No passado os partidos recrutavam os seus candidatos autárquicos no seio das forças vivas da região. Hoje esse critério está em vias de ser destronado pelo da notoriedade pública. A democracia televisiva dita as suas leis. O filão, não sendo inesgotável, ainda tem muito para dar. Pelo andar da carruagem podemos abolir os partidos. Cada português vota num canal de televisão e eles que escolham os candidatos. A chamada custa 50€ mais IVA.
a ditadura da notoriedade pública
Paulo Gorjão,

É, realmente, um sinal dos tempos. E um sinal de que a democracia começa a enfrentar problemas graves.
Será a democracia, meu caro? Não serão as pessoas? Nós é que começamos a enfrentar problemas graves. E somos parte desses problemas. Que têm nome: infracultura, suburbanismo intelectual, iliteracia e tudo o mais que também sabe.
Veja lá se os deputados, os ministros ou os autarcas são avaliados no fim de cada ano. Não são. Porque deixavam aquilo às moscas. E nós é que os pomos lá…
Têm os dois razão e complementam-se.
A crise da nossa democracia (como disse o Coutinho Ribeiro) deve-se às pessoas, pela infracultura, suburbanismo intelectual, iliteracia, etc (como disse o João Carvalho).
São dois dos maiores problemas que vamos enfrentar nos anos vindouros.
Abraço aos dois.
A democracia são as pessoas, JC.
A democracia são os indigentes que elegemos. Somos fraquinhos e elegemos os fraquinhos. Hoje, qualquer tipo que daria um razoável presidente da Câmara de… sei lá, da Covilhá, por exemplo, facilmente chega a primeiro-ministro.
Eu sei pouco de teorias. mas tenho uma razoável capacidade de observação prática e vejo cada coisa…
O regime está inquinado. Os razoáveis da política já descobriram que rende muito mais estarem nos seus escritórios a mexer as marionetes que ocupam os lugares que cederam. E isto tende a piorar. Não tarda, nem a minha empregada doméstica aceita um cargo político. Começa a ser um local muito mal frequentado.
É isto que me assusta.
Há mais um problema, AC.
Hoje, qualquer grupo económico local “compra” uma candidatura a uma autarquia. Transporte isso para um plano mais elevado e o problema mantém-se. E é por aqui que tudo vai ruir. Porque vai. Há quem ache que o facto de estarmos inseridos na UE afasta qualquer possibilidade de retrocesso. Não estou tão seguro disso. Pode haver retrocesso por cá e em qualquer outro país.
Tenho feito a experiência, quando me encontro com pessoas que não conheço: provoco uma discussão sobre a democracia e as pessoas desconfiam. Mas não tarda muito, abrem-se. As pessoas começam a verbalizar o que pensam mas temem dizer. E, quando saio, descubro que sou o mais moderado. E não, não são conversas no táxi.
Preocupo-me com isto, claro.
CR,
Os lugares compram-se, negoceiam-se, prometem-se e trinta por uma linha nos partidos de governo nacional e local. Ainda assim creio que tinha de cair o mundo inteiro para que esse facto tivesse repercussões de monta em Portugal. Somos um País calmo, de brandos costumes, onde inclusivamente se fez sem sangue uma revolução depois de décadas de ditadura.
Não obstante, esse facto começa a ter um pouco por todo o lado os seus efeitos. A Grécia não está assim tão longe nem é culturalmente muito diferente.