A Joana


André Couto,

Não gosto da Joana Amaral Dias.

Assisti a duas conferências em que ela estava presente ("IVG" e "Mulheres na Política") e irritou-me aquele estilo rude e agressivo, típico de alguém que queria fazer a diferença e cativar a audiência por uma agressividade amiúde mal educada.

Soubemos ontem que a Joana foi afastada da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. Não obstante o que supra vos disse, este facto deixou-me politicamente triste. Nos dias que correm é muito raro encontrar uma mulher na política. Ainda mais raro é encontrar na política uma mulher que tenha ascendido pela força do mérito e do trabalho, para a qual possamos olhar e saber que, ainda que não existissem quotas, ela estaria exactamente no mesmo sítio.

Não gosto da Joana, mas admirava-a por isso e tenho muita pena.

33 comentários em “A Joana”

    1. Achas que não estaria?
      Em absoluto, politicamente, o Bloco não tem muitos homens melhores que ela. Para além disso o tom com que intervêm e o target de mercado que alcança é demasiado específico para gente como a Ana Drago ou o Louçã.
      Talvez seja a única figura vedadeiramente mediática do Bloco, o que lhes faz falta.

      1. Sinceramente, não consigo compreender essa admiração pela Joana em um registo “não sei quê”, é muito “isto e aquilo”… A verdade é que raramente lhe ouço dizer uma coisa acertada. E, mesmo quando o faz, é de tal maneira arrogante e faminta de afirmação que depressa cai novamente no disparate. Quem é que se agarra a isto? Mil vezes aquele discurso de poltrona e perninha bamboleante que tem Francisco Louçã…

        É uma mulher inteligente? Sê-lo-á, com certeza. Mas inteligência traduzida em coisa nenhuma é o mesmo que ser um asno.

        1. Isto comeu-me letras e palavras inteiras…

          Sinceramente, não consigo compreender essa admiração pela Joana. Porque tem um registo “não sei quê”, é muito “isto e aquilo”…

          Fica aqui a correcção.

        2. Poças,
          Os Partidos devem ser compostos na sua cúpula por grupos heterogéneos, de forma a abrangerem o máximo de sensibilidades e alvos.
          Se a JAD fosse um homem não perdia tempo neste post. É um facto inegável que hoje em dia há poucas mulheres na política e as que vão existindo têm de ser olhadas de uma forma especial pois estão cada vez mais em vias de extinção.
          A JAD pode não dizer muita coisa de jeito, que não diz, mas esteve à frente em múltiplas batalhas, a lutar até ao fim, sempre sem medo de dar a cara e combatendo à sua maneira.
          Nos dias que correm, esta perseverança e independência de pensamento são raras e louváveis.
          É esta a medida em que a admiro.

          1. André,

            essa maneira de estar na política e na vida não é exclusiva de JAD. Se for por aí, não compreendo o destaque.

            Por outro lado, se o facto de estarmos a falar de uma mulher deve assumir algum relevo, lamento, mas não alinho nesses devaneios. Não é por haver poucas mulheres na política que lhes devemos dar atenção. Só o devemos fazer se o que fizerem ou disserem valer a pena. E o que JAD faz ou diz não é extraordinário.

            Como escreveu algures Miguel Sousa Tavares, ao criticar uma Deputada: o problema não é aquela Deputada ser mulher; o problema é aquela mulher ser Deputada.

            Com JAD passa-se o mesmo…

            1. Pelo que vejo só discordamos na parte do protagonismo que lhe atribuo por ser mulher. É natural que assim seja.
              Compreendo que penses dessa forma, no entanto este sentimento é algo que me acompanha desde os primeiros passos que dei na política. Temos aliás na FDL um bom exemplo disso, quantas e quantas direcções da AAFDL não cumpririam as quotas e o número que lhes é reservado?

              (Adenda: O Nuno Gonçalo Poças e eu somos alunos da Faculdade de Direito de Lisboa (FDL), sendo a AAFDL a sua Associação Académia. Peço desculpa pela parte mais privada da conversa.)

    1. Ela faz sentido e colhe bons frutos naquele quadrante político. Não é o meu estilo, nem o teu, mas o Bloco sai a perder porque ela complementava bem os registos que têm.

