Juan Luis Cebrián é uma referência importante no jornalismo europeu. Pelo papel que teve na fundação e consolidação do El País como principal jornal espanhol – e também pela sua acção como pedagogo, revelado enquanto autor de obras como Cartas a um Jovem Jornalista. Por tudo isto, foi enorme a minha decepção ao ler ontem, no El País, um texto dele sobre Nicolas Sarkozy que mais não é do que um desabragado panegírico ao Presidente francês. Um texto que descredibiliza a reputação de Cebrián, a tal ponto que pode apresentar-se, em futuras cartas a jovens jornalistas, como exemplo evidente do que não se deve escrever.
Seguem alguns trechos desta longa conversa entre Cebrián e Sarkozy, intitulada ‘O Poder e a Felicidade’:
Leio esta autêntica peça de propaganda ao Presidente francês e questiono-me, como outras vezes já fiz, sobre o que levará tantos profissionais da informação – incluindo alguns dos mais conceituados – a sucumbir com aparente facilidade aos mecanismos de sedução do poder. Por cada Bob Woodward, que se mantém como jornalista tantos anos depois do caso Watergate, surgem oito Cebriáns – ou nove, ou dez, que cedo trocam as redacções pelas administrações de órgãos de informação e passam a encarar o poder político com olhos cúmplices, perdendo a perspectiva crítica que outrora cultivavam.
Há muitas formas de desprestigiar a profissão. Esta é uma das mais eficazes. E uma das mais letais – por vir de dentro.


Infelizmente, desta feita concordo consigo: o poder corrompe e a sedução do glamour dos poderosos, pelo lido, corrompe absolutamente.
Boa noite.
Se o jornalista fosse uma mulher, eu arriscaria dizer que tinha sucumbido não só à sedução do poder como à sedução “no” poder, tendo em conta o charme de Sarko…
O que só desculparia em parte a atitude, naturalmente, mas não te tiraria nem um pingo de razão.
Pois eu acho-o horroroso, Ana. Detesto o ar de lascívia. Mas gostei muito deste texto, Pedro.
Gostos, Leonor… é a tal história do amarelo! 😉
Do amarelo, Ana?
Lol… é aquele dito popular: “se todos gostássemos do mesmo, o que seria do amarelo?”
Não conhecias?
Isso não será do fígado? Ou da vesícula? Hehehe…
Não exactamente, João, mas anda lá perto… 🙂
LOL
Lerda eu 😉
Deste trecho, notoriamente infeliz, logo a seguir a algumas declarações polémicas de Sarkozy nos últimos dias, senão de sempre, percebi que es fácil sucumbir a ella …. La seducción del presidente francês!
Muito antes de ter lido este texto notável, vi algures uma noticiazinha sobre a visita do Presidente Francês Empieza la visita de Estado de Nicolás Sarkozy y Carla Bruni a España. O presidente galo …..
Achei bem. Apropriado. O presidente galo. Melhor, é impossível.
Essa do presidente-galo é boa.
Caro Pedro as grandes decepções vêm sempre de quem admiramos… os outros nunca nos decepcionam.
É isso mesmo, Ariel.
O Cébrian estará desiludido com o socialismo, como é natural em Espanha, e se calhar apeteceu-lhe dar fôlego ao homem que disse que o chefe de governo espanhol parece pouco inteligente, mas nada justifica esta graxa. Parece a introdução do Salazar à entrevista de Ferro… a Salazar. Prefiro pensar que é Alzeimer…
Parece mesmo o estilo António Ferro à conversa com Salazar, Cristina. O Cebrián de outros tempos já era.
Não acho nada bem isto de abrir o blogue e ter o Sarko a olhar para mim com ar desconfiado 😉
Se quiseres mudo já. Ponho a Carla Bruni.
Ia dizer que não sei como é que ela se embeiçou mas, pelo teu texto, o homem é mesmo um sedutor.
O Cebrián parece ter vacilado.
Mas pouco…
Alguém em declínio, a ficar no anonimato, ficaria muito seduzida pelo atraente status quo ….
Repare que status quo não é o primeiro nome do presidente francês!
Sabe como se chama “moçoila” Directora de programas da TVE? Um doce para quem…………..
Não se iluda com os Cebrians deste mundo.