– A endogamia ainda é um problema, nas nossas universidades?
«Basta olhar para os apelidos. Quando a minha universidade fez 100 anos, fui convidada como antiga aluna. Estavam lá professores da Faculdade de Direito e perguntei se ainda existe endogamia na faculdade. “Ah, de todo!”, responderam-me. E dava vontade de rir – bastava olhar para os apelidos iguais, claramente filhos ou sobrinhos. Há endogamia. E há nepotismo.»
Maria Filomena Mónica


Vale a pena ler esta entrevista.
Se vale! Todinha.
Lá vai ela em tudo direita ao cerne, sem medo.
Quem não deve não teme…
Laura: não quero fazer renascer polémicas antigas mas isto vai no sentido do que eu escrevi há uns meses e causou reacções tão fortes (especialmente tuas e da Leonor). Muitas instituições públicas (e privadas mas, em princípio, essas não me afectam tanto enquanto contribuinte) estão reféns de uma teia de cumplicidades (familiares ou não) que se foi desenvolvendo ao longo dos anos. E isto torna quase impossível reformá-las porque serão quase sempre pessoas envolvidas nessa teia a tomar as decisões. No limite, se for preciso despedir, nunca serão escolhidos os familiares, os “amigos”, os elementos com cunha. O mérito é secundário.
jaa, tanto quanto me lembro tu falaste disso e de muito mais, generalizando de uma forma desfiguradora a administração pública no seu todo.
O que aqui é retratado é bem mais grave e empobrecedor, porque no meio académico o que está em jogo não é só o protectorado em si, condenável, que secundariza o mérito. São sobretudo as gerações e gerações de aprendizes dessa coisa (não por acaso) chamada “universitas” que podem ser privados dos melhores Mestres.
Evidentemente que o fenómeno existe.
Evidentemente que descura a qualidade absoluta.
Evidentemente que também tem excepções, porque alguns ‘herdeiros’ sê-lo-iam sempre, por mérito próprio, onde quer estivessem.