  1. Também não gosto da Joana Amaral Dias, pelas mesmíssimas razões. Mas acho que o BE está a deitar fora um trunfo mediático, ela é a personificação estética da sofisticada “esquerda caviar”. E tenho uma certa curiosidade em ver qual será a reacção desta menina com mau feitio, perante uma humilhação pública…

  2. Desculpem lá: mas acham que faz sentido manter na direcção de um partido alguém que não participa nas reuniões dessa direcção? Essa críticas teriam sentido se o afastamento de JAD tivesse ocorrido na eleição anterior, após as presidenciais.
    Quem se auto excluiu foi JAD . De resto isso sucedeu várias vezes na curta história do BE , com outros dirigentes que se foram afastando. É a coisa mais natural do mundo.
    E já agora, quem conhecia JAD antes da sua súbita ascensão a dirigente do BE ? Estou a falar da filha, não estou a falar do apelido…

      1. Não, não foi. Foi uma errada estratégia promocional de alguns dirigentes do Bloco. Aliás de um, exactamente o mesmo que a queria fora de Mesa Nacional já na anterior direcção. Nessa altura fazia parte da Coordenadora de Coimbra do BE e sei do que falo.
        E mais não digo, porque me imponho alguma reserva sobre a divulgação pública da minha actividade enquanto militante de uma organização, com a qual continuo de resto a estar, politicamente falando.
        Os erros pagam-se, mas não precisam da minha contribuição para isso. O tempo chega.

        1. João Cardoso, como comum mortal que não está propriamente dentro da estrutura do Bloco e do que se lá passa compreendo a sua reserva e também não irei comentar pois não tenho dados profundos sobre essa estratégia e esses factos.
          De qualquer forma obrigado pela reflexão que aqui deixou.

  3. – Então não gosta dela mas só lamenta porque é menos uma mulher? Desconfio que as mulheres políticas e as mulheres em geral não precisam desse tipo de solidariedade paternalista.
    Eu cá (não sendo do BE nem perto disso) não gosto da Joana Amaral Dias porque nunca gostei do género: malcriado e fixado no estrelato
    (com jeito e mais um passo está no parâmetro câncio, o que é o pior que se pode dizer acerca da total ausência de fundo sob uma forma de estar deliberadamente anti-canónica e provocatória).
    Dou-me muito mais com o estilo Ana Drago: consistente e equilibrado.
    Mas apenas isso. É só uma questão de gosto pessoal.
    Na realidade acho até uma pena, porque para variar poderíamos ter uma mulher bonita com toda a restante panóplia de virtude desejáveis, que apesar de tudo acho essenciais… (vá-se lá saber porquê).
    E quando digo “para variar” é em geral, porque o índice de beleza dos políticos nacionais H e M (que ela preenche a 100%) é de facto deficitário. – Ou não?
    (ai, não me diga, não consegue apreciar homens…).

    Se não fosse aquele auto-deslumbramento da Joana AD, talvez ela conseguisse evidenciar outras virtudes que de certeza possui.

    Mas desconfio que não é casual e ela lá deve saber muito bem porque prefere assim (aposto o que quiserem).

    1. Chloé, compreendo que censure a minha solidariedade paternalista. Não lhe levo a mal e sinto-a mesmo como um elogio.
      Já há algum tempo que ando pelas lides políticas e, acredite ou não, as mulheres na política precisam deste tipo de solidariedade.
      A política nos dias que correm é um mundo maxista onde quase não há espaço para mulheres. Pior que isso é o faco de poucas mulheres se incomodarem com isso ou lutarem para o inverter.
      Acho que fazem falta porque como em todos os outros pontos da sociedade as mulheres ajudam a equilibrar os centros de decisão, tal como os homens ajudariam caso estes fossem compostos quase exclusivamente por mulheres.

          1. Por acaso, eu percebi logo que querias mesmo dizer «mundo maxista». Que é o mundo entre um capítulo d’«O Capital» e um coice da «mula da cooperativa». Hehehe…

      1. Bom. Primeiro, o mundo é machista e não maxista.
        E se queria fazer um ‘calembour’ entre marxista e machista pois… o neologismo não é lá muito feliz, fica lá mais para as bandas dos adeptos do Max
        (Estes políticos…tchtch)

        Depois, não é “nos dias que correm” que o mundo é assim. Sempre foi.

        Tertio, quem lhe diz a si que as mulheres não se incomodam com isso? Porque não exteriorizam ou reagem como você acha que deveriam?
        Isso seria admitir que a regra de jogo são consensuais, quando não são.
        É pelo desprezo que elas vão conseguir mudar as coisas.

        E não se preocupe! As mulheres são já a maioria da excelência portuguesa (por escassa que esta seja).
        Hão-de chegar lá por si mesmas, é mesmo inexorável.
        Provavelmente será é noutro sistema (que não deverá muito a nascer sobre as cinzas do actual, serôdio e esgotado).

        Nesse dia espero que os homens consigam emparelhar, porque eu também não quero uma classe política representada ao arrepio do equlíbrio de género.

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