A guerra civil


Ana Margarida Craveiro,

Até 21 de Agosto, já havia 460 mortos nas estradas portuguesas, desde 1 de Janeiro (vejam os dados da sinistralidade aqui – e lembrem-se da polémica sobre os feridos que morrem no hospital e já não contam para as estatísticas). No final do ano, o MAI vai com certeza dizer que os números são positivos, há menos mortos e feridos graves que em anos anteriores. E é aí que me apetece bater-lhes: é evidente que os números iam baixar, tendo em conta a proporção de auto-estradas, com piso em condições, com menos curvas. Mas caramba! Num país literalmente revestido a estradas de luxo, é anormal ter esta quantidade de mortos e feridos. É anormal termos gente que não abranda quando chove ou há nevoeiro; é anormal termos gente que acha que só pode conduzir se conseguir ver o branco dos olhos do condutor da frente; é anormal termos gente que não sabe andar dentro das velocidades máximas. E é anormal que um qualquer ministério se dê por contente com esta guerra civil. Perdemos, em média, duas pessoas por dia na estrada. E continuamos num qualquer “bom caminho”. Sem qualquer política de prevenção (as estradas estão feitas; falta arranjar portugueses a saber as regras de condução em segurança), sem qualquer endurecimento da repressão policial sobre quem põe em risco a vida de outros. Como se esta mortandade não fosse nada.

Um comentário em “A guerra civil”

  1. Ana Margarida, o seu texto é um grito… mas parece que ninguém ouve ou não quer ouvir.
    Enquanto houver futuros condutores que dizem ao seu instrutor de condução que depois de terem a carta vão conduzir como lhes apetecer…
    Uma maneira de explicar e demonstrar como se deve conduzir em situações adversas era obrigar os condutores a fazerem 1Km a pé e descalços por uma estrada lisa e depois fazerem outro Km, no mesmo tempo, num pinhal com mato e silvas. Era impossível e doloroso, mas talvez aprendessem.
    E nós admiramo-nos com os terroristas/suicidas!

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