A pergunta que ainda ninguém fez


Pedro Correia,

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Durante este par de meses, ouvimos vezes sem conta aludir ao Presidente da República como “comandante supremo das “forças armadas”. Acontece que até ao momento nenhum jornalista, tanto quanto sei, indagou junto de todos os candidatos presidenciais civis (Henrique Gouveia e Melo fica excluído por motivos óbvios) que experiência militar ostentam nos seus currículos.

É pergunta simples, básica, mas que tarda a ser feita. O que diz muito sobre o jornalismo que se pratica hoje em Portugal.

42 comentários em “A pergunta que ainda ninguém fez”

  1. Pois é Pedro Correia.
    Se a memória não me trai, também o actual presidente, que não fez tropa, nunca fez nenhuma visita oficial na sua qualidade de Comandante Supremo a nenhum quartel, base naval ou aérea, para lá de algumas “cerimónias” protocolares.

    1. A questão, desde logo, relaciona-se com a demissão do jornalismo.
      O jornalista tem um dever imperativo: fazer perguntas.
      Infelizmente, muitas perguntas – por vezes as mais simples, como estas – ficam por fazer

  2. Boa pergunta.

    O actual Presidente da República (Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa)
    nunca cumpriu o, então, Serviço Militar Obrigatório, tendo sido dispensado.
    Se tivesse ido para a “tropa”, provavelmente seria colocado em Lisboa,
    num quartel perto da casa do pai (Baltazar Rebelo de Sousa), Ministro
    do Ultramar… Nessa época, Portugal estava em guerra em Angola, na Guiné
    e em Moçambique. Entre 1961 e 1974, morreram milhares de militares
    Portugueses… Os seus nomes e postos estão num monumento em Lisboa.

    Outro que também não foi à “tropa” foi o Paulo Portas. Mais novo do que
    o Marcelo, se tivesse ido, já não apanhava a tripartida Guerra do Ultramar.
    Foi Ministro da Defesa. Eh! Eh! Eh!

    Já agora, o Nuno Melo, actual Ministro da Defesa, foi à “tropa”?

    O Serviço Militar Obrigatório é coisa do passado e ainda bem.
    Actualmente, as Forças Armadas estão profissionalizadas
    e são mistas. As pessoas que vão para a “tropa” são, normalmente,
    pessoas com vocação para a vida militar. Uma vida só para quem gosta.

    Em princípio, Portugal não vai ser invadido pela “Espanha”, os E. U. A.
    não vão fazer aos Açores o que o Trump parece querer fazer com
    a Gronelândia (pertença da Dinamarca, mas região autónoma)
    e Marrocos só invade Portugal em pequenas doses e de curta
    permanência. Assim sendo, um emprego na “tropa” pode ser apenas
    mais um emprego. Para quem sonha participar numa guerra, indo
    para a “tropa portuguesa”, a referida será uma desilusão. Quando
    muito, poderá voluntariar-se para uma “missão de paz” num país
    africano, como tem acontecido. Recomendo que façam o curso
    dos Comandos, antes de irem.

    Em relação aos candidatos e à candidata a Presidente da República,
    acho que só o Henrique Gouveia e Melo foi militar.
    Posso estar enganado, claro. Alguns, devido à idade que têm, são
    contemporâneos do Serviço Militar Obrigatório, mas não sei se foram.

    Terem sido ou não militares, é um assunto com alguma pertinência
    para o debate com a candidata e os candidatos a “supremo comandante”
    das Forças Armadas Portuguesas, que vai dar na R. T. P. 1 e na R. T. P. notícias_,
    em simultâneo, em “sinal aberto” (uma parvoíce: deviam transmitir só num canal),
    às 22 horas de hoje (repete de madrugada, na R. T. P. notícias_).

    P. S.: O meu voto vai para o que for colocar a bandeira portuguesa no castelo
    da alentejana Olivença e colocar um vídeo nas “redes sociais”. Olivença é nossa!

