A marcha dos pobrezinhos


Teresa Ribeiro,

Quando li a notícia primeiro caiu-me o queixo, depois, confesso, comecei a rir, para não desatar a chorar. A ideia de organizar uma marcha dos pobrezinhos e fazê-la desfilar pela baixa de Lisboa é… faltam-me palavras. Por favor ajudem-me, que estou a ter um ataque de afasia. É que não há como qualificar isto.

17 comentários em “A marcha dos pobrezinhos”

  1. Se calhar a Laurinda Alves esteve a passar uns dias naquelas cabanas da Comporta “para ver como vivem os pobrezinhos” e teve uma ideia.

  2. Uma caminhada e porque não uma maratona? Mais saudável,aprendem bons hábitos,o exercício é fundamental para quem passa muito tempo nas cadeiras,nos tinquetanques
    das melhores intenções.Se for da esquerda então é catalisar a jornada da grande luta contra,
    manifes e prop.
    Não ocorreu haver quem esteja em estado tal que nem para ir mendigar a refeição ímpar terá forças.Esses sim bem necessitados.
    Aplauda-se.
    Anacoreta.

  3. Fui ler a notícia. Acaba assim (cito): “Não é a primeira vez que se realiza uma iniciativa deste género. Em 2018, por exemplo, a câmara então liderada por Fernando Medina organizou, com a mesma organização, uma conferência e caminhada para assinalar o Dia Internacional da erradicação da Pobreza, que terminou com “o habitual Momento Memória na Rua Augusta, ao som da música de Roger Water (sic) e Franco Battiato, a dança da Escola de Dança Ana Mangericão (EDAM), a performance do Teatro Académico da Universidade de Lisboa e por fim, o canto mobilizador do grupo Shout”, escrevia a autarquia na altura.” Claro que, no tempo da esquerda na Câmara, não se tratava da “a marcha dos pobrezinhos” – mas de uma “manifestação dos excluídos”. O que, sendo exactamente a mesma coisa, é totalmente diferente. Percebe-se, por isso, que, nesse saudoso tempo, os queixos ficassem quedos, não houvesse riso nem choro – e, afasia, só mesmo na escrita de posts.

    1. Na altura, de facto, essa manifestação passou-me despercebida, por isso não me é possível discutir se houve diferenças na substância. Já quanto à forma, e baseando-me na informação que me traz, a diferença é abissal. E em matéria sensível como esta, a forma como se aborda o público-alvo e se anuncia o evento é de toda a relevância. Convocar os pobrezinhos para uma marcha pela cidade é tratá-los com uma indignidade que não tem nome!
      Em todo o caso, seria muito mais apropriado assinalar a data em questão com o anúncio de medidas que contribuíssem, de facto, para melhorar a vida dos convocados.

    2. “O que, sendo exactamente a mesma coisa, é totalmente diferente. “

      É basicamente a diferença da linguagem “jornalista”

      Uma pessoa de esquerda é “apaixonada” uma pessoa de direita é “controversa”
      Quando o governo é de direita quem protesta mostra “indignação” já se o governo for de esquerda quem protesta mostra “raiva”
      Uma pessoa de direita é “inflexível”, uma pessoa de esquerda é “coerente”
      A oposição de direita faz “obstrução” a oposição de esquerda é “firme”.
      A direita “aproveita e explora” os erros da governação da esquerda, já a esquerda “denuncia e expõe” os erros da governação da direita. isto quando os das esquerda são chamados erros o que é raro…

      Isto e muito mais está nos manuais de manipulação jornalista.

  4. Cara Teresa,
    Provavelmente, se tivesse de lidar com os “pobtezinhos” a sério, com os tais que iriam ter a pensão duplicada pelo dr. António neste mês, provavelmente, repito, não lhe daria tanta vontade de rir, ter de explicar às pessoas reais que a duplicação da reforma foi uma patranha inventada para a comunicação social e não desmentida por esta.
    Se calhar era com as ” fake news” das migalhas destribuidas pelo “governo” aos pobtezinhos que se devia preocupar.

  5. O paraíso socialista está cada vez mais enraizado neste país. Ele é esmolas de 125 euros do nosso querido pm, vouchers para combustível, estado cada vez maior e mais gastador, dívida pública em termos absolutos sempre a subir, cidadãos que já nem se manifestam apesar do maior saque fiscal de sempre e da clara austeridade do dr Costa, o país sempre à espera da esmola da UE de mão bem estendida, SNS de rastos, justiça a piorar com um estado que já nem sequer é considerado uma “democracia plena” por instâncias internacionais, ensino com dezenas de milhar de alunos sem professores (até da educação conseguiram dar cabo é impressionante), escândalos atrás de escândalos e ilegalidades no governo sem quaisquer consequências, agora esta marcha, … Venezuela tão longe e ao mesmo tempo tão perto! Viva o socialismo!
    PS: Já sei que virão logo com a conversa de que o Moedas não é socialista porque não é do PS, mas se acham que o atual PSD que ainda tem muito de Rio é realmente social democrata então estamos conversados.

    1. A inflação é um grande instrumento para reduzir a dívida política (recuso-me a chamar dívida publica).
      O significativo é como o jornalismo o esconde.

      1. Lucky: devia experimentar viver num desses países onde os jornalistas não podem abrir a boca. Com a raiva que tem aos jornalistas, seria, certamente, uma pessoa muito mais feliz.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *