A raça do cão


Maria Dulce Fernandes,

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Não deixei de ser uma pessoa interessada em boa literatura e bons filmes, mas muito se tem passado que obrigou à reestruturação do quotidiano. 

Ainda sou do tempo em que via, apreciava, analisava e discutia todos os filmes candidatos aos Óscares. Depois fui-lhes perdendo o gosto à medida em que as cerimónias se degradavam ao culto do políticamente correcto e do socialmente perfeito.

Ninguém estava ali para ser justo. Apenas vingativo e rancoroso.

Os prémios do ano passado foram uma anedota. Não eram intragáveis, apenas não premiaram a excelência, apenas a raça, a cor e o género.

Este ano calhou ver  “The Power of the Dog”.

Excelentes desempenhos. Prodigiosa realização.

Não sei se irei ver a cerimónia e aturar o secante bla bla bla, mas espero que ganhem o Benedict Cumberbatch e a Jane Campion.

Menção honrosa para CODA.

Menção honrosa para Guillermo del Toro, cujo Nightmare Alley está de algum modo nomeado para melhor filme (Don’t Look Up também está), mas ele não obteve qualquer nomeação. 

Agora é apostar, porque no nosso íntimo sabemos que quem vai ganhar, nem é quem pode ganhar, muito menos quem deveria mesmo ganhar.

Perde a 7.ª Arte e perdemos todos um pouco também. 

18 comentários em “A raça do cão”

  1. Don’t Look Up quase me passava ao lado. Foi-me recomendado, vi com reservas, e fiquei extasiado. Para mim o obvio vencedor. mas como diz, os premios às vezes são uma anedota.

    1. Gostei imenso do Don’t look Up. Idiota, moderno, frívolo, estúpido, negacionista, em suma, uma delícia de filme. Não é filme para Óscar, mas ficará sem dúvida na história do cinema como o retrato mais fiel do século 21, Vasco.

  2. Quanto Guillermo del Toro, estámos conversados. Para mim, acima só Tim Burton e Quentin Tarantino (ordem irrelevante).

  3. Ando há que tempos para ver The Power of the Dog, mas não encontro o serão certo.
    Entretanto gostei muito do Against the Ice, um conto de sobrevivência e resiliência contra as forças da Natureza.
    Mas está coisa de ver bons filmes na televisão entristece-me um bocado…

      1. Sim, as pipocas são de facto um problema, Maria Dulce. E agora existem poucos cinemas sem essa praga. Mas não há nada como ver um filme num ecrã mesmo graaande… Sobretudo quando fotografia é magnífica e a luz maravilhosa, como no caso do Against the Ice (gravado na Gronelândia e na Islândia). Uma parte de mim fica triste por saber que poderia ter uma experiência muito mais envolvente num cinema. Mas não.

        1. Há muito tempo, numa galáxia muito distante, a 4a feira era dia de deixar as filhas com a avó, ir jantar fora e ir ao cinema.
          Depois entrámos na era do VHS e nada foi igual Susana. Só vou ao cinema se a minha grande tv não fizer jus às capacidades do filme.
          Este mês, eu e o meu sobrinho de 25 anos fomos ver o The Batman em IMAX. Pasmo como a rapaziada nova está a regressar ao convívio dos ícones da minha juventude, mas sinto-me muito contente por confiarem no meu bom gosto e conhecimento

          1. Eu e o meu marido chegávamos a ir três vezes por semana ao cinema. Eram os tempos do King e do Quarteto. E dos ciclos do Cine 222. Nessa altura recusava-me a ver um filme na televisão.
            Depois vieram os filhos e nada mais foi igual! 😉 Mesmo que conseguíssemos babysitter a espontaneidade perdia-se. Era muito trabalho para ver um filme mediano… E às tantas rendemo-nos ao pequeno ecrã. Mas não sem nostalgia…

            Que amoroso ir ver um Batman com o sobrinho! Eu não sou fã de filmes de super-heróis, mas aposto que daqui a uns anos vou gramar com eles… Bom fim de semana!
            🙂

            1. Eu “cresci” com a BD. Toda a BD. A Marvel, a DC, Disney, o meu amado Corto, o Asterix o Blueberry… a Marvel e a DC eram de mais fácil acesso mesadamente falando. Li tudo o que era herói de fio a pavio. Estes filmes ajudam-me a reviver a minha mocidade. Estou em todos.

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