    João Barros da Costa

  3. A lógica da democracia é precisamente o Controlo Civil. Se pusermos lá um militar só por ser militar, daqui a nada temos as Forças Armadas a funcionar como um “Estado dentro do Estado”, com orçamento próprio para croquetes e autonomia para invadir a pastelaria vizinha.

    O Presidente não é o General Patton. Ele está entalado entre o Governo (que tem o dinheiro) e o Parlamento (que faz as leis).

    Para saber se as botas estão engraxadas ou se o míssil tem pilhas, o Presidente tem a Casa Militar e os Chefes de Estado-Maior. Ele não precisa de saber montar uma tenda no mato; ele precisa de saber se mandar tropas para a Roménia nos protege ou se é só para o pessoal tirar selfies giras para o Instagram da NATO.

    Exigir currículo militar a um candidato a Belém é o mesmo que exigir que um ginecologista tenha útero. Pode dar uma perspetiva diferente, mas o que se quer é que ele conheça a anatomia do problema.

    Em Portugal, o Presidente é o tipo que garante que ninguém rasga a Constituição. Se querem alguém que saiba marchar e bater pala, comprem um boneco de chumbo ou vão ver a rendição da guarda. Belém não é um quartel, é o sítio onde se garante que o país não vira uma coutada de fardados com excesso de tempo livre.

    1. Há opiniões engraçadas, se pensarmos que na vizinha Espanha a futura rainha tem de servir em todos os ramos militares…há algo de errado que não está certo…

  4. Ser comandante supremo das forças armadas não é um cargo militar. Seria interessante saber o que os candidatos pensam sobre esse aspeto do cargo. Já a experiência militar é completamente irrelevante. Nenhum dos candidatos, inclusive Gouveia e Melo, combateu numa guerra. Os mais novos e Catarina Martins (por ser mulher) nem sequer são do tempo do serviço militar obrigatório.

    1. Ter experiência no campo militar, para um comandante supremo, é “completamente irrelevante”? Pois eu penso exactamente ao contrário. É um aspecto a ter em conta, ainda por cima num momento em que o mundo está cada vez mais perigoso e uma guerra global se desenha no horizonte.

      Mas sim, acredito que alguns candidatos não saibam distinguir uma chaimite duma berliet e uma mauser duma G3. O que só reforça, não anula, o meu argumento.
      E torna ainda mais imperativa a pergunta que continua por fazer.

      1. É, sem sombra de dúvida, uma questão a reconsiderar, o Presidente ser também “Comandante Supremo das Forças Armadas” – resquício, aliás já serôdio aquando da elaboração da nossa Constituição, de um mundo em que uma mulher ou um objector de consciência não eram “plausíveis” como Presidentes da República.

        Mas, como bem aponta, o panorama mundial está a tornar-se muito rapidamente mais perigoso, e a segurança não se compadece com cargos simbólicos e rodriguinhos que tais. Não é preciso ser belicista para reconhecer a importância de os políticos em lugares de decisão sobre defesa nacional terem acerca desta conhecimentos que lhes permitam, pelo menos, distinguir os bons dos maus conselheiros na matéria.

      2. Está completamente desatulizado.
        Já não se utilizam nem G3, nem Mausers, nem Chaimtes, nem Berliets.
        O seu conhecimento da tropa já não serve para nada.

  5. E que dizer do painel que jornalistas (a nata da classe…) que, no debate da rádio, perguntou aos candidatos à PR “pertence à maçonaria ou a outra associação discreta”, e não “pertence, ou alguma vez pertenceu, à maçonaria ou a outra associação discreta”? Ou não faziam essa pergunta, ou faziam-na em condições de não permitir uma resposta falaciosa.

