Em nenhum momento da história se pode dizer que tenha existido apenas uma única mentalidade e uma forma de interpretar a realidade, mas é possível definir as tendências de cada geração.
Como era a mentalidade dos portugueses há 100 anos?
O mundo, a época e o isolamento faziam que a vida no mundo rural fosse muito conservadora e com uma grande influência da religião católica. A sociedade de então era muito hierárquica e patriarcal, onde o papel da mulher não a permitia afastar-se das tarefas domésticas. A igualdade de direitos, o acesso ao ensino público e ao divórcio não passavam de formalidades legais sem aplicação prática.
Na actualidade, a democracia, o voto universal, o acesso efectivo ao ensino e uma sociedade muito mais secular ficam a anos-luz dessa vida de 1925. O que pensariam os nossos antepassados do projecto europeu, da livre circulação de pessoas e bens, da moeda única e do fim do império?
O meu avô Zé organizava excursões de autocarro pelo país. Uma ou duas vezes por ano, iam ao norte, às festas da Senhora da Agonia, a Lamego, ao Bom Jesus de Braga, ao Caramulo e ao Luso, a Viseu e uma ou outra vez à Arrábida. Pelo que sei nunca foram ao Alentejo nem ao Algarve. O que pensaria ele das dezenas de países que já visitei ou da facilidade que hoje temos em reservar a partir de casa um bilhete numa companhia de low-cost? A remota possibilidade de que daqui a 24 horas podemos estar do outro lado do mundo, não passaria de ficção científica. E isto sem falar da Internet.
Mas o ponto que pretendo sublinhar vai para além das possibilidades tecnológicas da nossa época. O que pensaria o meu avô Zé, ou o pai dele, das minhas convicções e daquilo que considero como sendo normal e aceitável na nossa vida em sociedade? Como é que eu lhe poderia explicar que muito daquilo em que assentou a sua vida já não existe ou mudou radicalmente?
E a partir desta ideia lanço o desafio a quem me lê. Imaginemos o futuro. Como será a rotina diária dos nossos descendentes? E as suas convicções? O que pensarão eles do tempo actual? Como julgarão o mundo aberto e razoavelmente tolerante dos nossos tempos? Como é que evoluirão os relacionamentos familiares, sociais e de trabalho nesse futuro que chegará? Como será o mundo do trabalho? E a vida em comunidade? Ainda existirão colectividades? E festas da paróquia?
Observando os ensinamentos da história, esse mundo que já não conheceremos será muito diferente do nosso. Observando a evolução nas convenções sociais, é fácil de imaginar que dificilmente encaixaríamos na mentalidade vigente daqui a 100 anos.
Por tudo isto o melhor a fazer é aceitar sem muita indignação as incómodas mudanças a que vamos assistindo. Aceita, que dói menos.
Publicado n’O Portomosense

O futuro? Qualquer coisa entre o mad max e a peste escarlate do Jack London.
Ou então outra coisa, mas o título do postal é o comentário que me parece adequado.
Adequado a mim não é de todo, não me dói nada nesse panorama, é o expectável do comportamento irracional do bicho homem que luta contra a Natureza como se a pudesse vencer
e o que não tem remédio, remediado está. Há que viver filosoficamente.
E já agora , se quer ter alguma visão do futuro próximo , 30 /40 anos , tem de observar os jovens e perguntar-lhes o que querem e como o perspectivam. E podem querer coisas bem diferentes das 9 às 5 e carros para impressionar o vizinho. Nasceram no hiper consumo , só a frugalidade os fará diferentes…e ninguém quer ser iguais aos pais : consumistas , divorciados e infelizes.
O capitalismo não é o fim da história , nem a artificialização e algoritimização da sociedade . Parte do principio que não serão capazes de mudar de direção , que querem consumir até cair pró lado e que querem espatifar até à última árvore. A sua fé é nas elites. Vendo a história , as situações em que as elites ficaram sem cabeça são mais que muitas.
O “carros para impressionar os vizinhos” existiu sempre. Já muito antes do Convento de Mafra. Isso não irá mudar.
tem de trabalhar essa mania de projectar o futuro a partir do presente. quem sabe os jovens querem impressionar o vizinho com a sua habilidade de andar em trotinete e de não emitirem gases e patati? não seja cronocentrista , é feio
Universe 25!
