A Justiça é cega mas não surda. Mais que isto: tem Honra!


André Couto,

Mais uma moeda no caso Freeport. Mais uma voltinha mediática.

Os mesmos que se dedicaram à chacina política do Primeiro-Ministro, vêm agora tentar diminuir e questionar aqueles que, de dentro da Justiça, saem a terreiro na sua função mais básica, a defesa da verdade e da legalidade.

É giro que se questione a suposta campanha televisiva de Cândida Almeida, nada se dizendo contra a vergonha que foi o chorrilho de mentiras que a comunicação social publicou ao longo dos últimos dias. Recordo que se não fosse essa mentirosa e pouco escrupulosa acção concertada, não teria sido necessário o périplo da referida Procuradora. Mais, ela não ilibou o Primeiro-Ministro, limitou-se a dizer o que era verdade e o que era mentira em tudo o que surgiu, no âmbito das escandalosas violações do segredo de justiça.

Nas últimas semanas tem-se brincado à Justiça em Portugal. A comunicação social trucida o segredo de justiça e segue impune a caminhada de dilação e boataria que tem feliz acolhimento em todos os espaços noticiosos.

A justiça é cega, como se sabe, mas não é surda e tem Honra. Essa Honra foi colocada em questão e Cândida Almeida mais não fez do que tentar conter ao de leve o mar de sangue que jorra desta ferida.

Perante estes factos, quem a censura?

17 comentários em “A Justiça é cega mas não surda. Mais que isto: tem Honra!”

  1. André Couto:
    Temo não ter percebido muito bem: Morais Sarmento esteve implicado na chacina política ao primeiro-ministro? Honestamente, não me lembro ter visto. Acho, até, que ele teve sempre uma atitude muito calma nesta questão. Ter-me-á escapado alguma coisa?
    Cumprimentos

    1. Coutinho Ribeiro, não percebeu mal, é o meu texto que induz em erro por querer fazer um link para divulgação do projecto. Entretanto retirei-o. Obrigado pela questão.
      Abraço.

    1. Sem dúvida Carlos, tem toda a razão.
      Na escolinha ensinaram-me que não devia fazer aos outros meninos o que não gostava que me fizessem a mim. Estou certo que todos ouvimos isso. Pena que apenas alguns transportemos isto até à idade adulta.

    1. CPA, creio não ter reclamado a sua atenção. A blogosfera é eminentemente um espaço de liberdade, essa coisa chata e inconveniente que nos obriga a ter de levar com opiniões de gente que não concorda connosco, não é verdade?
      Continue a ler-me que aprecio muito esse facto.
      Um abraço.

  2. Pois a mim, pelo contrário, parece-me que nunca a comunicação social foi tão cuidadosa como neste caso. Gosto de pensar que se aprendeu alguma coisa com a Casa Pia, mas se calhar é só medo. E pense-se o que se pensar da pessoa, a jornalista Felícia Cabrita tem sido bastante corajosa.

    1. Acredito que seja esse o seu entender, só não compreendo onde vai buscar fundamento para isso. Eu pego na imprensa dos últimos dias e vejo uma namorada atacada, uma orientação sexual questionada e gozada, uma mão acusada, vejo sentenças de condenação atribuídas por quem não tem competência para tal e com base em provas falsas… Isto é cuidado?

      Enfim, concluo eu que certamente acha isso porque a namorada não é sua, porque a Mãe não é sua e porque não é a sua vida que está na berlinda.
      Também lhe garanto uma coisa: um dia que lhe façam o mesmo a minha indignação será igual.

        1. Falar na mãe e na namorada, Cristina, não viola o segredo de justiça como é obvio, faz é com que a comunicação social que leva isso a cabo não possa propriamente ser adjectivada de cuidadosa. Digo eu. Compreende?
          Falei em segredo de justiça e em campanha de dilação e boataria, duas coisas e não apenas uma.

  3. André Couto:
    Já tive mais confiança na honradez da Justiça. O que é dramático para um advogado.
    Por outro lado, eu já não sei como funciona a comunicação social. Sei como funcionava quando por lá andei e parece-me que há algumas diferenças substanciais. E talvez não para melhor.
    Mas a questão que eu tenho vindo a colocar é a seguinte: por onde andou a Justiça nestes anos em que se começou a falar de Freeport?
    Se, quando começou, não havia nada, por que há agora buscas? Foi mal investigado na altura? Ficou tudo no limbo, atentas as circunstâncias? Fomos, agora, alvo de um atentado pelos ingleses? A agência deles é incompetente, como já li?
    Há por aqui um sem número de questões que têm de ser respondidas. E acho, claramente, que a Procuradora não respondeu bem.
    abraço

    1. Entre Justiça, política e comunicação social há sinais de grande promiscuidade e de muita coisa não estar a funcionar como devia. O sentimento inerente ameaça desgastar a sociedade e a credibilidade das instituições. Não sei onde isto irá parar, mas certamente não será a um lugar agradável. Urge corrigir e mudar muita coisa mas também não vejo como surgirá essa mudança.

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