Sem uma profunda teia de cumplicidades pessoais, ao mais alto nível, a II Guerra Mundial não teria sido o que foi. Esta é a tese central do historiador francês Marc Ferro no seu livro Sete Homens em Guerra. As cumplicidades foram simétricas: assentaram, do lado do Eixo, na forte relação pessoal entre Hitler e Mussolini e, do lado ocidental, na firme aliança entre Roosevelt e Churchill. Entre os dois pólos, oscilou Estaline – que em 1939 assinou o pacto de não-agressão com Berlim e em 1941, com os tanques germânicos a acossá-lo, se aliou a Londres e Washington. As restantes figuras históricas que justificam o título do livro são o general Charles de Gaulle, chefe da França Livre, e o imperador japonês Hirohito, aliado de Hitler no Oriente.
Ferro revela múltiplos episódios protagonizados por todos eles. Hitler, por exemplo, era um antigo admirador de Mussolini. Quando se encontraram pela primeira vez, o alemão ofereceu ao italiano as obras de Nietzsche, o seu filósofo preferido. Estaline, por sua vez, manteve laços diplomáticos com a Roma fascista durante cerca de uma década. E no início dos anos 30 mandou traduzir para russo o Mein Kampf, de Hitler, obra que leu atentamente. Churchill, embora detestasse o líder nazi, chegou a ser um notório admirador de Mussolini. Roosevelt e Estaline estimavam-se mutuamente. A tal ponto que na conferência de Ialta, quando o presidente americano não compareceu a uma sessão de trabalho por se encontrar muito doente, o ditador soviético teve a preocupação de visitá-lo. “Porque é que a natureza o castiga desta forma?”, interrogou-se no final, virando-se para Molotov e Gromyko, que o acompanhavam.
Sete Homens em Guerra. De Marc Ferro (Bertrand, 2008)
395 páginas
Classificação: * * *


Deve ser uma obra bem interessante, em torno de um tema que sempre me atraiu e que parece inesgotável em todas as abordagens que são possíveis..
Se puderes deitar a mão a este livro, vai em frente. Tenho a certeza que gostas. E Marc Ferro é um historiador credível.
como sempre e sinceramente um grande post.
Estava para fazer uma alegoria, mas é melhor não.
Obrigado pelas palavras amigas, Daniel. As alegorias são sempre bem vindas.
Caro Pedro!
O tempo tem singularidades tremendas, como aliás o seu post prova.
Por falar em singularidades, permita-me que lhe dê nota do regresso do meu “Latitude 40”.
Espero voltar a tê-lo como leitor.
Obrigado.
Abraço.
A. Luís
Com certeza, António. Você é um dos meus leitores mais antigos da blogosfera. Para mim, estes leitores terão sempre um apreço muito especial.
Abraço
Existe um livro sobre a época da 2ª guerra mundial e mais concretamente sobre o holocausto nazi(lembrei-me por ver a foto do Hitler), já o li e reli e não entendo como foi possível tamanha barbaridade e ainda menos que existam pessoas a negar o holocausto. Este livro é difícil de encontrar mas já o encontrei aqui na net:
“auschwitz inferno de mulheres”
Há centenas de livros que aqui poderia recomendar, Ana. Este que refiro é muito interessante. Outro é ‘1939 – Contagem Decrescente para a Guerra’, de que falarei um pouco mais acima.
Pedro,imagino que sim, mas continue a dar-nos as suas recomendações. Eu por mim agradeço;))
Assim farei, Ana.
Há qualquer coisa de muito subtil (e às vezes não tão subtil como isso) que é comum às personalidades dos grandes “senhores da guerra”. Por isso se reconhecem como pares, se respeitam e raramente se subestimam. Não é estranho que essa matéria que partilham os faça cúmplices, por mais que se encontrem em campos opostos.
O livro deve ser bem interessante, Pedro.
Sem dúvida, Ana. Se te interessas por estes temas tenho a certeza de que gostarás.