Na sondagem presente nesta página e que infra analisei, os entrevistados foram convidados a escolher entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite em sete categorias.
A categoria que mais me fez reflectir foi a que diz respeito à arrogância. Previsivelmente Sócrates bateu aos pontos a líder do PSD. O Expresso assume esta categoria como negativa, na análise que faz ao inquérito, o que me suscitou uma interrogação: será que queremos líderes moles, consensuais e sempre sorridentes? Quantos líderes com este perfil ficaram para a história por bons motivos? Não será a arrogância algo inerente a uma liderança de pulso firme, auto-confiante e tendencialmente inabalável, que se quer para um País que precisa como de pão para a boca de um Governo reformista, ainda para mais em tempo de crise? Não será que o principal problema de António Guterres (entre outros) foi o facto de ser excessivamente secular, sendo sabido que isso leva com maior facilidade ao desrespeito?
Creio que também neste ponto, algo polémico, Sócrates brilha nos resultados expressos.
Submeto-me às Vossas críticas!

Caro André, o seu post é cristalino e o que está em causa é claro e, na minha modesta opinião, não sofre contestação. Sendo assim, agradeço-lhe ter-se submetido à crítica, mas da minha parte não espere críticas.
De qualquer forma muito obrigado, Mike!
Um abraço!
Bem, tenho de reconhecer que aqui melhoraste! Até digo mais: se a tua análise fosse uma abstracção, quase me deixava levar. Só que não leva em conta um pormenor: a experiência já cá canta vai para quatro anos.
Quase me convencias. Sócrates nem precisa de briilha nos resultados: ele é o Sol. Quase me convencias, a sério. Os últimos quatro anos é que são o diabo! Hehehe…
Ah! Já me esquecia: a História está cheia de líderes que não eram moles, obviamente, mas que não eram arrogantes; apenas pareciam consensuais e eram sorridentes.
Quase te convencer no que diz respeito ao Sócrates deixa-me nos píncaros! É como ter 100% num teste, era impossível ambicionar mais…
Os últimos 4 anos são mel, o problema foram os anteriores!
Isso, isso… Hehe…
Firmeza não tem de ser arrogância.
Pois não, mas pode ser e por vezes é inevitável, acima de tudo quando surge o desgaste do tempo.
O tempo serve também para aferir quem se aguenta firme, sem arrogância.
A mim interessa-me o bom trabalho, os resultados e a firme resistência. A arrogância é como a cereja num bolo: nunca a como.
Aquele senhor de bigodinho, que o Charlot tentou caricaturar (mas quem foi o senhor de bigodinho? quem foi Charlot?), também pensava assim.
E chegou “lá” igualmente pelos votos, calcule-se!
Pois, não sei se são os “contentinhos” com a arrogância e, acrescento eu, prepotência do PM, os mesmos que se indignavam com a arrogância do então PM Cavaco. Seria pedagógico recordar o que diziam os socialistas na altura. E, porque não, o autor do post também?
O autor deste post tinha 3 anos quando o Professor tomou posse, e 13 quando terminou o mandato, pelo que, ao tempo, não dizia muita coisa…
Ele é irritantemente arrogante na retórica, na forma como trata os deputados (representantes de quem os elegeu), na forma como se dirige a todos aqueles que lhe fazem perguntas incómodas (apelidando-as como insultos e nunca respondendo), optando sempre pela fuga ou respigando com outras coisas que em nada têm a ver com as perguntas feitas.
Cavaco Silva também era apelidado de arrogante, mas pelo o que fazia e nem por isso pelo o que dizia ou não dizia (o famoso tabu).
É preciso ser um bocadinho mais competente para ser arrogante sem tanta visibilidade.