A colecção de disparates


jpt,

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Um pavoroso retrato do país: António Araújo fez uma colecção dos dislates – imundos dislates – que os “intelectuais” nacionais andam a dizer desde há dois meses sobre a guerra na Ucrânia. Está lá o pacote quase todo: o prof. Azeredo Lopes (o único que tem desculpa, pois o tribunal considerou-o intelectualmente inimputável), o prof. Louçã, o prof. Moreira, o prof. Nogueira Pinto, o prof. Pureza, o prof. Rosas, o prof. Soromenho Marques, o prof. Sousa, o prof. Sousa Santos, o gen. Branco, o gen. Costa, o gen. Cunha, aquela deputada em part-time Mortágua e mais uma série quase infindável de tipos aos quais “custa pensar” (como há dias gemeram Sousa Santos e seus acólitos “criminalizados”).

 

Justifica-se mesmo ler as duas páginas, publicadas no Diário de Notícias (que estão com acesso livre) – até porque o recolector coloca as datas em que os dislates foram proferidos, assim sublinhando a espantosa mediocridade (não é cegueira, é mediocridade intelectual) daquilo tudo. E justifica-se não por causa da guerra da Ucrânia, que independe de nós todos. Mas porque os disparates que estes gajos dizem sobre esta guerra são da mesma espécie daqueles que vêm dizendo há anos, há décadas, sobre as coisas do nosso país. E essas dependem de nós. E do crédito que damos a esta tralha de mentes.

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20 comentários em “A colecção de disparates”

  1. E os disparates todos que a Graça Freitas disse sobre a pandemia? Não mereceriam também eles ser elencados e ter consequências?

    1. Ficou melindrado por o Prof. Araújo não o ter citado? Tem alguma razão: não faltava matéria-prima. Mas deixe lá isso. Veja o caso do Prof. Vital Moreira, que produziu dislates à dúzia, sobre este assunto, lá no blogue dele (e a um ritmo que até parecia que nem dormia) e, coitado, só teve direito a uma frase (e nem foi das mais escabrosas).

  2. Algumas destas citações foram “pescadas” aqui – e muito bem.
    Um abraço ao António Araújo, cumprimentando-o pelo desassombro. Esta mera enumeração de frases – várias das quais barbaridades putinescas de bradar aos céus – não lhe vai trazer muitos amigos.

    1. Até poderia ser mas não creio. Ou seja, a este propósito alguém escreveu no FB que talvez estes locutores viessem a ser “baixas desta guerra” (metaforicamente falando, friso), que esta sucessão de disparates lhes reduzisse o espaço social e o apreço dos seus seguidores/leitores/militantes, que assim “pela boca morressem os peixes”. Mas não acontecerá isso, pois há um atavismo leitor no país, e assim sendo este disparatar consciente não mudará os hábitos – daqui a uns tempos acabará a guerra e esta gente, arrogante na sua prosápia irreal, continuará a botar este tipo de disparates sobre outras coisas (como o vêm fazendo há décadas sobre tantas outras coisas) e ninguém (as empresas que lhes dão espaço, os anunciantes que os remuneram, os clientes que deles dependem, os consumidores que compram/clicam/assistem ao órgãos que os remuneram) deixará de consumir estes produtos fajutos. Assim sendo, “pelas bocas [estas] vivem os peixes”.

      E esta gente é energúmena. Dou um exemplo, tétrico mas completamente esclarecedor destas mentalidades: ontem partilhei no meu mural de FB um texto sobre o nacionalismo russo, de Francisco Bethencourt, um grande historiador e homem de esquerda. Para o copiar fui até ao mural dele (não tenho ligação). Ele tinha partilhado o texto ali e no postal havia alguns comentários. Um dos seus amigos-FB perguntava-lhe porque não tinha ele aludido ao Holodomor e usou a palavra “genocídio”. O autor respondeu-lhe, muito justificadamente, que esse tema não era necessário para o argumento do seu texto. Imediatamente apareceu um outro comentador – jornalista, velho bloguista, comunista, e um dos subscritores da patética “carta aberta” que Boaventura Sousa Santos fez – devido à ira por ter sido criticado pelo director do Público (este tipo de gajos pensa-se sempre acima das críticas) -, em que se dizem aqueles bem pensam, contra nós outros ignorantes. Ora esse comunista jornalista bloguista acólito interveio para contestar a utilização do termo técnico “genocídio”, dado que alguns historiadores consideram a sua utilização errada. Para este homem, que tem o desplante de publicar que ele pensa bem e que os outros não, não é relevante reflectir sobre os acontecimentos de 1930s para perceber a relação ucraniana com a alemanha nazi e a utilização pós-independência por parte de grupos minoritários desse imaginário anti-soviético/russo. [Diga-se de passagem, há mais grupos neonazis na federação russa do que na Ucrânia]. Para esse homem, co-signatário com os Sousas Santos e Soromenhos Marques, os “bem-pensantes”, o que é relevante é procurar (nem que seja semanticamente) elidir uma hecatombe daquela dimensão.

