A censura nos comentários


jpt,

É possível que a divulgação feita pelo nosso plantel de bloguistas da transferência do Delito de Opinião para esta nova morada tenha cativado alguns novos leitores. Mas quero crer que a maioria dos visitantes seja composta por leitores veteranos do nosso blog. Mesmo assim algumas velhas questões continuam, apesar de já terem sido repisadas – várias vezes.

Neste meu postal de ontem – “Racismo em Lisboa” – regressam os resmungos de que no DO há censura de comentários. É um gemido antigo, gente que não gosta de algum texto, ou mesmo do blog apesar de visita frequente, queixa-se da “censura”.

Por várias – demasiadas – vezes já aqui escrevi. Não há “censura” nos blogs. Quem afirma isso apenas demonstra (não denota, demonstra liminarmente) a sua profunda ignorância. E até um desnorte, uma desorientação, nisso de não perceber onde está. Pois aqui não é um órgão de comunicação social. Ou seja, não tem código deontológico. Nem tem a “responsabilidade social” requerida à imprensa. Os bloguistas devem escrever com “responsabilidade” – são até passíveis de injunções, morais ou jurídicas. Mas isso não  é tal “responsabilidade social” tantas vezes requerida para as instituições.

O que há nos blogs é a selecção de comentários admitidos. Não é censura, é selecção! A qual é totalmente legítima, juridicamente mas também moralmente. Eu pratico-a. Isto é um espaço convivencial, eu convivo com quem quero. E entro em interlocução quando e como quero.

E explicito os meus critérios, de forma mais sistematizada do que antes fiz:

  • não aceito comentários comerciais – o vulgar “spam” – que tenham escapado às barreiras que o sistema blogal desde logo impõe;
  • não aceito comentários impertinentes por deslocados – p. ex. se nesse meu último postal “Séneca na Fábrica Lisboeta” alguém comentar criticando Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol;
  • não aceito comentários insultuosos de outrem – p. ex. se alguém no  meu “Racismo em Lisboa” comentar dizendo “tu és um cabrão racista” poderá passar (apesar de eu detestar que desconhecidos me tuteiem). Mas se alguém aí disser “este blog é um conjunto de cabrões” apago;
  • não aceito comentários de gente evidentemente desequilibrada, como alguns que ao longo dos anos acamparam no DO perorando inanidades em registo contínuo;
  • não aceito  comentários de dois co-bloguistas, por motivos sobre os quais eu tenho toda a razão e que não preciso de explicitar pois advêm de relações digitais diádicas;
  • não aceito comentários de Luís Balio Lavoura, devido a ele, há alguns anos, ter aqui posto em causa a honorabilidade da minha filha. É certo que alguns dos co-bloguistas não terão notado, mas outros decerto notaram, até porque eu reagi. E neste caso continuo a não perceber como é que os outros co-bloguistas aceitam “conversar” com alguém que cometeu esse despropósito com a filha de um compagnon desta route – eu nunca o faria, mas isso sou eu… Devido a essa complacência alheia, na época hesitei em sair do blog. Não saí, para “não exagerar”, porque gosto do DO e de blogar, porque tenho amizade real com o “camarada coordenador” Pedro Correia.

E, por fim mas não menos importante. Ou até mesmo o mais importante:

  • não aceito comentários que incomodem a minha má disposição do dia.

E ninguém tem nada a ver com isso. Pois essa é a essência do bloguismo: cada bloguista detém império sobre os seus postais. E os visitantes que queiram exercer o seu direito ao renhanha que vão para os comentários dos jornais digitais. Ou bugiar…

(Fica assim tudo elencado. Aos próximos desnorteados que aqui se lamentem poderei orientá-los através da ligação a este postal.)

