Fez finca-pé com o Estatuto Politico-Administrativo dos Açores enfrentando simultaneamente o Presidente da República e condicionando a margem de actuação de José Sócrates, que por causa dele se viu forçado a comprar uma guerra com Cavaco Silva. É fácil perceber porquê: os deputados socialistas dos Açores podem ser vitais para viabilizar a próxima maioria em São Bento. Carlos César, há pouco reeleito para o último mandato à frente do Governo Regional, coloca-se desde já em excelente posição para vir um dia a suceder a Sócrates à frente do PS. Mais do que António Costa, preso nas malhas autárquicas de Lisboa. Mais do que António Vitorino, convertido aos desafios da iniciativa privada. Mais do que António José Seguro, mestre na arte da indecisão.
Este homem vai longe. Sigam-lhe os passos a partir de agora.

Ainda somos um país que discrimina. Racista q.b. mesmo entre brancos do Continente e das Ilhas. César e Jardim são ilhéus. Nunca terão hipótese a nível nacional.
Disparate. Só à Presidência da Assembleia da República já lá chegaram dois açorianos de quadrantes distintos: Mota Amaral e Jaime Gama. Se não foram mais longe, foi por falta de vontade: nem tentaram. Para não falar de antigos e prestigiados deputados e dirigentes partidários, que também fizeram outras opções.
Estamos a falar do “disparate” de ser-se Primeiro-Ministro e Presidente da República. Enquanto formos vivos vamos ver quantos ilhéus lá chegam…
Discordando do comentador anónimo anterior quanto ao argumento, concordo, porém, de que César não tem as características necessárias para liderar o partido. É verdade que se tem falado, nos últimos tempos, que António Costa deverá suceder a Sócrates, mas depois deste virá um governo PSD (em 2013-2017) e depois então virá, como eu desconfio seriamente, António Vitorino, este sim, com todas as condições e qualidades para liderar um partido de governo como o PS.
Cumprimentos.
Meu caro, o Pedro Correia não se deteve aqui na análise de características para o desempenho. O PSD está cheio de conhecer lideres sem as tais «características necessárioas». Trata-se aqui de analisar probabilidades.
Eu sei e concordo que o facto de ser açoreano não o irá impedir de poder chegar a sec-geral, por isso adicionei um novo factor à analise, pois nao me parece que, podendo la chegar, nao tem as caracteristicas necessarias para se impor, como por exemplo, Guterres ou Socrates ou mesmo Ferro Rodrigues. Provavelmente aconteceria o mesmo que tem aocntecido no PSD: divisao interna e contestaçao permanente.
Cumprimentos e bom fds.
Ricardo,
De uma coisa estou certo: depois do Sócrates, a unidade artificial que tem vigorado no PS vai estalar e as divisões virão todas à superfície. Não vale a pena haver grandes ilusões a este respeito.
Concordo, basta o PS não ter maioria absoluta (que
é o mais provável, apesar de nas sondagens nao andar la longe) para algumas vozes começarem a aparecerem e a ser ouvidas. Alegre certamente irá apostar tudo e até Seguro poderá aparecer, pois a escolha dos Ministros será um momento único para fazer valer influencias.
Cumprimentos e bom fds.
Pessoalmente concordo com o anónimo, Pedro. A política nacional e a regional normalmente não se misturam e em Portugal continental Carlos César não tem propriamente imagem – nem boa nem má. Pode dar-se alguma reviravolta, mas duvido muito que o Carlos César venha algum dia a ser Secretário Geral.
Abraço
Tiago, no presente e no passado recente não falta por aí quem tivesse chegado das ilhas sem qualquer imagem no continente (como lembrei no meu subcomentário ao primeiro anónimo).
Para já, Tiago, é o homem que enfrentou Cavaco e condicionou Sócrates. E deu ao PS Açores duas maiorias absolutas num território anteriormente laranjinha. Já não é pouco.
Esta do César poder aspirar a ser chefe do PS deve ter sido tirada da secção de anedotas do “Borda d’Agua”
Desculpe lá, mas o seu comentário é que parece extraído de um roda-pé do ‘Borda d’Água’. Pelas razões expostas em comentários acima…
Alguns dos meus caríssimos leitores – incluindo o genial ‘Douro’, nome de canídeo – partem de uma tese sem fundamento: um político regional não pode fazer carreira a nível nacional. Parecem esquecer um tal de Oliveira Salazar, que saiu da Beira Alta e estacionou durante meio século em Lisboa. Ou um tal Eanes, de Alcains. Ou um Aníbal Cavaco Silva, de Boliqueime. Ou o rapaz de Vilar de Maçada.
César é açoriano? Também o eram Teófilo Braga e Manuel de Arriaga, ex-presidentes da República. Que eu saiba, o actual presidente da Assembleia da República, segunda figura do estado, também é açoriano. Chama-se Jaime Gama – conhecem?
Volto a comentar um post seu, e com gosto, digo-o, porque gosto de o ler (mesmo nem sempre concordando).
Sobre César.
Evidente que não faz sentido a ideia que o Anónimo das 16:45 disse, sobre o facto de um ilhéu não conseguir chegar a Secretario Geral do PS ou a PM. Acho possível, e o percurso de César, é um percurso que o leva a sonhar isso. Já ouvi até a ideia de que poderia-se candidatar à PR.
Bom, Sr. Pedro, o que disse de ganhar 2 maiorias nos Açores. Já vai no 4º mandato, e último (quase seguramente). E ganhou a Álvaro Dâmaso (sucedeu a Mota Amral) porque foi feita uma má transição no PSD, e porque as pessoas fartaram-se do PSD. O mesmo, acontecerá daqui a 3 anos, nas próximas regionais, onde os delfins de César vão bater-se por chegar à frente. Nada de novo, nada que não se tivesse passado em 95 no PSD.
As possibilidades de César chegar a Secretário-Geral do PS (e só depois a PM): bom, ambição não lhe falta. Ele ganhou muito capital político, sabe jogar nos bastidores (mesmo com golpes baixos), e não descartaria essa possibilidade. Mas antes disso, achava mais provável vê-lo como ministro num 2º Governo de Sócrates (caso o haja), depois de sair do Governo Regional (poucos acreditam que terminará o mandato). Depois dessa experiência, que lhe dará maior visibilidade, importância nacional, contactos, apoios, é que julgo que terá maior consisência uma candidatura a Secretário-Geral.
É uma ideia. Não duvidemos de uma coisa: a democracia dos Açores tem vindo a ser asfixiada com o controlo permanente do Governo, sobre tudo (empresas) e todos (pessoas). Tal como na Madeira. A diferença é que na 1ª, o estilo é mais discreto. Na 2ª, nós conhecemos bem.
Cumprimentos