      1. Caro Pedro, e qual será a relevância das respostas às perguntas relativas à Maçonaria para o exercício do cargo de Presidente da República? Do meu ponto de vista, não têm qualquer relevância, a não ser que, por preconceito e desconhecimento factual, se considere a Maçonaria como um bando de malfeitores, como uma entidade à margem da Lei…

        E qual será a relevância de ter ou não experiência militar no desempenho do cargo de Presidente da República? Ser Comandante Supremo das Forças Armadas implica ter experiência militar? Do meu ponto de vista, não implica, nem poderia implicar. O cumprimento do serviço militar deixou de ser obrigatório desde 2004, pelo que a maioria dos cidadãos não tem sequer experiência militar. Ser militar/ter experiência militar é uma acto voluntário e não pode servir para excluir candidaturas de cidadãos ao cargo de Presidente da República. Trata-se de uma hierarquia de poderes constitucionais, inerente às atribuições dos órgãos de soberania, que coloca, e bem, as Forças Armadas na dependência hierárquica do Presidente da República. Apenas isso.

        1. Tenho toda a curiosidade em saber, Paula.
          Antes de votar, não depois.
          Mas só saberei se alguém lhes perguntar.

          Como nos dizem milhares de vezes que o PR é “comandante supremo das Forças Armadas”, justifica-se a curiosidade de saber que experiência cada um dos candidatos tem nesta matéria. Se algum deles, por exemplo, frequentou o curso de auditores de Defesa Nacional* ou se adquiriu alguma experiência ligada a tecnologia ligada à área.
          A Defesa tem hoje múltiplas vertentes, até no domínio empresarial. Mais ainda tratando-se do “Comandante Supremo”, como tantas vozes tanto gostam de apregoar.
          Conhecimento zero é que não. Abaixo de zero, pior ainda.

          * https://www.idn.gov.pt/pt/formacao/catalogo/cdn

          1. “A curiosidade matou o gato”… Sim, Pedro, não resisti…

            Agora, mais a sério: Concordo com o que o Pedro refere relativamente ao eventual “conhecimento zero”, mas mantenho a convicção de que a “experiência militar”, ostentada ou não nos currículos dos candidatos a PR, não deve ser vista como um critério válido para julgar acerca da qualidade dos mesmos, pelos motivos que já apontei no primeiro comentário…

            1. Paula, considerando que o PR tem apenas poderes residuais em duas áreas executivas específicas (Defesa e Política Externa), tendo até o pesado encargo constitucional de declarar guerra, é natural – indispensável mesmo – que possua conhecimentos acima da média nestas duas áreas, até para não assinar de cruz os primeiros bitaites que lhe forem sussurrados por ministros e generais.
              Num tempo de insegurança global, em que todos os dias se registam novas e preocupantes etapas rumo a um conflito que pode ser de larga escala (hoje no Canadá a imprensa já sugere a reintrodução do serviço militar obrigatório), espero e exijo do Chefe do Estado esses conhecimentos.

              Não sendo assim, deixemos então de chamar-lhe “supremo comandante” e retiremos-lhe até esses tais poderes. Bastar-lhe-á uma bonita tesoura para cortar fitas. E um telelé para “selfies”.

            2. Num efectivo Estado de Direito, “declarar guerra” nunca poderá ser visto como um acto unipessoal, ainda que compita formalmente ao PR essa decisão. Existirão, com certeza, muitos procedimentos prévios a uma decisão dessa natureza e que, expectavelmente, passarão por ouvir as mais variadas entidades, entre chefias militares e elementos da sociedade civil. Portanto, mesmo numa situação de extrema gravidade, o PR não tomará sozinho a decisão de “declarar guerra”… E mesmo que não tenha conhecimentos militares “acima da média” não será por isso que a guerra deixará de ser declarada, se assim se justificar. Não creio que os conhecimentos militares acima da média que o PR possa ter sejam determinantes numa situação como “declarar guerra” ou optar por não o fazer.

              Quero acreditar que nenhum PR, sensato e ponderado, plenamente consciente das suas funções e dos interesses dos seus concidadãos, aceitará ou enveredará por “assinar de cruz os primeiros bitaites que lhe forem sussurrados por ministros e generais”… Portanto, e mais uma vez, não creio que os eventuais conhecimentos militares “acima da média” possam substituir o imprescindível bom senso. Como na maior parte dos aspectos da vida, o bom senso também é determinante no desempenho da função de PR. Não pode deixar de existir equilíbrio entre pensar por si próprio e saber ouvir os outros.