34 comentários em “A censura nos comentários”

  1. Absolutamente de acordo. Não estamos em território de órgãos de comunicação social, por estranho que tal a alguns pareça. É aliás extremamente fácil criar um blogue, onde desde logo se deixe, querendo, tudo aquilo que se viu “censurado”, noutro.
    Isto dito, deixarei apenas uma ressalva – e porque o senti, aqui, sendo certo que não com o autor deste postal: quando a um meu comentário, firme nas suas ideias, opostas às do(a) autor(a) mas nunca insultuoso, se responde dessa forma: insultuosamente e nele imputando o que nele, isso resultaria de elementar decência, nunca existiu. E se impede a tréplica.
    Acabaria, ainda que por sinuoso circuito e com nota prévia reforçando esse insulto, por ser publicado.
    Coisas da vida. Creio que se lhe aplica a expressão “faz parte”.

    1. Pois, é exactamente isso: por um lado “faz parte”, depende da “espuma dos dias”, daquilo que eu referi, “a má disposição do dia” do bloguista. Por outro lado, como muito bem diz, é fácil abrir um blog e criticar textos alheios – de preferência colocando ligações aos mesmos, para os autores notarem que foram referidos. Pontapeados, nesses casos.

  2. eu disse e repito – há censura no blogue Delito de Opinião.
    não nos postes do jpt, pelo menos comigo.
    mas nos postes do Pedro Correia – ó pá – ele corta mais comentários meus do que os que deixa passar. e nunca escrevi nada aqui a insultar ninguém.
    “não aceito comentários que incomodem a minha má disposição do dia.” – mas se o próprio jpt está a admitir que nos postes dele também há censura…

    1. Chame antes critério editorial, é o termo adequado.
      Se bem que entre o caixote e uma resposta com modos de Chega e argumentos de Bloco, venha o demo e seleccione
      A solução é deixar de comentar. Ou ler.
      Ninguém se chateia e a vida segue
      Fácil.

    2. Rafael você não quer compreender, então que fique na sua ignorância militante. Ainda assim, com afã pedagógico, eu faço-lhe um boneco para ver se o ensino:

      um blog é um espaço de convívio. É certo que – principalmente na primeira década do século – existiram blogs com intuitos comerciais e políticos, com “agenda” como se dizia. Mas a esmagadora maioria não os tinham. O DO existe há anos suficientes para isso lhe ser reconhecido – tem uma diversidade de opiniões e uma multiplicidade temática suficientes para que se lhe reconheça não ter uma “agenda”. É assim gratuito: de acesso livre; sem objectivos definidos. Ou seja, é mesmo um espaço de convívio. Um registo conversacional.

      Esse registo de conversa exige duas condições, que são siamesas: respeito mútuo e vontade de entendimento. Ou seja, não permite “desconversa”, a deturpação dos argumentos alheios para insistir em posições próprias ou em contraposições. Nos comentários abrasivos existe imenso essa deturpação.

      Mas há também muito atrevimento. Dou um exemplo: algures apanhei a revista time out. Na esplanada do bairro, junto a um conjunto de vizinhos amigos, comentei um artigo que lá estava sobre uma editora exclusiva para negros. Abordei o fundo ideológico racista que aquilo demonstra. E do absurdo que é o tom elogioso que a revista tem para aquela tralha. Na mesa ao lado estavam dois tipos, que nós desconhecíamos (o dono do café depois disse-nos que um se chama Rafael e o outro José, mas não lhes conhece apelidos, não são clientes frequentes…). Um deles, ouvindo-me falar, clamou “vocês são uns racistas!”. O outro logo o secundou.

      Nós entreolhámo-nos, surpreendidos. Um de nós perguntou “quem são estes filhosdaputa?”, e logo constatámos que ninguém os conhecia. Eu, que era o que estava a falar sobre o assunto (que está colocado no postal “racismo em Lisboa”), abstive-me, pois já sexagenário (e fumador), de avançar para eles e lhes dar as devidas arrochadas, não me fosse dar o previsível cardíaco se em tais actividades. Mas não hesitei em dizer ao tal Rafael e ao tal José “ouve lá, ó meu fdp, pan… do c…, vai para imunda c…. da p… da tua mãe, vai-ta f…., vai mas é enr… o cab… do teu pai, etc. e tal”. Os rabicho… desampararem a loja, ainda que o tal José ainda se tivesse empertigado um pouco, mas começou a ver o caso mal parado e lá desarmou…

