A negação do jornalismo


José Gomes André,

Não gosto do estilo (nem da substância, na maioria dos casos), mas Pacheco Pereira tem razão numa coisa: o jornalismo que se pratica em Portugal baseia-se cada vez mais na insinuação, na opinião subjectiva, na notícia mal fundamentada, nas generalizações apressadas. Vejam este texto, da autoria de Margarida Gomes, sobre a composição das listas do PSD para Lisboa. A notícia, que dá conta dos nomes escolhidos e das alterações relativamente ao passado, termina com esta atoarda: "Uma fonte do PSD disse ao PÚBLICO que […] existe um enorme descontentamento pelas escolhas da distrital para a lista de candidatados a deputados."

Mas que diabo de informação é esta? Há uma pessoa que diz que existe descontentamento com as escolhas. Porquê? Porque os nomes são maus? Porque faltam certas figuras que têm apoio no PSD? Porque há renovação a mais? Porque há renovação a menos? Por causa do ordenamento dos lugares? Porque a referida fonte ficou de fora? Não sabemos. A única coisa que sabemos é que um anónimo diz que há algumas pessoas (muitas? poucas? duas?) que não estão contentes. Isto, meus amigos, nada tem a ver com jornalismo, mas com um mero boato. Ou nem sequer isso, se calhar.

5 comentários em “A negação do jornalismo”

  1. Caro José:
    Sabe sob que cobertura se escrevem essas e outras pérrolas, não sabe? relembro – protecção das fontes. Necessária, sim. Mas também há algum abuso dessa figura.

    1. Falar de “protecção das fontes” a propósito de uma coisa destas é desconhecer de todo o que seja jornalismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *