Millôr Fernandes, por estes dias um humorista com um travo de amargura, analisa com olhar crítico a televisão brasileira. Numa das últimas edições da revista Veja escrevia isto: “Vejo, como sempre fascinado, o Jornal Nacional: ‘Ônibus mata dezoito em cima da calçada, crianças da creche assassinam sete enfermeiras assistentes, banqueiro de banco é sócio de banqueiro de bicho, chefe do tráfago tem ligação com o chefe do tráfico, coca vendida na sacristia, sacerdote justifica pedofilia, militares homossexuais promovem suruba no quartel, curso de inglês ensina policiais a roubar turistas, grupos de extermínio vendem órgãos de criancinhas, FIQUE COM A GENTE!”
Isto é no Brasil. Mas ocorre algo de muito semelhante em Portugal. E em tantos outros países. Nivelar por baixo é o que está a dar na informação – sobretudo na informação televisiva. Promover o escândalo, semear o pânico, suscitar invejas, despertar instintos, servir ao domicílio emoções primárias. E queixar-se, no fim de tudo, que o mundo está mais perigoso.


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Penso que a RTP deveria trocar horário e tempo do Telejornal, passo a explicar, todos os dias o Telejornal era o “30 minutos” e o Telejornal seria uma espécie de adenda ao 30 minutos.Estamos um bocadinho fartos da crise e dos mortos e dos roubos e dos….