A procura da felicidade


Jorge Assunção,

No Economix, Catherine Rampell tem dois posts interessantes sobre a correlação de algumas variáveis com a felicidade. No primeiro dá conta da correlação positiva entre rendimento e felicidade, no segundo remete para esta análise de Richard Florida, onde é identificada uma correlação positiva entre variáveis como o nível de escolaridade, a percentagem de homossexuais e a percentagem de estrangeiros com o grau de felicidade nos estados norte-americanos.

Sendo certo que correlação não significa causalidade – por exemplo, o facto dos estados norte-americanas onde existe maior felicidade terem maior quantidade de estrangeiro pode ser explicado pelos imigrantes procurarem deslocar-se para locais de maior felicidade – alguns dos dados não deixam de ser interessantes.

Sobre o tópico, o ano passado foi divulgado um estudo para o Reino Unido onde era dito que apesar do aumento da riqueza dos agregados familiares do país entre 1987 e a actualidade, os níveis de felicidade eram semelhantes para ambos os períodos. Conclusão: a riqueza não traz felicidade. Será?

Ao mesmo tempo que era divulgado este estudo britânico, Justin Wolfers e Betsey Stevenson divulgavam outro estudo onde chegavam à conclusão que as pessoas mais ricas eram mais felizes que as mais pobres; os países ricos eram mais felizes que os países pobres; e que à medida que um país enriquece, os níveis de felicidade tendem a aumentar [mais sobre o assunto aqui]. Vem isto contrariar aquilo que o estudo britânico sugeria? Sim, o caso britânico não será portanto a regra.

Mais do que isso, veio contestar o paradoxo de Easterling que tem dominado a ciência que estuda a felicidade, pondo em causa a ideia de que o bem estar dentro de uma sociedade, a partir de um determinado nível de rendimento, é motivado apenas pelo status quo e situações de desigualdade na distribuição do rendimento.

Mas o que verdadeiramente me interessa neste momento é: Can blogging make you happier? Parece que sim…

22 comentários em “A procura da felicidade”

  1. Fascinante, Jorge. No entanto, como sabes, os estudos que têm por base apenas as co-relaçõe positivas de variáveis nada dizem àcerca das causas. No caso dos imigrantes, pôes a hipótese, correcta, de estes procurarem zonas de felicidade, mas também se pode dar o caso de ser a felicidade deles (se vieres de um sítio horrível qualquer coisa melhor te dá felicidade) que aumenta a média da zona. A ideia de que o dinheiro traz felicidade parece-me bastante revolucionária. A mim, pelo menos, deixa-me um pouco abalada…

    1. Cristina,

      “se vieres de um sítio horrível qualquer coisa melhor te dá felicidade”

      Faz sentido. Eu particularmente, no caso da imigração, gosto de pensar que esta não só tem correlação, mas é causa para o aumento de bem estar numa dada sociedade.

      “A ideia de que o dinheiro traz felicidade parece-me bastante revolucionária.”

      Não iria tão longe, uma mini-revolução, talvez, mas como diria o Woody Allen, “Money is better than poverty, if only for financial reasons.” 🙂

      Pode ter um peso reduzido, mas confesso que acredito que a relação entre o dinheiro e a felicidade não se fica pela correlação, existirá alguma causalidade envolvida.

      “A mim, pelo menos, deixa-me um pouco abalada…”

      Isso é que não… mas como ‘bloggar’ pelos vistos anima, nada melhor para tentar compensar esse efeito. 😉

  2. Jorge, mais um post muito oportuno e interessante.
    Só posso falar da minha própria experiência, blogar contribuiu para me sentir mais feliz, e talvez por várias das razões apontadas no texto que linkaste, “Can blogging make you happier?”.
    E ainda por uma outra razão: ao rever os textos para os corrigir e melhorar, descobri algumas facetas minhas e padrões mentais que desconhecia, o que me levou a simplificar a minha forma de lidar com a realidade. Sem dúvida que me tornei muito mais descontraída em relação a tudo o que me rodeia.