  6. Tirando o Gouveia e Melo, o resto dos candidatos foram dados inaptos para o serviço militar. Basta olhar para cara deles para perceber que têm tudo pé chato.

      1. “Não é verdade” porque, presumo, têm tudo chato.
        Se for assim, eu concordo.
        Estes candidatos são tão sensaborões que estou tentado a votar em algum dos “rejeitados”.
        Aliás, acho que eles foram lá deixados para que possamos aliviar a nossa indefinição, são assim com que a “bala de prata”: não mata e alivia a consciência do constituinte do pelotão de fuzilamento.
        Está decidido, voto num desses…

        1. Se você não encontra ninguém aproveitável em 11 candidatos validados pelo Tribunal Constitucional, tem sempre a hipótese de “votar” num dos três que foram rejeitados.
          Deve ter sido por isso que mantiveram os nomes deles nos boletins de voto.

  7. Eu gostava de saber como é que Marques Mendes, na sua pequenez, iria passar revista às tropas. Os magalas até se ririam dele.

  8. Estamos assistir ao suicídio de uma profissão.
    Tomada por activistas com interesse num numero ínfimo de actividades humanas. Uma monocultura que tem repugnância por qualquer coisa que tenha haver com engenharia, números…

    Nos EUA uma fraude gigante no Minnesota já fez o antigo vice-presidente candidato de Kamala Harris á Presidência dos EUA, Tim Walz do Partido Democrata – ou seja do Partido da maior parte dos jornalistas- não se recandidatar a Governador, não foi um jornalista foi um youtuber.
    Um jornalista do Politico até fez uma ameaça velada ao Youtuber.

      1. E por causa do MAGA que o Delito ainda não foi perseguido por algumas opiniões. Tivesse ganho a Kamala e as coisas ficariam como no Pre-Totalitarismo Britânico com policias a vos bater á porta por causa dos vossos Delitos de Opinião.

        https://x.com/Glinner/status/2008262469987582437
        A 23-year-old YouTube bro just ended the career of a guy who was almost VP of the United States.

        Noticias censuradas. Vamos imaginar que tinha sido o NYT e tinha sido um governador de estado Republicano e candidato a VP?. Já estaria nas primeiras paginas do “jornalismo” de cá?

        1. Deve ser frustrante ser um fervoroso MAGA, como você, e não morar no Kentucky ou no Utah. Nem ver Portugal “libertado” pelas forças especiais às ordens do alucinado de Mar-a-Lago.

  9. A resposta é a seguinte:
    Quando um cargo é ocupado por quem não sabe desempenhá-lo, então, é porque não se quer que ele seja exercido.
    Quando se quer escolher o caminho da guerra, escolhe-se quem saiba fazê-la.

      1. Sabe perfeitamente que não voto.

        Não autorizo ninguém a ter opiniões nem decidir em meu nome. Por ter a opinião, de que um sistema baseado no voto não é uma solução para governar as sociedades humanas.

        O que quis dizer é que a não capacidade para desempenhar um cargo pode ser uma decisão esclarecida e com um sentido prático (e não um erro, ou um lapso).

        Já agora, na minha opinião, preferia que o cargo fosse desempenhado por quem não percebesse nada de armas e guerras. Porque a salvação de Portugal (como os 883 anos comprovam), como país fraco militarmente, é ficar do lado de quem tem mais força a cada momento em que é ameaçado por uma conjuntura adversa em termo bélicos. Ou seja, nesta conjuntura de 2026, ficar do lado dos EUA.

        Nesse sentido, se votasse, votaria no Chega. Pois é o único que apoia os EUA. Os outros, ou defendem uma «Europa contra os EUA», ou uma posição apenas contra os EUA.

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