A minha posta de pescada sobre os incêndios


Paulo Sousa,

Ninguém consegue ficar indiferente aos incêndios. Ano após ano, e muito mais do que no passado, fazem parte do nosso Verão. É apenas devido a eles que não elejo esta estação do ano como a minha favorita.

Toda a gente tem alguma coisa dizer sobre este flagelo que tanto desassossego nos causa. Ora que não há meios, ora que o interior está desabitado, ora porque os proprietários não limpam os terrenos, ora que não se sabe quem são os proprietários, ora porque as alterações climatéricas nos acenam mais vigorosamente que nunca, ora são os incendiários, os foguetes, os fumadores, a ganância dos eucaliptos, a falta de cabras e pastores, ora porque há interesses (algo que se pode dizer sobre qualquer tema), ora se no inverno não choveu está tudo muito seco, ora se o inverno foi chuvoso há muita biomassa, ora é por causa dos madeireiros, do desordenamento e abandono da floresta, das empresas de combate aéreo, do lobby do lítio e tudo o mais que venha à cabeça de quem está a perorar sobre o assunto.

Deveria ter começado o texto com um aviso de que não vale a pena contarem com ele para procurar uma solução para este problema. E por não existir nenhuma bala de prata que resolva o que nestas latitudes faz parte da natureza, importa, isso sim, tomar medidas para os fogos florestais não provoquem tantos estragos.

Como observador que vive perto de diversas áreas de floresta, noto que com o galgar dos anos se criou um verdadeiro ecossistema à volta deste problema. É difícil de simplificar o que é complexo, especialmente para um inculto que se pode também descrever como um simples mirone. E é nessa condição que a primeira coisa que me salta à vista é que nunca se pode criticar os bombeiros. Como é que alguém que ambicione audiência e normal crédito social pode questionar alguma coisa que envolva os abnegados “soldados da paz”? Eu sou do tempo em que havendo um incêndio numa casa, ou num pinhal, com o sino bater a rebate, toda a gente acudia para resolver o assunto. Depois de várias décadas de muita carolice e bairrismo, existe na vila onde vivo um quartel dos bombeiros. Ao longo dos anos, a velha matriz de voluntários, verdadeiramente voluntariosos, empenhados em servir a sua terra e a suas gentes, foi paulatinamente substituída por funcionários que ali encontraram uma jorna. Continua a existir empenho, generosidade e bravura? Garantidamente que sim. Mas bastantes coisas mudaram. E, peço, não entendam nesta breve descrição nenhuma crítica, até porque, como já disse acima nunca se pode criticar os bombeiros.

Havendo um incêndio a 50, 100, 200 ou mais quilómetros, lá vão todas as corporações da região acudir a quem precisa. É impossível criticar tal solidariedade, que é também uma forma de coesão territorial. Como é evidente, quando um veículo de combate a incêndios sai daqui do Concelho de Porto de Mós para a Lousã, Serra da Estrela ou para o Algarve, a corporação está a facturar. Perguntei ao ChatGPT se a receita da corporação dependia dos quilómetros percorridos e horas/homem e fui corrigido.

Durante o DECIR (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, normalmente de Maio a Outubro), os bombeiros que integram equipas pré-posicionadas são remunerados através de Equipas de Combate a Incêndios (ECIN, ELAC, etc.).

Estas equipas recebem um valor diário fixo por viatura e por equipa (5 bombeiros, por exemplo), não dependendo dos quilómetros percorridos nem de horas exactas.

Fora destas equipas, se uma corporação for chamada a reforçar, pode ser feito um reembolso de combustível, alimentação e ajudas de custo.

Está visto que sou mesmo um mirone que não entende nada disto. Mas sei que quando aparecem siglas ininteligíveis para leigos, estamos perante um ecosistema.

Não faço ideia quem escolhe as corporações que saem para este ou aquele incêndio, em que momento do combate ou com que critério, mas como já cá ando há alguns anos acho que é fácil de concluir que em havendo mais fogos existe mais receita para as corporações. Para além disso, e como os meios nunca chegam, permite-se assim exigir mais meios, meios esses que são fornecidos por quem em havendo mais fogos consegue mais receita. Volto a frisar que não estou a criticar os bombeiros, até porque com vacas sagradas não se brinca. E quem tentar encontrar um Big Mac à venda na Índia entenderá a minha metáfora.

Eu, um mirone que não dá uma para a caixa, preferia que as corporações de bombeiros tivessem uma área de floresta que estivesse à sua responsabilidade e a respectiva remuneração, da corporação e de cada bombeiro particularmente, dependesse da não ocorrência de incêndios. O estímulo deveria ser pela positiva e não pela negativa. Mas, que fique claro, não estou a criticar os bombeiros.

32 comentários em “A minha posta de pescada sobre os incêndios”

  1. «Cala-te, Menino, Cala!
    Cala-te, menino, cala!
    Cala-te, menino, cala!
    Que a senhora logo vem!
    Que a senhora logo vem!
    Foi lavar os cueirinhos,
    Foi lavar os cueirinhos,
    Ao chafariz de Belém,
    Ao chafariz de Belém.»

    «Vamos nós seguindo, por esses campos fora…
    Que a manhã vem vindo dos lados da aurora.»

  2. Realmente a ideia até nem é má, e se a floresta tivesse ouvidos, já se tinha rido tanto que ardia sozinha. Pagar aos bombeiros por cada fogo que não existe é como pagar ao dentista por cada cárie que não tiveste ou dar bónus ao cangalheiro por cada pessoa que não morreu. É a uberização do nada.

    1. Para quem tem os governos Sócrates como o pico da civilização é natural que não entenda.
      Eu explico. Imagine um guarda-redes que vê a sua remuneração aumentada pelos golos não sofridos. Algumas empresas de transportes fazem o mesmo pela ausências de sinistros e de acidentes em geral. Há mais exemplos mas realmente não me recordo de nenhum dentro da esfera do funcionalismo público. Entendo a sua reacção.

      1. Deixe-me adivinhar: no seu mundo, o funcionário público mais bem pago seria o que fica em casa para não atrapalhar. Se calhar era capaz de não ser má ideia.

      2. Os da AT recebem uma rechonchuda comissão anual sobre as cobranças que fazem a caloteiros da Brisa e outra clientela do mesmo género, o que se diz aliviar muito os Tribunais. Eu sei que não é bem o mesmo, mas como também recebem os da AT pelo trabalho não realizado pelos dos Tribunais, lembrei-me desta “pescadinha de rabo na boca”. Não é tão nobre como a posta, mas também é muito saborosa.

