Janto num restaurante perdido no Alentejo profundo. O televisor está sintonizado na TVI. Acabo de ouvir as notícias do acidente da Air France. Segue-se a campanha eleitoral. A determinada altura a repórter pergunta a uma senhora:
– Sabe para que são estas eleições?
– Sei sei! São para escolher o Primeiro Ministro que este é uma vergonha “inedmessível” ( o discurso continuou, mas o aspecto delicioso do “piano” que o empregado me acaba de pôr na mesa fez-me atiçar o paladar e enfraquecer o ouvido)
Faço um balanço rápido. Mais palavras para quê?

“Inedmessível”, claro. É que nem os candidatos parece saberem bem onde fica a Europa. Cada vez mais, em casa do diabo mais velho, é o que é.
Sim, na verdade, se até alguns dos candidatos ainda não decidiram bem àquilo a que se estão a candidatar, é perfeitamente “admessível” que o Zé Povinho ande perfeitamente à nora. Mas olhe que bem vistas as coisas, “uma eleição para eleger o primeiro ministro”, até nem estava nada mal lembrada. Agora compreendo porque é que se diz que povo tem sempre razão…