      Num blog os tais Rafael e José têm esses atrevimentos, esconsos atrás dos teclados lá de casa, num “agora vou dar uma porrada neste tipo”. Eu, diante destes atrevidos apaneleirados, muitas vezes apago os comentários (agora poucas, pois ao fim de várias pelejas destas ao longo de anos aqui, já tenho poucos comentários). E como os apago o Rafael, o José, e alguns outros, vêm em falsete clamar “censura”, “ditadura” e coisas similares. Eu volto a apagar, às vezes apenas clicando no “apagar”, outras vezes, raras, pensando, “e se este fdp fosse para imunda c… da p.. da mãe dele”.

      Espero que este boneco seja suficiente para você compreender.

  3. resumindo: o jpt, neste poste, admite que censura comentários simplesmente porque não lhe agrada ler certas coisas (a palavra censura é demasiado forte para isso, mas… é isso que acontece). ó pá… com todo o respeito… e sem querer mandar aqui no blogue… um blogue não é facebook, instragram, etc. onde primeiro se aceita um amigo para ele ter acesso às nossas publicações. se é de acesso a todos, mas depois não se aceitam comentários de todos… não se está a ser justo (claro que nos casos de insultos, de publicidade, etc. estou de acordo com o que diz o poste). não quero estar a ser demasiado dramático, mas se andamos assim pela vida… quando formos dirigir uma qualquer instituição…

    1. Rafael, como já lhe respondi acima, isto é um espaço de conversa. Se você não compreender o que se lhe diz, por incultura ou por deficiência cognitiva, é um problema seu. Não tenho disponibilidade para o ajudar, se for devida à primeira hipótese, nem saber para tal, se for a segunda e mais lamentável situação.

      Ainda assim, e mesmo que eu descreia que você consiga entender o que lhe vou escrever, deixo-lhe um conselho: quando se comenta um texto, quando se conversa, é fundamental querer compreender o que os interlocutores dizem. Ter atenção nisso e não ter apenas a vontade de contradizer.

      Ou seja, eu escrevi, está explícito, “Mas isso não é tal “responsabilidade social” tantas vezes requerida para as instituições.” E você vem dizer o contrário. Você acha que isso é atitude para conversar? Vá à sua vida, homem.

  4. Desconhecia, e registo, esse feito do comentador Lavoura.
    As queixas de censura resultam essencialmente da incompreensão pela diferença de situação entre quem escreve e quem comenta. Arriscando ser deselegante com alguns comentadores que valorizam o blog, no fim de contas alguns tocam e outros dançam. Exigir que os grunhidos emitidos tenham direito a usar o amplificador de quem tem o microfone, mostra que não se tem noção de si próprio e da respectiva condição bloguista.
    O teu último ponto tem uma importância que não é de somenos. A disposição dia conta. Aprovar, responder ou simplesmente apagar, não tem de seguir qualquer ciência exacta. Da mesma forma que quem aqui escreve coloca uma parte de si nos seus textos, não se pode criticar que o critério de aprovação seja pessoal e, por isso, flutuante e variável.
    Quem achar que tem o direito de debitar tudo o que lhe suba às ideias, pode sempre criar o seu próprio espaço de escrita, um blog, um bloco de notas, o que lhe aprouver. É fácil.

    1. Já seguiu hoje para o lixo um vagido do trol do Técnico, parasita profissional de blogues.
      Outros irão fazer-lhe companhia se vierem desatinar. Isto não é divã e quem cá mora recebe quem lhe apetece. Tão simples como isso.
      Àqueles que nem se incomodam em limpar os calcantes antes de baterem ao postigo, renovo o aviso pela minha parte: a porta da rua é serventia da casa.

  5. Quando falei de censura, referi-me, tive esse cuidado, não ao seu postal mas ao blog Delito de Opinião. Selecção é um eufemismo, que não justifica a recusa de comentários quando são inconvenientes aos objectivos do discurso apresentado. É, basicamente, uma questão de civismo, se preferir, de aceitação da liberdade de expressão o que está em causa. Constato que, no seu caso, a publicação dos comentários depende do humor do momento (tenho tido sorte, mas hoje é segunda-feira…). É um critério. Não sei se é um bom exemplo.
    Pelos vistos, o Delito de Opinião não consente delitos de opinião, é um “quintal privado”, onde quem fugir à “voz do dono” é posto na rua. Sinal dos tempos. Tristes tempos.
    Na passagem que passo a transcrever-lhe, é notável, para além da dita censura, a linguagem utilizada. Particularmente, o recurso ao verbo eliminar.

    “28.07.2026 às 5:34 am
    O José fez um comentário desagradável para com o Pedro Correia. Queria apagá-lo, mas, por engano, carreguei na opção “spam”. O comentário não aparece por isso. Se numa próxima oportunidade o sistema não o deixar manifestar-se, tente com um email diferente. O censor até não é mau diabo.
    RESPONDER
    João Sousadiz:
    28.07.2026 às 6:55 am
    Paulo: já retirei esse comentário do spam e voltou à moderação.
    RESPONDER
    Paulo Sousadiz:
    28.07.2026 às 9:38 am
    Obrigado João.
    Já o eliminei convenientemente.
    👍
    RESPONDER
    Pedro Correiadiz:
    28.07.2026 às 9:48 am
    Temos de preservar valores ambientais. Escumalha troleira fora das caixas de comentários. Para despoluir atmosfera.”

    1. 1. não percebo a sua surpresa, um blog é mesmo um “quintal privado”. Dos co-bloguistas. Os outros, leitores, são visitas. Alguns deles participam das conversas, são “comentadores”. Alguns deles são ordinários e não se apresentam. Outros são educados e declinam os nomes. Logo aí passam a ter estatuto diferente, estes últimos amáveis e esperadas visitas, “caro ou querida”, os outros são barrascos que se recebem na porta das traseiras com um enfastiado “o qué que vossemecê quer?”.

      2. não se trata de aceitar ou não aceitar algum “delito de opinião”, como você aventa. Trata-se de não ter paciência para o atrevimento alheio – cobardolas ainda por cima. Em comentário acima já lhe respondi. Você vem aqui, esconso ainda por cima, chamar-me racista e também aos meus co-bloguistas. E acha que não só tem direito a isso como ainda por cima se alcandora a com isso ter cometido um (saudável, julga) “delito de opinião”. Vá À merda.

      1. O autor das afirmações (que tem uma sigla em vez de nome)“não aceito comentários insultuosos de outrem” e “não aceito comentários de gente evidentemente desequilibrada”, perdeu as estribeiras, deu um trambolhão. Acontece. Magoou-se certamente, dado o recurso ao vernáculo, e que vernáculo, para exprimir as suas dores.
        Aceitar o contraditório não é fácil, exige competências várias, esforço, paciência, bom senso e racionalidade, mas por via do insulto é que não vai resolver a coisa.
        Espero que o “dono do quintal” seja mais tolerante consigo do que com os comentadores. De resto, não irei verificá-lo.

          1. “ Ocorre-me gritar “Vai para a tua terra!” mas apenas sussurro “Por favor, não me faça mais velho do que já sou!”. Ela baixa os olhos e senta-se. Eu aguento-me, hirto! Não podemos continuar a deixar que estes imigrantes nos venham tomar os lugares (sentados). E agredir.” (1)
            Foi esta a ilação que o ilustre e másculo pensador, que tem como argumento preferencial o insulto (quando alinha outros, não se percebe patavina), extraiu da atitude de uma brasileira que teve a delicadeza de lhe oferecer um lugar no metro.
            E que escreveu, embalado serodiamente pelo movimento anti-woke, um postal sobre o racismo … negro.
            (1)

            1. José, já poucos passarão por este postal mas respondo-lhe: como lhe disse antes, remeto-lhe a resposta que dei a Rafael: “é consabido que um estúpido nunca percebe que é estúpido.” E é preciso sê-lo para dar o sentido que você dá a esse texto. Pois na internet, blogs ou outras plataformas, ou noutros contextos, há as leituras apressadas e distraídas, e incompreendemos na pressa. Mas não é este o seu caso. Andou a vasculhar os textos do blog – mais antigos que este até – para poder ripostar, e sair ufano. Ou seja, dedicou atenção. E, mesmo nesse seu afã, incompreende o que lê. É pungente.