  3. Em princípio nada tenho contra postas de pescada. Mesmo as de terceira ainda são melhores do que carapau (excepto joaquinzinhos, já proibidos reforçando o adágio de que tudo o que é bom, é ilegal, ou é pecado ou engorda).
    A questão dos bombeiros serem remunerados em função dos incêndios, que aparece naturalmente como uma perversão, já foi discutida por especialistas e, das soluções que li, a maioria recomendava a profissionalização com argumentos sólidos, por exemplo que não confiaríamos a nossa saúde a voluntários. Fiquei com dúvidas. Muitas.
    Os bombeiros voluntários nasceram com vocação aldeã, de vilas, se quiserem. A sua condição de voluntários não se compatibilizaria com o treino, material e técnica para fogos citadinos ou industriais e também não com a disponibilidade de tempo para exercerem como sapadores florestais (trabalho de enxada, roçadoras e pequenos tractores com destroçadores, durante quase todo o ano). Por outro lado, pagamos mal aos profissionais que temos e não vejo onde se iriam arranjar verbas para profissionalizar os bombeiros voluntários, ainda bem mais dos que os profissionais.
    Mal ou bem, parecia-me mais razoável deixar os voluntários na protecção de vizinhança, dando-lhes talvez competências de vigilância, para pressionar os vizinhos a limpar áreas em volta das suas habitações e outras simples. De resto é em grande parte, o que acontece na prática.
    Insuficientes ou não, todos vimos áreas de aceiros e de faixas sem floresta para cortar a progressão do fogo e nada disso funcionar, pois o fogo atravessa pastagens, culturas e autoestradas (nos últimos 5 grandes fogos, só menos de 37% era área florestal). Poucos imaginam que 90% das construções incendiadas em fogos rurais, são-no por projecções e o senso comum diz que é essa a principal causa dos fogos cruzarem áreas não florestais. Ou seja, uma faixa desarborizada, só é garantia se existirem bombeiros prontos para apagar os efeitos das projecções antes de alastrarem. Claro que esse bombeiros teriam de ter informação fiável, comando experiente e rotas de fuga se corresse mal. Mas hoje, esse problema nem se põe.
    Depois do desastre de Pedrogão, a Protecção Civil, que nasceu de cima para baixo muito mais política do que técnica, e comanda os bombeiros, tem como primeira missão proteger pessoas e bens. Dados os meios existentes, essa primeira missão é de facto a única missão.
    Há técnicos que citam a Lei dos 30, mais de 30º de temperatura, menos de 30% de humidade e mais de 30km/h de velocidade do vento. Preenchidas estas condições, não há meios humanos que consigam apagar um fogo florestal. Atingem-se temperaturas de 300/400º e, como se sabe, a água evapora a 100º. O efeito dos maios aéreos é apenas retardar por curto espaço de tempo, dando oportunidade a bombeiros de actuar imediatamente a seguir. O que, só acontece perto das povoações. A floresta continua a arder.
    Podia continuar e devia terminar o arrazoado com a medida salvífica que resolvia o problema, só que isso não existe. Mas acredito que se o Estado subvencionasse quem lá está, proprietários que mantenham no sub-bosque mato abaixo de 50cm, autarquias que promovessem desmatação em áreas estratégicas, pastores que mantivessem rebanhos, custaria bem menos do que o que gastam com meios aéreos. E seria mais eficaz.
    Termino em jeito de anedota: se a ASAE não tivesse estado tão ocupada a fechar queijarias artesanais, talvez o último fogo na Serra da Estrela não tivesse tida tal extensão.

    1. Regar o problema com mais dinheiro é muito mais fácil do que reformular a lógica da coisa. Veja a reacção do leitor Manuel da Rocha, abaixo, como exemplo de alguém que defende a actual situação.

    2. Caro amigo, menciona – e muito bem! – a Protecao Civil. Mas nao sei se concordo totalmente com a ultima frase desse paragrafo.
      Ate agora ainda nao li qualquer reportagem sobre o papel da Protecao Civil e inabilidade dos bombeiros actuarem sem a tal “ordem” da Protecao Civil nos fogos deste verao. Ha uma revolta profunda nas “terrinhas” (expressao emprestada de uma jornalista sofisticada de um desses canais que transmitem noticias 24 horas por dia) com tudo o que se passou. Seria interessante se, apos os “directos” entusiasmados nas tais “terrinhas”, algum jornalista voltasse ao Terrenho, Castaide, Freches, etc. e ouvisse o que as pessoas das “terrinhas” (aquelas que sentiram o fogo na pele) tem a dizer sobre o assunto.
      Seria tambem interessante algum jornalista investigar os processos de nomeacao (tanto a nivel central como/especialmente a nivel local) para a Protecao Civil. Revelaria muito sobre a nossa sociedade…

    3. pastores que mantivessem rebanhos

      No recente grande incêndio chamado “de Arganil” (na verdade, a vila de Arganil não ardeu, e o incêndio percorreu muitos outros concelhos que não somente o de Arganil) arderam muitas terras que normalmente são pastoreadas, e muitas ovelhas morreram queimadas.

      O que significa que os fogos não deixam de existir pelo facto de haver pastores, e que os fogos combatem os rebanhos tão bem como os rebanhos combatem os fogos.

