A mulher de César


Carlos Barbosa de Oliveira,

O Provedor de Justiça está de baixa médica. Recordo que há pouco mais de uma semana anunciou que se a sua substituição não se concretizasse, até final do mês, abandonaria o cargo.

Sem colocar em causa a doença de Nascimento Rodrigues, não é possível deixar de estabelecer uma relação entre as suas palavras e a doença que o vitimou na data em que ele anunciara  abandonar o cargo.

Nascimento Rodrigues deu uma entrevista acusando o PS de querer ocupar todos os cargos públicos. Na altura não me quis pronunciar sobre o assunto, embora intimamente tivesse criticado a sua postura, por duas razões: como se veio a verificar o PS até pretendia nomear Jorge Miranda, que não se move na esfera socialista, e o Provedor de Justiça deveria respeitar silêncio sobre esta matéria.

 Aliás, não me impressiona muito que os partidos pretendam ocupar os altos cargos da Administração Pública com militantes seus, o que me preocupa é que algumas dessas pessoas – por incompetência ou incapacidade técnica para ocupar determinados lugares – prejudiquem cidadãos através de medidas de carácter administrativo e processual, obrigando-os a recorrer ao Provedor de Justiça, na tentativa de minimizar os danos. É a essas situações que o Provedor de Justiça deve estar atento, é essa a sua função.

Nascimento Rodrigues tem toda a razão para se indignar com a incapacidade demonstrada pelos partidos do Centrão em chegarem a acordo e nomearem outra pessoa para o cargo. Devia, porém, abster-se de tecer comentários acusando um partido e protegendo o seu. Não se pode exigir ao Provedor de Justiça que esteja sempre são como um pêro, mas deve-se reclamar uma postura de  equidistância e neutralidade.

Conclusão: a doença de Nascimento Rodrigues não fica bem na… radiografia ético-política do país.

7 comentários em “A mulher de César”

    1. Já pensou na hipótese de, por exemplo, ele ter uma bateria de análises complicadas (daquelas que envolvem internamento) marcado para dias 1 de Abril e seguintes ?
      É que parece que o Dr. NR está mesmo doente, digo isto apenas pelo que vem nos jornais e pelas fotografias recentes.

      1. Pois eu não coloco isso em causa, refiro-me mesmo ao estado da Justiça em Portugal,os episódios que retratam uma doença grave são demasiados, mas já que toca no assunto quem disse há dez dias que ia deixar a provedoria no fnal do mês foi NR e não o Carlos ou eu.
        abr

        1. Tiraste-me as palavras da boca ( ou melhor… do teclado), Pedro, pois era isso mesmo que ia responder ao 100 anos. Aliás, escrevo no post ” Sem colcar em causa a doença de Nascimento Rodrigues…” precisamente para que as pessoas percebessem que não ponho em dúvida. O problema é que, sabendo antecipadamente que iria realizar esses exames, não deveria ter estabelecido uma conotação da sua saída com a falte de entendimento entre Ps e PSD. Mais nada…

          1. Concordo que teria sido mais saudável NR não ter associado questões políticas a eventuais baixas médicas.
            Nesse aspecto foi sem dúvida infeliz.
            Admito, porém, que face ao seu aparente mau estado de saúde, a falta de lucidez deve ser lida com alguma compreensão.
            Em contrapartida, compreensão nenhuma merecem os fulanos que fazem da questão do Provedor uma pura questão de chicana política – o inefável e irrespirável bloco central de interesses, em todo o seu esplendor.

  1. Será que os fiscais já foram (irão) confirmar in loco a doença, como acontece com o comum empregado de baixa?

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