para Abril ou Maio, descobriria não ter conseguido ficar imune, mas que só a destreza do Governo teria conseguido atrasar. E só isso justifica que um Ministro das Finanças de um país da União, como Portugal, seja incapaz, em Setembro, de prever, mais que não fosse à cautela, o que viria a passar-se em Dezembro.
A mensagem de ano novo do Presidente da República – que se substituiu a uma oposição que manifestamente o desrespeitou – veio, no seguimento da questão dos Estatuto dos Açores, inviabilizar a estratégia do Governo. O Presidente veio colocar o Governo no centro da crise. Ela está aí e há que actuar. Daí que, na entrevista de ontem de José Sócrates, que sumariamente analisei n’A Arte da Fuga, o Primeiro-Ministro tenha vindo assumir a crise. Cavaco Silva impediu-o de se fazer passar por distraído e obrigou-o a apresentar-se ao eleitorado com o discurso seguro, determinado e cheio de ideias optimistas que apenas tencionava apresentar a meio do ano.

Viva, Adolfo: grande estreia. O primeiro de muitos textos teus a comentar aqui a actualidade política num ano em que não faltarão acontecimentos para analisar.
A táctica e a estratégia politica de Sócrates bem “esmifrada”.
abr
Bem-vindo, meu caro.
Muito obrigado Pedros e João!
abr
a.