      1. Se as ovelhas estiverem num curral na direcção do vento e suficientemente próximo da orla da floresta a arder morrem asfixiadas. Não quer dizer que o chão que pisam arda. A mesma coisa aconteceria com outros animais ou pessoas. Em Pedrogão em 201t a estrada era alcatroada.

    4. mais de 30º de temperatura, menos de 30% de humidade e mais de 30km/h de velocidade do vento. Preenchidas estas condições, não há meios humanos que consigam apagar um fogo florestal.

      Se isto for verdade, então a existência de grandes fogos é uma consequência inevitável de três condições meteorológicas e de nada mais. O coberto vegetal é essencialmente irrelevante, somente a meteorologia interessa. Rebanhos, a altura do mato, etc, nada disso interessa; só a meteorologia.

      Felizmente, não creio que isso seja verdade.

      1. O senhor tira uma conclusão abusiva e absurda para finalizar a dizer que não acredita que seja verdade.
        Os fogos ocorrem após uma ignição. Propagam-se rapidamente se tiverem combustível fino para os alimentar. As condições meteorológicas são apenas agravantes. Só por si as condições meteorológicas não causam incêndios mas é verdade, que em todos os grandes fogos as condições meteorológicas eram extremas.
        O elemento decisivo é sempre o combustível fino. Sem ele, o fogo apenas pode propagar-se pelas copas gerando uma combustão mais lenta em matéria verde com aeguma humidade, de temperaturas menos elevadas (tal como numa lareira a temperatura máxima é nas brasas) e vulnerável à utilização de meios aéreos.

        1. As condições meteorológicas são apenas agravantes.

          Concordo. Porém, não é isso que a frase citada no meu comentário diz. Segundo essa frase, as condições meteorológicas são determinantes, e não somente agravantes.

          1. Citando:
            “Se isto for verdade, então a existência de grandes fogos é uma consequência inevitável de três condições meteorológicas e de nada mais. O coberto vegetal é essencialmente irrelevante, somente a meteorologia interessa. Rebanhos, a altura do mato, etc, nada disso interessa; só a meteorologia.”
            É absurdo e abusivo (como conclusão).
            O incêndio florestal inicia-se com uma ignição, propaga-se com o coberto vegetal (combustíveis finos) e agrava-se com condições meteorológicas extremas.
            O elemento curial é o combustível fino. Se este existir em quantidade, arde todo o arvoredo, incluindo folhosas e oliveiras. Se não existir não há incêndio. Um incendiário com um isqueiro, depois de alguns minutos ou com fósforos e uma lata de gasolina ou semelhante, conseguirá incendiar uma árvore, oleosa ou resinosa, mas a única propagação possível é pelas copas, extinguindo-se no primeiro aceiro ou estrada ou clareira.

    5. proprietários que mantenham no sub-bosque mato abaixo de 50cm

      Será que os proprietários ganham muito com isso?

      Eu sou proprietário de terrenos arborizados que arderam em 2016. Esses terrenos estavam limpos, praticamente não tinham mato, e o que tinham certamente que era bem menor do que 50 cm. Apesar disso, o mato ardeu o suficiente para matar (devido ao calor libertado) a casca de todas as árvores, as quais tiveram portanto que ser cortadas, com grande prejuízo para mim. Ou seja, eu não ganhei nada em ter limpado os meus terrenos – eles arderam na mesma. Quem terá beneficiado terão sido os vizinhos (próximos e longínquos), uma vez que o incêndio terá certamente perdido algum fulgor nos meus terrenos.