    2. Sim José, faz parte
      Há um comentário que prova que afinal o blogador não é tão esclarecido quanto pensa, e decide eliminá-lo. Está no seu direito. Aqui e em qualquer espaço privado. O comentador está no direito de discordar. E deixar de frequentar

  6. Não suporto unanimidades forçadas, dominadas pela artificialidade e por comportamentos típicos de manadas… À partida, qualquer exercício de censura é algo que me causa repulsa, ainda que compreenda que nem sempre é fácil lidar com certos “trolls de serviço” que, a coberto do anonimato, aproveitam, por vezes, para injuriar ou proferir ofensas pessoais…

    Apesar do anterior, convirá, talvez, lembrar que quando alguém, voluntariamente, publica conteúdos em alguma “rede social”, arrisca-se a, de alguma forma, ficar exposto, nomeadamente a poder ser alvo de algum tipo de contraditório ou afronta… E também se subentende que quem publicou tais conteúdos conhece os riscos inerentes a tal exposição…

    É evidente que o jpt, enquanto “co-bloguista” de um “quintal privado”, terá sempre a prerrogativa de censurar comentários, mas eu, enquanto leitora (“visita”) deste Blogue também tenho o direito de repudiar tal comportamento, a não ser que o acesso ao mesmo me seja vedado…

    Pela parte que me toca, muito dificilmente darei ao jpt o trabalho de apagar comentários, desde logo porque, a partir deste momento, deixarei de comentar, o que quer que seja, em textos da sua autoria, poupando-lhe, assim, esse aborrecimento… Com o devido respeito, por mim, pode ficar a falar sozinho…

    No universo de Blogues com acesso público, quando a coisa “esturra”, ou seja, quando os “donos” de uma publicação se confrontam com comentários e opiniões contrárias às que pretendiam, eis que, frequentemente, se apagam tais “heresias”, pois que é muito mais fácil lidar com a unanimidade do que dar-se ao trabalho de refutar o conteúdo de determinadas opiniões…

    Metaforicamente, acrescento isto:

    Quando o dono de uma taberna não tem capacidade para aturar bebedeiras alheias, o melhor que tem a fazer é fechar o estabelecimento…

    1. Paula Dias, pela sua metáfora presumo que terá uma experiência de tabernas e afins bem menor do que a minha. Pois todos os frequentadores habituados sabem que os bêbedos incomodativos acabam – consoante o tipo de estabelecimento e os frequentadores do momento – por ser postos na rua. Num “volta lá amanhã quando estiveres melhor” ou “nunca mais apareças aqui”… Foi o que eu escrevi neste postal…

      Quanto ao restante que me diz, sem metáforas, há três pontos:

      1) V. insiste em chamar “censura” ao que não o é, como expliquei com detalhe.

      Há dois significados para “censura”: um é individual, pode ser dita “moral”, directa – neste caso eu censuro-lhe a irredutível teimosia de se manter nesse erro intelectual, relapsa à curial aprendizagem; tal como censuro os praticantes da irritante mania de ouvirem alto os respectivos telemóveis em espaços públicos; ou alguém que diante de mim mastigue de boca aberta; ou um condutor de trotinete sem capacete, etc. Ou “indirecta”, mais “política” – eu censuro as atoardas privadas de Pedro Proença ou as manigâncias empresariais de Gianni Infantino, num registo que é de discordância mas que vai para além da mera diferença de opinião.

      O outro significado de “censura” tem dimensão colectiva, e refere-se a práticas institucionais, não de incidência “moral” mas sim política, dando azo a sanções: Estados – e também outras instituições (religiosas, empresariais e outras) – censuram – vedam – a expressão de opiniões e/ou a sua divulgação, e inibem atitudes. Não apenas em regimes ditatoriais mas nestes é quase obrigatório que isso surja. Um blog nada tem a ver com isto.