      Eu continuo na minha, naquilo que botei aquando das iniciais reacções do PCP a esta guerra, nas quais louvou – sem qualquer pudor – a solução soviética para as “minorias nacionais / étnicas” (A Fátima Bonifácio diz mal dos ciganos e põe-na em tribunal, o PCP diz uma alarvidade destas e ninguém reage): o XX Congresso do PCUS foi há 66 anos e os comunistas portugueses ainda se preocupam em negar o “genocídio” na Ucrânia. São uns morcões infectos. E os “bem-pensantes” de Coimbra e Lisboa assinam junto com esta gente a dizer que eles é que pensam bem… É um lixo de gente, intelectual e pessoalmente.

      1. ‘(A Fátima Bonifácio diz mal dos ciganos e põe-na em tribunal, o PCP diz uma alarvidade destas e ninguém reage)…’
        Ninguém reage? jpt está à espera de quê?

        1. Anónimo x sobre o assunto eu, cidadão comum, escrevi um texto de blog ( https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-aceitabilidade-vigente-13769516 ). Pode ser irrelevante e inútil. Mas é com toda a certeza melhor do que vir “amandar” uma “boca” em comentário num blog alheio, ainda por cima sob a imundície do anonimato.

          1. jpt, em vez de escrever um texto num blog, apresente queixa ao ministério público isso é que é de notoriedade com asseio.

      2. Exacto. As guerras nunca podem ser algum de bom. Mas no caso vertente, por cá, trouxe a nú o politicamente implantado comunismo, embora como sabemos com outro nome. Divertido este contorcionismo das esquerdas políticas que cegamente continuam a dorar algo que já não existe, algo que aliás nunca existiu.
        Mas como escrevia o brilhante vate: “uma rosa é uma rosa, qualquer que seja o nome que lhe queiram dar”.

      3. Os tempos conturbados servem para desnatar realidades várias.
        Há uma imagem que gosto, que se aplica aqui e que ouvi uma vez sobre jogadores de futebol. Enquanto que alguns se esforçam para preencher a camisola, outros comportam-se como se fosse maiores do que ela. Encontra-se gente assim no futebol e não só. Neste caso é no colunismo comentarista. Para essa malta basta-lhe passear o charme.
        A fórmula para a paz que recomendam ao ucranianos, apenas por xenofobia poderia ser sugerida aos palestinianos e este é apenas um exemplo de como muita da retórica que tentam produzir é sempre elaborada a partir de uma conclusão já definida por cartilha. O resto da palha surge por raciocínio de recuo. Os produtores de conteúdos passam o cheque, agora já deve ser por transferência SEPA, e a honestidade intelectual não é para aqui chamada.
        Um conhecido meu, à pergunta de como é que vais, responde sempre, cá vamos andando mais ou menos honestamente. Não é colunista, mas é porque não quer.

  3. Bom trabalho de A.A., bem realçado JPT.
    No meio de tudo isto fica patente o desencontro entre as respectivas realidades em que cada de estes personagens políticos e opiniantes vive.
    Com uma população original de 40 milhões, na Ucrânia, mais de 10 milhões continua a mover-se para Ocidente.
    Meio milhão prefere dirigir-se para a Russia.
    Se minimamente correcto este referendo, real, com os pés, vale mais que incontáveis palavras, opiniões e imagens.
    Bem assim como decisões bastardas de políticos de vários quadrantes.
    Mais uma vez as fronteiras e os povos.

  4. Uma vergonha. Mas de certo modo é bom, porque caiu o capachinho a muita gente e agora todas as dúvidas que tínhamos desapareceram.

    Com esta gente toda e os seus prosélitos, doravante, para mim, só à chapada.

  5. Permitam-me que ponha em evidência o que escreveu Miguel de Sousa Tavares: (…) “de visita a Moscovo, conheci alguém próximo de Vladimir Putin – não um empresário, mas um operacional. Ofereceu-me, a mim e à minha pequena comitiva, um fabuloso jantar no Pushkin, um dos mais sofisticados restaurantes da Europa.”
    Como se vê, ele mamou um jantar de luxo à pala do Putin, e agora sente-se na obrigação de o compreender… O Tavares fala em “comitiva” – será que chefiou uma embaixada do nosso governo? Nunca se sabe…

  6. Azeredo Lopes tem desculpa mas não por qualquer inimputabilidade: escreveu há dias no Público um artigo que desmonta completamente os argumentos (pseudo) jurídico-internacionais, inclusive o “precedente do Kosovo”. O artigo saiu salvo erro na 3ª feira e vale bem a pena.

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