      1. É extraordinário que faça uma boa descrição e não tire boas conclusões. Se o seu incêndio tivesse sido provocado em Janeiro, as cascas não teriam morrido. Se os seus vizinhos também limpassem o mato, mais dificilmente o fogo teria atingido a sua floresta.
        Com baixas velocidades de propagação (a não ser que houvesse um vento fortíssimo à superfície do solo o que é muito difícil de acontecer em áreas florestais) com relativamente baixas temperaturas (pois a matéria lenhosa dos troncos não chegou a arder) qualquer apoio de bombeiros ou mesmo de aldeões poderia ter apagado o incêndio.
        Em zonas desabitadas e de difícil acesso, o mais eficaz seriam mesmo os fogos controlados, ateados em Janeiro ou Fevereiro como as antigos aldeões sabiam fazer e hoje duvido que a Protecção Civil e os Bombeiros saibam.
        Há já longas séries estatísticas disponíveis em vários organismos e no Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia que mostram bem que, em ciclos de 8/12 anos as áreas totais ardidas têm-se mantido mais ou menos estáveis. O que mudou foi o padrão do fogo. De mais fogos de menor dimensão tem-se evoluído para menos fogos de maior dimensão.
        Com a tendência para períodos mais prolongados de altas temperaturas na Primavera e Verão, com a política estulta de tentar evitar ignições (5% das ignições são responsáveis por 90% da área ardida, logo reduzir as ignições pode reduzir o número de incêndios, como tem acontecido em períodos alargados nas não afecta a área total ardida). Com o “complexo de Pedrogão” que leva a concentrar todos os meios para protecção de pessoas e bens deixando a floresta a arder livremente, este padrão não só se vai manter como se vai agravar.

        1. É extraordinário que faça uma boa descrição e não tire boas conclusões.

          Não vejo em que é que a minha conclusão (“não ganhei nada em ter limpado os meus terrenos – eles arderam na mesma”) seja incorreta.

  4. A minha opinião é que a alta prevalência do serviço voluntário nos bombeiros portugueses, um dos mais altos da Europa, é parte do problema e não solução. Cada associação de BV, entidades privadas, é gerida consoante os recursos e interesses locais, gerando grandes desigualdades entre corporações, tanto em meios como competência.

    Em muitas sobram certamente bons princípios da solidariedade, faltará muitas competências, seja por escassez de recursos, tanto materiais como humanos, ou capacidade de gestão/conhecimento. Noticias com palavras chave como “colapso financeiro”, “dividas avultadas”, “à beira da falência” são comuns.

    O sistema de proteção civil nacional, especialmente o dispositivo de combate a incendios, precisa de uma reforma profunda, criação de equipas profissionais especializadas com carreiras e hierarquias bem definidas, meios e infraestuturas apropriados onde eles são mais necessários e independentes dos poderes locais, gestão e financiamento central. Essa necessidade de reforma foi vincada após os incendios de 20217, apontada como prioritária e assente em 3 grandes princípios: prevenção e combate, a profissionalização e capacitação e a especialização.

    Mas basicamente quase nada foi feito, a não ser carregar os proprietários rurais com mais obrigações e custos, porque, como em quase tudo em Portugal, afronta diversos interesses instalados e qualquer reforma séria levantará oposição e contestação. Não se pode tocar nas vacas sagradas.

    1. Concordo na generalidade. As obrigações remetidas para os proprietários não são mais do que sacudir a água do capote. Quem o fez sabia bem que uma área muito significativa do país não tem dono identificado.

      1. Quem o fez sabia bem que uma área muito significativa do país não tem dono identificado.

        Em certos casos, mais vale, de facto, o dono permanecer incógnito.

        Por exemplo, eu tenho um eucaliptal com somente duas carreiras de árvores ao longo da parede de uma antiga fábrica, agora abandonada. Legalmente, sou obrigado a manter esse terreno limpo. Ainda mais, quando os atuais eucaliptos morrerem, eu não serei autorizado a plantar qualquer árvore naquele terreno, o qual será para mim (ou para o futuro proprietário) somente fonte de despesa.

        Solução – evitar que o Estado saiba que sou eu o dono desse terreno.