Convém não exagerar. Daqui a pouco diremos que o mundo nunca esteve tão perigoso (aqueles gajos que levavam com as hordas mongóis em cima, por exemplo, discordariam) ou que as mulheres jamais conheceram piores tempos.
Se o antigo demorou a desaparecer, o actual está a desaparecer a uma velocidade louca!
Principalmente se falarmos da velha Europa.
Só a mudança permanece.
Nem é necessário recuar 100 anos. Comparar uma infância nos anos 80 com as de hoje, nem meio século passado, é comparar bananas com pregos.
E mais uma vez, nem indo à tecnologia, mas às relações humanas. Facilitismo e complacência estão a gerar uma horda de imbecis da pior espécie, aquela que se julga inteligente. O individualismo narcisista importado do outro lado do lago substituiu a sociedade socialista, a cooperação deu lugar por completo à competição.
Demasiados romances distopicos tornaram-se demasiado reais.
Não surpreenderia se daqui a 100 anos a norma fosse novamente o trabalho à jorna, por exemplo.
“Já não tenho qualquer esperança no futuro do nosso povo, se depender da nossa juventude leviana de hoje, indisciplinada e sem responsabilidade.”
Hesíodo, séc. VII a.C.
A juventude sempre foi e será isso e mais. Posso confirmar, como ex jovem.
Mas nunca os bisnetos do Hesiodo tiveram todo o conhecimento do universo ali no bolso de trás das calças.
É algo que, talvez, um dia seja explicado, pois já perguntei, a muitos, sem que qualquer, me tenha dado uma resposta válida:
“Porque é que 63%, dos emigrantes portugueses, na Europa e 56%, no resto do mundo, votam num partido que defende, 100% de fim da emigração (99%, quem pagar 500000 euros, recebe, nacionalidade, no primeiro dia, após pagar)?”
Será que os nossos emigrantes já se esqueceram que se acabarem com a emigração, tanto eles, como os filhos, vão sofrer, com essas decisões? Quando foram eles, exigiram mais facilidades e porque trabalhavam, deviam ter direito a ajudas estatais. Agora, que já se passaram 50 anos, já não interessa. Vá de fechar as fronteiras, contratar 25000 pessoas, para verificar documentos (ou pagar 50000 milhões de euros, a advogados, a cada ano), para só deixar passar, quem ganhar, para cima de, 100000 euros anuais ou abrir uma empresa, com investimento, acima de 550000 euros. Será que, os portugueses, que tem emigrado, querem que, os países, para onde foram trabalhar, que lhes faça o mesmo?
Depois, temos o nosso governo, que quis aproveitar, as férias, e a saída do PR, para criar formas, de acabar com o Tribunal de Contas, Tribunal Constitucional e retirar 99,9%, dos poderes ao PR, com a revisão constitucional, prometida. Luís Montenegro e os 7000 advogados (pagos a peso de ouro!), que o assessoriam, sabem que não é permitido, separar pessoas, com bases variáveis, para a mesma situação. Marcelo sabia, daí nem ter perdido tempo, a enviar essas alíneas, ao TC. Não podemos ter 3 janelas, para nacionalização, de pessoas, a residir, no país, dependendo da naturalidade. O governo criou, a lei, que dizia “5 anos, para naturais, do espaço Schengen; 7 anos para naturais dos PALOP e 10 anos, para naturais, de outras proveniências”. Isto, não só, é ilegal em Portugal, como viola 8 tratados europeus, assinados por Portugal.
Como não acredito, que a AD, esteja a imitar os reformistas britânicos ou a extrema direita francesa (uns já abandonaram a UE (sendo que andam a tentar acordos, que lhes permitam ter, o mesmo que rasgaram, sem adesão assinada) e outros querem fazê-lo), para abandonar os tratados europeus, só resta que estão a usar isso, para virem acabar (ou nomear, só membros dos partidos) com o TC e TdC… no caso do tribunal de contas, Montenegro passou 3 anos, a usá-lo, como justificação para contrariar Costa, quando chegou, ao poder, com tanta alteração que queria fazer, ficou com 99,9999999999999999% do que o, outro, lá deixou e faz alinhavos, anunciando que é 20000000% novo, o TdC criticou, já é para ser removido.
Assim de repente, se a situação anterior satisfizesse as aspirações dos eleitores, seria ainda a situação actual.
O comentador Manuel da Rocha parece ser pago à vírgula. Usa uma vírgula a cada três palavras, cada qual mais mal colocada do que a anterior.
