A segunda meninice começa mais tarde. Antes, é à segunda adolescência que chegamos. Voltamos a pensar nos grandes temas da vida e o fascínio é o mesmo que sentimos aos 15 anos, como se todas essas reflexões tivessem ficado fechadas em frascos com formol, à espera que as retomássemos. A pressa de viver também volta. A diferença, agora, é que estamos cheios de razão.
A dois passos do paraíso – 2
Teresa Ribeiro,

A pressa de viver também volta.
Acha? Só se estivermos cheios de saúde e genica. Muitos de nós não estamos.
Claro que somos condicionados pelo Estado da nossa saúde. Mas isso acontece em todas as fases da vida. Não é exclusivo dos mais velhos.
A segunda adolescência é a fase mais prolongada de todas. Apesar da maturidade que os anos trouxeram ao espírito e ao raciocínio, a puerilidade manifesta-se abundante em cada estado de ânimo.
E não me parece nada mal que seja assim. Puerilidade também é leveza. Já há muitas coisas que pesam com a idade, salve-se o espírito 😉
“A diferença, agora, é que estamos cheios de razão.”
Pois é. Mas no meu caso, eu estou é cheio de colesterol, de ácido úrico e pejado de triglicéridos e a única certeza absoluta que eu tenho é de meter o Voltaren na mochila, que hoje em dia a “pressa de viver” costuma dar-me cabo das cruzes.
Eheheheh! Manter o sentido de humor já é meio caminho andado.
As minhas dores de crescimento nunca foram arquivadas em formol; coabitam comigo, intactas na sua aversão ao Poder. A diferença é que a experiência e o conhecimento dos anos me trouxe as ferramentas para as equacionar sem dor, devolvendo-me a soberania do livre-arbítrio. O meu percurso não foi de regressos, mas de emancipação. Afastei-me do Deus dogmático do catolicismo e curvei-me perante a pura luz da razão — a mesma razão que encontra divindade na lei da gravidade e na sinfonia geométrica do cosmos, uma transcendência muito próxima de Ahura Mazda. Quanto à pressa:?esta humanidade satura-me. Não tenho urgência em reter o agora, há sim uma curiosidade imensa pelo nível seguinte.
Toda a vida me diverti imenso com a minha mente.
“… há sim uma curiosidade imensa pelo nível seguinte”. Diria que essa curiosidade será mais frequente entre os crentes… No caso da Mariana, que se diz ateia, não sente nem uma pontinha de medo atávico face ao post mortem?