  5. A sua DESINFORMAÇÃO é tanta, que assusta… se calhar, até podia tirar 2 horas, na altura do Outono, para ir aí ao quartel, perguntar essas coisas, em vez de confiar nos 9000000000000000000000000000000000 de perfis online, que criam a resposta e saber, aquilo que pergunta e diz não saber (não sabe ou não lhe dá jeito dizer que sabe?).
    Ora bem, o plano municipal de protecção civil, define, o mínimo de bombeiros, ambulâncias e, tipos de, carros de bombeiros, que devem estar em cada área (já agora, antes que diga que é possível haver 800 milhões de hectares, numa só área, como disse o seu supremo líder), são áreas, definidas, com base na propensão a incêndios. Numa cidade, podem ser 1500 prédios, por quartel, num distrito, do interior, podem ser 20 quartéis, de bombeiros, por área abrangente.) Depois há outras diferenças: por exemplo, 75% dos carros, urbanos, não servem para combater incêndios rurais, daí 66%, dos bombeiros, das cidades, não poderem ajudar. Já tem sido adquiridas viaturas que permitem combater ambos, para dar suporte, no Verão, aos, habituais, incêndios rurais.
    Com base nessas reservas, o comandante nacional, da protecção civil, recebe pedidos, dos locais afectados, feitos pelos líderes locais (presidentes de câmaras municipais, até ao momento que um capitão, da protecção civil nacional chegue ao teatro, assumindo o comando, do combate, passando a ser ele a pedir meio, quer seja carros, bombeiros, polícia ou aéreos). É assim que se dividem os grupos de reforço. Também, ao contrário do que afirma o seu supremo líder, há logística, em cada quartel, para suportar os reforços. Infelizmente, o combate é variável e imprevisível. Com frentes de 52km (como foi o caso de Arganil), a movimentação é complicada, entre a equipa de serviço e as reservas. Várias vezes, o turno, de 8 horas, passa para 12, permitindo a troca, para descanso, do pessoal. Quando há 19 grandes teatros, são 19 comandos, a exigir reforços… fora os 128 outros incêndios, que as reservas, tentam debelar.
    Saberá você que esse bombeiros, não vão só combater incêndios? É que, a sua suposição 500000% que só combatem incêndios, é bem para lá de IGNORÂNCIA!!!
    Se você for a 250kmh, se despistar, acha que são os médicos, que o vão salvar? Pelo que diz, está 500000% certo que assim é.

    1. Lamento imensamente ter beliscado na unânime precepção de que o que temos está óptimo e é impossível melhorar. E, reconheço, não se pode criticar os bombeiros.

  6. Quem trabalha mais deve ganhar mais. Se os bombeiros apagam mais fogos é porque tem mais trabalho, então devem ganhar mais. Já basta de politiqueiros e paineleiros de televisão arrotarem postas de pescada a troco de uma pipa de notas as custas do trabalho de quem trabalha com suor esforço e dedicação.

  7. Nota prévia – Estive a ver o “debate de urgência com o Primeiro-Ministro”,
    na Assembleia da República, sobre os incêndios, realizado a pedido do CHEGA!.
    Falaram o Luís Montenegro e um/a deputado/a por partido. O André Ventura
    foi o que falou melhor. A Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral,
    também lá esteve, mas não falou. Deu, ontem, na ARTV (CANAL PARLAMENTO) e na R. T. P. – 3. Foi entre as 15 horas e as 16 horas e 30 minutos. Interessante.
    Recomendo a visualização. O CHEGA! vai pedir uma “comissão parlamentar
    de inquérito” aos incêndios em Portugal. Deve ser em Setembro ou em Outubro.
    Antes das eleições autárquicas…

    Caro Paulo Sousa…

    Tem toda a razão.

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

    JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

      1. Foi publicada e reproduzida num blog um mapa com a localização dos principais incêndios na Península Ibérica obtido por sobreposiçao de fotografias de satélite.
        A conclusão foi que as condições meteorológicas afectaram especialmente o Noroeste peninsular e pouparam o Sul.
        Com o que ardeu este anos e precisando a natureza de 8/12 anos para repor a carga de combustível fino, os governos dos próximos anos vão-se gabar de serem muito eficientes. Os jornais de referência, Expresso e Público, vão titular “Como o aumento de 25% nos pagamentos aos bombeiros voluntários, diminuiu a área ardida em Portugal. E, estou certo, muito poucos se irão rir.

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