Gosto sempre de ouvir as explicações oficiais sobre os supostos méritos do projecto do Orçamento de Estado, minuciosamente descritas pelos seus insuspeitos autores. Destaco dois aspectos desde já, os quais não fogem à regra número um: utilizar muito tempo de antena com amplo recurso à linguagem acrobática que for possível.
► O primeiro é a pretendida descida de «um ponto percentual» do défice, de 9,3 por cento para 8,3 por cento. Na minha condição de leigo, jamais conseguirei abarcar a diferença subtil entre "um ponto percentual" e "um por cento", minudência que encontro nos financeiros.
► O segundo aspecto é sobre a diminuição gradual do número de funcionários públicos, através da admissão de um único funcionário por cada dois que saem (método já conhecido como "dois-por-um"). Dizem os gurus institucionais que vai ser «reforçada a medida do ‘dois-por-um’». Reforçada? Não entendi. Não vejo como se reforça uma medida que já vigora faz tempo e não é alterada. Por cada dois gordos que saem só entra um magrinho, é isso?

1% de 9,3% representa 0,093%. Se a descida no déficit fosse de 1%, isso significaria 9,3%-0,093%=9,207%.
A descida é de 1 ponto percentual (9,3%-1,0%=8,3%).
E ainda há quem critique o “Novas Oportunidades”…
E quem é que precisa das Novas Oportunidades quando tem um Rxc por perto?
Grato pela explicação, que faz todo o sentido. Para um leigo, se o défice passar de 9,3% para 8,3%, o défice baixou um por cento. Basicamente. O que é que pode esperar-se de um básico como eu?
Sem querer incomodá-lo muito, sabe dizer-me alguma coisita sobre o “reforço” de uma medida em vigor e inalterada?
Em matemática ainda posso dar alguma ajuda, agora em termos de spin político, devo dizer que o assunto me causa alguma repulsa…
Dum ponto estritamente teórico, a medida “2 por 1” não pode ser reforçada (a menos que não estivesse a ser cumprida…). Se calhar passa um pouco por aí.
Se calhar. Também me cheira.
…, muitas vezes, esquecendo o essencial
Tantos problemas latentes
que importa acautelar,
ficaremos impotentes
se os deixarmos propalar.
No meio desta turbulência
da economia nacional,
é nefasta a indolência
de origem institucional.
Falando do dispensável
esquece-se o essencial,
tornando-se tão cansável
o discurso prudencial.
A última quadra diz tudo, meu caro.
A referência ao reforço da chamada medida ” 2 por 1″, segundo julgo, diz respeito a ser obrigatória, a partir de 2010 para as Autarquias.
Pode ser. Isso até corresponde a uma alteração à regra em vigor, mas não foi assim anunciado. O problema é que se fala muito e se diz pouco. Por isso é que depois nada chega a funcionar de facto. Será isso? Não será?