    1. Ana,

      “ao rever os textos para os corrigir e melhorar, descobri algumas facetas minhas e padrões mentais que desconhecia”

      não me fale em revisão de texto que a deste post foi particularmente penosa – quer porque acabei por cortar boa parte do que queria dizer, quer porque continuo insatisfeito com a sua forma final. Por vezes gostava de poder tratar estes temas em tópicos.

      1. Sim, Jorge, mas depois não resultava tão bem em linguagem de blogue que, a meu ver, é a da comunicação. Acho que és um óptimo comunicador.
        A propósito de comunicar de forma agradável, há até um post muito interessante no “Jardim de Micróbios”. Já leste?

        1. “Acho que és um óptimo comunicador.”

          Não é preciso exagerar Ana. 😉
          Can blogging make you happier? Na parte que me toca, obviamente que sim, basta ter conhecido a Ana neste mundo virtual.

          “A propósito de comunicar de forma agradável, há até um post muito interessante no “Jardim de Micróbios”. Já leste?”

          Bem, eu diria que todos os posts do “Jardim de Micróbios” costumam ser muito interessantes, mas achei o do “The Fountainhead” particularmente interessante. Era esse?

          1. Jorge, em relação ao teu amável cumprimento, que me deixou muito “happy”, a minha resposta é a line do Pierce Brosnan no “Mamma Mia!”: “My sentiments exactly!”
            O post no “Jardim de Micróbios” era “Um dia, o jornalismo de referência português publicará…” que, a meu ver, também se aplica à blogosfera.
            Quanto ao sentido de humor masculino, concordo que está bem afinadinho, e aí também posso referir um outro post, do mesmo blogue: “Crónica de viagem: Santa Apolónia – Vila Nova da Barquinha (e regresso)”. Será que uma mulher, perante estas provações, revelaria este sentido de humor? “I wonder”…

            1. “My sentiments exactly!”

              🙂

              “O post no “Jardim de Micróbios” era “Um dia, o jornalismo de referência português publicará…” que, a meu ver, também se aplica à blogosfera.”

              Devia ter percebido, mesmo porque é referente às diferentes formas de comunicar. Mas, segundo percebo, achas que a blogosfera portuguesa é cinzenta quando comparada com, por exemplo, a americana? Isso agora deu-me ideia para um post.

              “Quanto ao sentido de humor masculino, concordo que está bem afinadinho”

              Eu também só estava a provocar… 😉

            2. “… achas que a blogosfera portuguesa é cinzenta quando comparada com, por exemplo, a americana?”
              Não, pelo que já vi, a blogosfera portuguesa de que eu gosto e que está em franca expansão (felizmente), não é nada cinzenta.
              Comparativamente à americana, não tenho dados suficientes porque não tenho viajado por lá. Suponho é que são diversas, pela especificidade cultural e linguística.
              A nossa blogosfera tem imensas potencialidades. E há uma irreverência saudável a querer emergir.
              É também provável, Jorge, que se note, nas novas gerações sobretudo, a influência de uma cultura mais global e não específica portuguesa. Essa síntese cultural parece-me muito criativa e interessante.
              Estou muito confiante: isto promete…

      1. “Mas qual será a razão para os irlandeses estarem tão eufóricos?”

        Ficando-me pela situação económica, à data em que os dados foram recolhidos talvez tivessem motivo para isso. Afinal, eram o modelo económico a copiar, o tigre celta imparável… dúvido que os números hoje sejam tão risonhos. Mas a mim o que me deixou curioso foi verificar que, pelo menos na maior parte dos países que consultei, incluindo Portugal, as mulheres nas respostas aparentam ser menos felizes que os homens.

  3. E a mim este post deixou-me feliz. Por outras palavras, gostei muito, achei-o muito interessante. Apesar de ser cada vez mais evidente que com números é possível demonstrar tudo e o seu contrário…

    1. “Apesar de ser cada vez mais evidente que com números é possível demonstrar tudo e o seu contrário…”

      De certa forma concordo e, também por isso, será sempre impossível traduzir a felicidade de um indivíduo ou de um povo num número.

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