      2. Diz V.: “quando alguém, voluntariamente, publica conteúdos em alguma “rede social”, arrisca-se a, de alguma forma, ficar exposto, nomeadamente a poder ser alvo de algum tipo de contraditório ou afronta.” Tem toda a razão. Eu blogo desde 2003, sei isso. É exactamente sobre isso que é este postal. Eu esclareço aquilo que não aceito: mensagens robóticas, de indivíduos notoriamente desequilibrados; que insultem (ou difamem – que também as há) outras pessoas; de três indivíduos em particular, que foram informados disso, por razões que são de “censura” (a do primeiro sentido que referi, a “moral”), oriundas de terem tido para comigo comportamentos que são inadmissíveis (em dois casos) e esparvoado (noutro caso – para o qual teria bastado um pedido de desculpa para ser imediatamente esquecido mas nunca isso aconteceu).

      V. diz que “repudia” isto. Porquê? Qual a razão para tal repúdio? Eu estou a escrever um pequeno postal sobre “Compal de tomate”. Publicá-lo-ei em breve. Aparece um tipo a dizer mal (sem metáforas) do Infantino. Em seu entender tenho de aceitar? Começo a receber comentários de anúncios a refrigerantes. Tenho de os aceitar? Aparece alguém a dizer que essa empresa ou outra paga subornos a determinado político (idenficando-o). Tenho de aceitar? V. comenta, dizendo que gosta (ou não) desse sumo e logo aparecem alguns a insultá-la por esse (des)gosto. Tenho de aceitar? Francamente não a compreendo…

      3. V. diz ainda: ““donos” de uma publicação se confrontam com comentários e opiniões contrárias às que pretendiam, eis que, frequentemente, se apagam tais “heresias”, pois que é muito mais fácil lidar com a unanimidade do que dar-se ao trabalho de refutar o conteúdo de determinadas opiniões”.

      Ora isso levanta o ponto central dos comentários: muitos comentários de contraposição propositadamente deturpam (e muitas vezes caricaturizam) os textos para lhes “bater”. Ou então deles partem para argumentações próprias que não advêm do texto criticado, mas nisso deturpando-o. Quero crer que é este o seu caso. Pois no meu texto – e na minha prática neste DO, no qual blogo há mais de uma década – nada refere que apago as “opiniões contrárias”, as “heresias” avessas à “unanimidade”, esses traços que V. identifica.

      O que disse, e está escarrapachado no texto, é que – consoante a minha disposição do dia – apago não as opiniões discordantes mas sim as “afrontas” – as tais que V. considera serem normais, e eu sei-o, mas que para si serão obrigatórias de acatar mas às quais eu não me considero obrigado a receber. Ou seja, às vezes (e a algumas) sim, nem ligo, clico “aprovar”, outras não. Para si esta minha relutância em aceitar grunhidos insultuosos faz de mim um descendente do velho “coronel de lápis azul”. Tenho de levar com “és um fascista de merda”, “és um bêbedo”. Ou tenho de aprovar um contra-comentário a dizer “essa Paula Dias é mas é uma g’anda…” (que também os há, a estas “afrontas” entre comentadores).

      Dou-lhe um exemplo, para ilustrar: acabei de colocar um postal sobre “Racismo”. Pode aparecer aqui alguém a comentar dizendo que o texto (e seu autor, e até os co-bloguistas que não opuseram ao texto) é algo racista. Activamente racista ou reflectindo um racismo implícito, de modo propositado ou inconsciente. E aduz os argumentos que sustentem essa posição (por exemplo, em prol de uma “acção afirmativa”). Eu logo aprovo. E poderei debater o assunto – às vezes tem a ver com a disponibilidade do quotidiano ou com as insónias. Mas é bem diferente o que acontece: aparece-me este Rafael e este José num mero “racista” – a tal afronta, gutural. Neste caso aceitei, até me serviu para (mais) um ponto sobre isto dos comentários. Mas repudiar este “amandar bocas” através do teclado faz de mim um epígono de apparatchik búlgaro, coronel reformado do Estado Novo, verdugo sul-americano ou agente do código Hays colocado em Hollywood?

