Nós, portugueses, somos campeões mundiais do elogio fúnebre. Tenho pensado nisto desde ontem, ao ler os obituários de um excelente camarada de profissão – mais um – que partiu cedo de mais. O João Mesquita, é dele que falo, foi justamente elogiado, nesta hora dolorosa da sua morte, até por directores de jornais. Mas lamento que o elogio não tenha vindo um pouco mais cedo. Nos últimos anos, desde que deixou de se publicar A Capital, o João trabalhava como free lancer. Apesar dos seus méritos (que ninguém negava) e da sua experiência (se calhar até por causa dela), nenhum órgão de informação teve um lugar para ele nos seus quadros. Agora chovem as homenagens. Talvez até o João venha a ter o nome numa rua de Coimbra, a sua terra natal que tanto amava. Só é pena não sabermos tratar as pessoas tão bem em vida como as tratamos depois de mortas.
A homenagem chega sempre tarde
Patrícia Reis,

Cruzei.me com o João Mesquita em duas alturas distintas e dele sempre guardei uma recordação muito boa! Estava mesmo à espera que alguém colocasse a questão que acaba de colocar. Ainda bem que o faz!
Embora o meu relacionamento com ele tenha sido marcado no tempo, ainda assim deu para me “enjoar” (eu gosto de eufemismos com sonoridades parecidas) com algumas coisas que li, nomeadamente na dita imprensa escrita! (Eu que não sou do “ofício” tenho sempre dificuldade em escrever “imprensa escrita” sem a impressão de que me estou a repetir, mas sei lá… é de não saber, decerto).
Posso dar-lhe uma ajuda? Alguma coisa que leu na imprensa. Se não fosse escrita, não teria lido, certo?
Sem maldade.
Ainda me estou a rir… O que não seria suposto dado o conteúdo do post!
Foi-me muito bem “fem feita” rsrsrs
(mas a ideia repito-a: não entendo porque é que se usa a expressão imprensa escrita… se está impresso é escrito ou não? )
Há quem defenda que o conceito pode ser abrangente, colocando a rádio e a televisão como sectores da imprensa (pelo sua função e pelos profissionas que a exercem). Trata-se de considerar que ‘imprensa’ e ‘comunicação social’ são sinónimos.
Obrigada.
🙂
Para se ser alguém neste país, muitos tem de deixar de o ser.
Triste país….
agora aparecem os crocodilos lacoste a chorar…
que ricos amigos que ele tinha ,são do melhorzinho que há em elogios funebres, agora dar-lhe emprego …
Parabéns!
O melhor elogio é o que os amigos podem fazer.
olha pedro, vou só repetir uma coisa que escrevi na pastelaria a propósito desses elogios (Henrique Monteiro também falou nele no Expresso)
Zé Manel Fernandes e Henrique Monteiro são ambos directores de jornais. O jornalista João Mesquita estava desempregado desde 2003. E é tudo.
Pois, Ana Cristina. Também (a)notei isso.
Pedro, só para te deixar um abraço solidário, se eras amigo do João Mesquita. Eu nunca o conheci para lá dos plenários na redacção do JN à época da privatização e de um par de Jogos Ibéricos de Jornalistas… e de o ler, claro, e de o ouvir enquanto foi presidente do Clube de Jornalistas. Um conhecimento superficial, portanto, mas suficiente para apreender a auto-determinação, carácter e a personalidade forte e afirmativa de João Mesquita.
É claro que já não é desta massa que se fazem os jornalistas de hoje [e quem se sentir, batatas], porque se antes se dizia que os jornalistas se vendiam por um prato de lentilhas agora [há já um par de anos] têm uma coluna de invertebrados e basta-lhes uma brisa mais favoravel qualquer para se comportarem como vira-ventos.
João Mesquita estava desempregado desde 2003, escreve aqui a Ana Cristina Leonardo, e foi agora, in memorian, “elogiado por José Manuel Fernandes e Henrique Monteiro, ambos directores de jornais” (acrescento eu, da mesma geração etária do João Mesquita).
A esses elogios e a muitos outros que terão aparecido à data do anúncio da sua morte bem como no seu funeral a família há-de encolher os ombros indiferente en quanto se perguntará onde estiveram todos esses “amigos” que de repente irrompem como cogumelos, nos últimos seis anos… porque agora morto, na realidade, tanto faz.
E porque já me estou a alongar, só queria dizer ainda que há falta de cabelos brancos nas redacções actuais, há falta de experiência, de memória na 1a pessoa, de vivência em geral, de jornalistas por vocação como os médicos sem fronteiras, de jornalismo por “faro”, enfim, de jornalismo tarimbado, de jornalismo como bicho… mas a culpa tambem é da geração dos cabelos brancos, porque é a primeira a afastar os contemporâneos à troca por um estagiário(a) qualquer acabadinho de formar.
E não quero citar nomes para não ferir susceptibilidades, mas – recordem-se – que na situação laboral do Mário Mesquita há muitos outros jornalistas de grande valor votados ao semi-esquecimento… [até chegar a hora de lhes escreverem um epitáfio, claro].
Beijinho, Talvez Te Escreva. E obrigado pelas tuas palavras. Está mesmo na hora de te escrever…
Não obstante minha escrita (como o nickname indica) não exigir qualquer reciprocidade, escreve-me quando quiseres porque serás sempre bem vindo ao meu email.
Beijos para ti também Pedro.
“Agora chovem as homenagens”:
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[Deus me livre dos meus amigos…]