A turma do(s) Bolinha(s)


Carlos Barbosa de Oliveira,

Assisti, na companhia de um amigo portista, ao Sporting-Benfica de ontem à noite. No bar onde estávamos, recheado de benfiquistas – e alguns sportinguistas – tivemos direito a um espectáculo paralelo inolvidável. Foi o perfeito  2 em 1.

A claque sportinguista, em esmagadora minoria, esteve sempre cordata, lançando tímidos gritos de júbilo quando o SCP marcou os seus golos, mas o mesmo não se pode dizer em relação aos benfiquistas que, aos 10 minutos de jogo, já acusavam Olegário Benquerença de estar a roubar os encarnados.

Não tive quaisquer dificuldades em perceber que os que consideraram o penalty contra o Sporting “claríssimo” eram os mesmos que na véspera consideraram o penalty sobre Hulk um roubo de Catedral, porque quando Maxi Pereira meteu deliberadamente a mão à bola as suas opiniões dividiam-se entre bola na mão e corte com o peito. Aquilo penalty? Nunca!

Quando chegou o intervalo, estava desvanecido com  a isenção da claque benfiquista. A segunda parte começou praticamente com o segundo golo do Sporting e aí começaram a chover as acusações a Quique e aos jogadores:

Pablo Aimar perde uma bola para a defesa verde-branca e logo vozes se levantam:

Grande c….., vê-se logo que é argentino!”

Minutos depois, Reyes falha um  passe e o povo benfiquista ergue-se em uníssono:

“Palhaço! Vê-se logo que és espanhol!”

Menos benevolentes foram no momento em que Pereirinha deu um nó cego a Sidnei:

“Ó preto, vai mas é p’rás obras…!”

No final do jogo Quique Flores foi alvo dos mais diversos epítetos, mas o que caiu mais no goto dos adeptos da agremiação encarnada foi um proveniente da ponta esquerda da sala:

“Pareces um fadista, com esse cachecol. Vai mas é cantar Fado p’ra Adega do Machado!”.

No flash interview Paulo Bento foi tratado por atrasado mental, mentecapto e analfabeto. Luisão, como Preto de M… e Liedson como macacão preto, que devia ter sido ceifado e mandado para o hospital pela defesa benfiquista.

Estas cenas não se passavam no tasco do sr Zé, mas sim num bar frequentado por algumas caras  conhecidas da   política  e figuras gradas  da vida desportiva com ligações ao SLB, onde uma cerveja não é propriamente barata!

O comportamento das claques benfiquistas explica a postura da imprensa desportiva em Portugal. Na verdade, a maioria dos que por lá escrevem são adeptos do SLB com carteira de jornalista. Por isso se compreende que a capa de A Bola hoje tivesse este fantástico título:

“ Liedson faz sonhar Portugal”.

Ricardo Araújo Pereira e Fernando Seara, nas suas crónicas de hoje, confirmaram o que já sabia. Quando se trata de discutir o SLB os seus neurónios entram em curto-circuito.

 

10 comentários em “A turma do(s) Bolinha(s)”

      1. Se calhar não foi um dos meus momentos mais brilhantes, Carlos. Os comentários no tal tasco eram, antes de tudo, descriminatórios (preto, espanhol, etc.) e lembrei-me dos casamentos entre minorias. Decididamente, já fiz melhor!
        Esta manhã dei continuidade à tua oportuna observação de ontem sobre homem da Quadratura, não me saiu mal e devia ter ficado por aí. Talvez por ser domingo…

  1. «Estas cenas não se passavam no tasco do sr Zé, mas sim num bar frequentado por algumas caras conhecidas da política e figuras gradas da vida desportiva com ligações ao SLB , onde uma cerveja não é propriamente barata!».
    Carlos , quem é que lhe disse que a “gente” que frequenta esses locais eram o exemplo da Civilização ?
    abraço.

    1. Enquanto me lembrar, creio que não Pedro. Este fim de semana está a ser um bocado atípico Talvez por ser Carnaval, até comprei “A Bola”. Tenho sempre a esperança de ver aquilo mascarado de jornal desportivo…

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