A reboque


Ana Vidal,

 

Já disse aqui o que penso desta coisa que apareceu este ano, chamada Projecto Amália Hoje. Não vou repetir-me. Mas hoje vi os meninos do "projecto" em palco – nos Globos de Ouro da SIC – cheios de uma importância que nunca terão, embandeirando em arco numa homenagem à sua musa. Ou, mais exactamente, àquela que lhes vai permitir, a reboque do seu nome, vender muitos discos e cassetes piratas.

 

Engoli em seco e sustive a respiração, à espera de que aquilo acabasse. Findo o suplício, ainda abananada mas já quase refeita da agressão, veio o golpe de misericórdia na voz da bela Bárbara. Exibindo o seu mais hollywoodesco sorriso, comovida, brindou a plateia com esta espantosa frase:

 

"São momentos destes que levam Amália para a intemporalidade."

 

Tirem-me daqui.

 

34 comentários em “A reboque”

  1. Deste em embirrar com eles e, como se não bastasse, ainda embrirraste com a bela Bárbara. E sabes que mais? Pois embirras muito bem. 😀

  2. Então Ana, a menina não foi ver a Lila Downs ? Não sabe o que perdeu, há muito tempo que eu não assistia a um espectáculo tão autentico. Uma maravilha. Acabei de chegar e vinha aqui ver se tinha um post seu a propósito.

    P.S. não sei quem é essa Bárbara, mas vou informar-me

      1. Confesso que a conhecia mal, e foi o facto de o espectáculo ter sido anunciado no Câmara Clara que serviu como caução de que não iria ao engano. Uma voz fabulosa com diferentes registos , muito expressiva, muito sensual, a musica popular mexicana muito bem tratada, sem demagogia nem efeitos fáceis, músicos muito talentosos, enfim para mim um excelente espectáculo.

  3. mas para quê uma pessoa deprimir-se de propósito a ouvir os disparates da bárbara e os meninos do projecto? assim como assim, prefiro deprimir-me a sério a ouvir a amália (já agora, e direitos de autor, nada?!)

    1. A Amália não me deprime, Ana Cristina. Pode deixar-me nostálgica às vezes, mas não me deprime.

      E os meninos do projecto também não, são só ridículos. Irritam-me pelo abuso, é sobretudo isso. 🙂

  4. Ana, não vi o espectáculo antes, nem depois. Mas, a certa altura, chegou-me aos tímpanos o que me pareceu um arranjo «pop» sobre um fado da Amália e, lembrando-me do seu anterior «post», fui a correr espreitar. Cheguei mesmo a tempo de ouvir essa memorável frase da Bárbara. Mas ouvi mais: ouvi-a referir uns brilhozinhos de comoção nos olhos da Marisa – que me pareceram absolutamente baços de desgosto – e nos de um outro fadista conhecido, cujo nome não recordo, que sendo claros e naturalmente líquidos, lá disfarçaram melhor. Uma cena profundamente ridícula, para não dizer lamentável.

  5. …ora bem, por essas e por outras é que me recusei a assistir àquela pinderiquice anual que é o dito ‘show’ do globos não sei de quê.
    Uma glorificação da menoridade aritística nacional.
    Chega uma altura na vida qem que a sanidade mental é imperativa.
    Para a abalar já chega o que não conseguimos de todo evitar.
    E como digo hoje a começar a semana: ‘Ça m’énerve!’

    1. Keep cool, Margarida. Há que levar a coisa pelo lado lúdico, e nesse aspecto o espectáculo de ontem foi imperdível. Digno da melhor Britcom! Ou Portcom, melhor dizendo.

  6. Finalmente alguem com a mesma opinião que eu..que falta de gosto, como é que podem pretender sequer usar o nome de Amália?? estragando a musica dela??? Ou a ganhar fortunas á custa da memória daquela que foi , é e será sempre a rainha???

    Ana Mestre

    1. Ana, falta de gosto é pouco… o pior é o oportunismo da coisa. E ainda por cima com falta de qualidade, para tornar tudo ainda mais obsceno.

      Mas há mais gente com a nossa opinião, felizmente.

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