      A única razão que V. tem é quando refere que lhe compete a si decidir onde comenta. Isso é óbvio. Agradeço-lhe as leituras do DO – e quiçá dos meus postais. Será bem-vinda se quiser comentar os meus, desta forma curial e argumentativa – mesmo, repito, apondo sentidos ao texto que lhe estão ausentes. E eu responderei.

      1. “Eppur si muove”… (Alegadamente, Galileu Galilei).

        “Carpe diem”, jpt.

        (Hoje deu-me para expressões em Latim, deve ser o meu “inconciente” a trocar-me as voltas e a censurar-me, a ver se me impede de bradar certos impropérios que vieram ao pensamento e que poderiam ser considerados como inapropriados ou ofensivos).

  7. e repito – eu nunca aqui insultei ninguém – nem diretamente, nem “enviesadamente”, tal como fez o jpt por duas vezes em resposta a comentários meus neste mesmo poste.
    é triste fazer isso apenas porque não se gosta de opiniões diferentes. tal como quando se “censura” comentários pela mesma razão. é tratar como inimigo alguém que pensa de outra maneira.
    é um forte indicador de fraqueza dos próprios argumentos.

    1. Rafael, é consabido que um estúpido nunca percebe que é estúpido. Nem quando lhe explicam. Você entra aqui, bolça sobre mim um “racista!” e depois lamenta-se porque é insultado. Vá bardamerda.

  8. não chamei racista ao jpt; disse que o poste “Racismo em Lisboa” apresenta um texto racista. há uma grande diferença, que à primeira vista parece pequena. para quem já não tem pensamento abstrato, para quem já não consegue distinguir entre factos e opiniões, ok, não há nenhuma diferença.
    quanto a esta resposta do jpt – a parte mais triste não é o insulto em si (que até é um insulto simpático); a parte mais triste é que quem profere os insultos o parece fazer por não conseguir contestar opiniões contrárias à sua de outra maneira.

  9. O Rafael está zangado
    Nos blogues há que considerar s ideologia ds barbearia: és do clube do tipo que trm a navalha na mão
    Ou relembrar o Reservado Direito de admissão
    A internet foi criada assente no anonimato e na acessibilidade, mas não são valores obrigatórios.
    Rafael, crie um blog. Lá, será o mais esclarecido, inteligente e ético. E decerto filtra comentários. Como acontece em todos os blogs.

    1. José já lhe respondi o suficiente: você não tem capacidade para compreender o que lê, não é um problema meu. Agora andou ou anda a vasculhar os textos antigos do DO em busca de argumentos para fazer contraposições – espero que encontre postais interessantes.

      Mas não percebe os textos. Mesmo que eles sejam simples. É tramado, decerto. Tanto no texto como nos comentários eu expliquei a especificidade de censura (é certo que você diz não perceber patavina mas depois reage como se o défice não fosse seu). É algo que advém de práticas de inibição de opiniões e acções efectuadas por instituições (estatais ou empresariais). Aparto isso das decisões individuais de um blog, que tem outro tipo de conteúdo e de “responsabilidade social” – está explícito e repetido.

      E você, pobremente, no afã de me contradizer vai buscar dois textos meus, antigos, em que eu refiro exactamente isso: a censura efectuada numa (mega-)empresa, o facebook. E você acha que me está a contradizer: é patético, homem!

      Faço-lhe um boneco simples, a ver se consegue perceber e se assim sossega: o DO estava alojado na plataforma SAPO que pertencia a uma empresa.. Imagine que a SAPO tinha decidido proibir que nos blogs que alojava se falasse do Benfica: era um acto censório. Mas se eu abrisse um blog na SAPO e anunciasse “no meu blog não se fala do Benfica” não seria censura, era o meu gosto. Totalmente legítimo, mesmo que você e outros não gostassem disso.

      E agora você pode continuar, se assim o decidir, a resmungar por aqui. E a incompreender as coisas simples que o rodeiam. É triste. Mas é assunto seu.

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