Lopes da Mota, presidente do Eurojust, terá mesmo pressionado os dois magistrados portugueses que investigam o caso Freeport, Vítor Magalhães e Paes Faria. A tal ponto que o procurador-geral da República admite instaurar um processo disciplinar sobre a conduta do ex-secretário de Estado da Justiça de António Guterres que em tempos idos já tinha sido suspeito de transmitir informação confidencial a Fátima Felgueiras. Falta saber se o inquérito terminará em tempo útil, se apurará toda a verdade e se permitirá ao procurador-geral retirar todas as consequências que se impõem. Falta saber se o simples facto de estar a ser alvo deste processo disciplinar não deverá inviabilizar a permanência de Lopes da Mota à frente do Eurojust. E falta determinar também as responsabilidades políticas do ministro da Justiça, que sempre garantiu não ter existido qualquer pressão e parece estar cada vez mais a ser desmentido pelos acontecimentos. A verdade é que o caso Freeport se vai adensando, dia a dia, passo a passo. Como uma teia laboriosamente tecida pela aranha sábia que aguarda pacientemente a mosca incauta.
A aranha sábia e a mosca incauta
Patrícia Reis,


Muito bem, compadre.
Obrigado, João. Só me ocorre mesmo a expressão ‘teia’ a propósito deste assunto.
I Parte
Laboriosamente tecida
pela aranha paciente,
a teia emudecida
aguarda pela mosca despiciente.
Mais um fio desatado
nesta novela rocambolesca,
o mexilhão assiste recostado
a esta peça burlesca.
II Parte
As inofensivas pressões
de um bom samaritano,
revelam as aberrações
do nobre espírito lusitano.
A justiça pressionada
por gente tão distinta,
numa democracia estagnada
que faz correr muita tinta!
Sofro de aracnofobia destas!
[Se quiser espreitar vê o que me aconteceu hoje…]
A propósito de filmes, vi ‘A Teia’ e não gostei.
Uma coisa é certa :
Instaurar um processo disciplinar não é condenar, antes pelo contrário é procurar a verdade por inteiro tendo, embora, apenas um destinatário à partida.
As conclusões deste processo é que são importantes.
Podem dar condenação ou puro e simples arquivamento. Neste último caso iliba o visado das acusações formuladas. No caso de condenação, a medida da pena dar-nos-á a verdadeira indicação da gravidade da atitude.
Portanto, por agora está tudo em aberto. E mais. Que se saiba, o visado pelo processo não foi suspenso das suas funções, o que também pressupõe, à partida, que não estará em causa a sua idoneidade enquanto magistrado .
Já que gosta tanto da precisão das coisas, M.Gouveia, vale a pena corrigir a sua seguinte observação: «Instaurar um processo disciplinar não é condenar, antes pelo contrário é procurar a verdade por inteiro».
O «antes pelo contrário» é totalmente descabido e parece querer afastar à força uma situação eventualmente desagradável. Ora, que se saiba, «condenar» e «procurar a verdade» não são coisas opostas, mas sim coisas diferentes, pelo que é errado dar a entender que uma é o contrário da outra.
João Carvalho, apesar do reparo, que é discutível, vejo que compreendeu a minha ideia.
Tal, afinal, como eu compreendi que me queria chamar Coelho e me chamou Gouveia.
Saudações
Falta saber, neste caso, quem serão no fim a aranha sábia e a mosca incauta. Os papeis ainda não estão muito bem definidos, por enquanto… e basta um prazo prescrito para se inverterem, o que não seria a primeira vez…
Para já, Ana, o que temos por adquirido é que há uma teia de todo o tamanho no caso…
Lá isso temos, João. E não duvido de que há uma aranha que a montou, uma mosca e um número indeterminado de mosquitos. O que me parece é que vão ser estes, como é costume, a ser apanhados na teia. Quanto à mosca, veremos.
Veremos se não será até só um. Um mosquito chamado Bibi…
Ou Byby, na versão inglesa do caso Freeport. Um estrangeiro culpado dá sempre um jeitão…
“Bye-bye” – dirá à aranha a mosca que passa.
“Bye-bye” – responderá a aranha num abraço fatal.
🙂 Espero que seja assim…
O seu comentário, Ana, é bem sábio e nada incauto. Realmente, para já, tudo o que temos por adquirido é que alguma aranha montou uma teia e que, próxima, anda uma mosca a voar… Para já, ainda não sabemos muito bem quem é a aranha e quem é a mosca. O que, para já, também podemos constatar pela fotografia que nos manda o Pedro Correia, é que a teia tem alguns buracos… buracos esses por onde poderá, eventualmente, escapulir-se uma mosca que saiba voar muito bem.
O meu comentário é mais cínico do que sábio, Luís. Pelo menos, espero que seja puro pessimismo meu. E que fique demonstrado, ao menos desta vez, que a justiça funciona mesmo em casos delicados como este. 🙂
Eu também faço votos para que assim aconteça, Ana, mas… com “aranhas” e “moscas” destas, nunca se sabe… Tenho as maiores dúvidas que isto seja levado com o rigor e a isenção indispensáveis até ao fim, a avaliar pelas enormes resistências e areias na engrenagem a que temos vindo a assistir desde há meses, a começar no PM, passando pelo Min. Justiça, PGR e toda uma muralha defensiva que se tem vindo a montar à volta deste caso. Por vezes, abrem-se fendas na muralha. Será o caso desta vez?
A ver vamos. ;-))
Depende do tamanho da mosca, Luís. Se for daquelas mesmo graúdas não cabe na malha fina da teia.
Foge Fatinha, foge!
Vitalino Canas diz que há um aproveitamento político no processo a Lopes da Mota. Só mostra que o PS se sente politicamente fragilizado.
Só mostra, não. Mostra muito mais. Falta é ver se mostra à luz do dia.
depois do berreiro em torno do vital, bem pode o vitalino vir falar de aproveitamentos políticos… mas sobre a ideia de que abrir um inquérito não significa condenar, convinha talvez deixar claro que – pelo menos – se entendeu haver matéria para abrir um inquérito. é que já começa a encanitar tanto formalismo; parece que começaram ontem a brincar à democracia…
Até o cabeça de lista do PS às europeias já veio defender que o procurador Lopes da Mota suspenda funções no Eurojust. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
José Luís Lopes da Mota AINDA é procurador-geral adjunto e presidente do Eurojust. Aliás, fico pasmado ao saber agora que ele esteve na calha para substituir Souto Moura e ser procurador-geral da República (!!).
Tendo sido suspeito de avisar Fátima Felgueiras possibilitando a sua fuga, tendo sido hipótese para PGR com o intuito de “travar” o caso Casa Pia, tendo sido provado que pressionou dois procuradores do caso Freeport… ainda alguém acha que este senhor tem condições de continuar a desempenhar qualquer uma das duas funções que tem? Pelos vistos parece que ainda há… este PS não tem vergonha na cara.
Lopes da Mota como PGR? Era só mesmo o que faltava à justiça portuguesa…
“.. man’s inclination to injustice makes democracy necessary” .. gosto de acreditar neste pensamento e no que lhe deu origem Pedro, mas sinceramente, no meio da confusão geral que se instala por quem deveria velar pela tal “democracia” estou quase, quase a desistir de tentar entender, pensar e até .. julgar. E desistir é um verbo que abomino. mas antes isso que ser tomada por mosquito.
Grande frase, essa que cita, Once.