Faz lembrar uma estrada cheia de curvas e contracurvas – e com piso em mau estado. Senti-me de regresso à infância, quando o meu pai nos levava pela Serra do Bussaco.
O Buçaco nem tinha grandes curvas, mau mau era o Alto da Serra na EN1. Ponto obrigatório no enjoatório.
> me tenha dado uma resposta válida:
É simples, esses são os emigrantes que gostariam de ter um país ao qual voltar.
Manuel Rocha,
A pergunta que devia fazer é mais simples:
– Qual a razão para um partido clientelista como o PS de Sócrates e de António Costa ter sido ultrapassado por um partido populista como o Chega? O PS português tornar-se-á irrelevante como o PS francês?
Qual a diferença entre populista e democrático?
E já agora vai outra:
Qual a diferença entre activista e extremista?
> Observando os ensinamentos da história […] Aceita, que dói menos.
É sempre interessante ver pessoas prontas a aceitar o Islão
Fazer comentários em blogs é a melhor forma de lutar contra isso.
Eu prefiro escrever postais.
Duma à outra só se aproveita o desabafo. Faz que faz doer menos. Pior é que não faz.
Verdade.
Entre o islamismo e o americanismo venha o Descartes e escolha
Abraçar sempre a mudança, sem dúvida.
Há cem anos, a leste do Reno, também se defendia o mesmo, principalmente nas judiarias.
Aceita, que dói menos.
Lutar para quê?
Se “lutar” for fazer comentários em blogs, para nada.
??
Resposta à pergunta.
!!
O título parece a fala de um violador.
O futuro comporta-se praticamente da mesma forma.
Este é o o blogue que mais representa a desistência e decadência. Dizem-se muito sociais apesar de não terem sociedade que para eles valha defender.
Não passa um dia sem querer saber das nossas opiniões. Vá aparecendo.
Simples. Guerra Civil da Europa Oeste.
“Como será a rotina diária dos nossos descendentes? E as suas convicções? O que pensarão eles do tempo actual? Como julgarão o mundo aberto e razoavelmente tolerante dos nossos tempos? Como é que evoluirão os relacionamentos familiares, sociais e de trabalho nesse futuro que chegará? Como será o mundo do trabalho? E a vida em comunidade? Ainda existirão colectividades? E festas da paróquia?”
Não tenho duvida que estes tempos serão odiados. A cultura politica-jornalista falha o básico das leis da sobrevivência.
Sem federalismo, uma guerra civil da Europa é um oximoro.
Eu nem preciso de pensar no meu avô, e ainda menos no pai dele: há momentos da minha própria vida que me parecem tirados de um documentário histórico, que tenho já que fazer algum esforço para conceder que fizeram parte do meu quotidiano. O quotidiano actual também existia na altura, mas nos livros da “Colecção Argonauta”.
Não são as mudanças, as transformações em si, o que perturba, mas antes a sua rapidez, a vertigem de um acumular de ciclos de novidade/obsolescência cada vez mais curtos, que chegam a sobrepor-se, até já não haver novidade nenhuma propriamente dita, nada que realmente espante, nada que seja verdadeiramente inconcebível ou inacreditável…
Estamos enfartados de novidade e tudo indica que ainda agora começámos.
Pois eu aceito e não me dói nada. Para ser sincera, até gosto. Do melhor da minha vida é o tempo em que a vivi, como se vivesse séculos comprimidos em anos, numa espécie de Era da Transição. Transição para quê? Pois quem viver verá, e eu ainda espero ter um vislumbre.
Alguém um dia afirmou: “a história é uma velhota que não cansa de repetir-se.”
Por mim digo que passe o que passar, como bem atestam o velho e novo testamentos, a natureza humana permanecerá igual.
Do resto é muito triste o desprezo pelo legado e a soberba no presente!
Poderemos “evoluir” para algo totalmente diferente daquilo que fomos até agora ou poderemos até “regredir” – na história sempre existiram ciclos de maior liberdade intercalados com ciclos de menor. Ou, poderemos efetivamente ser ultrapassados pela IA, quem sabe!?
Não faço ideia de como vai ser o futuro. Mas uma coisa é certa: as pessoas que viverem daqui a cem anos não conheceram outro mundo e acharão normal. Adaptam-se, criam outras formas de felicidade, de divertimento, de se relacionarem. E tentarão esquecer as agruras e os desgostos, como sempre foi e sempre será.
Achamos que a nossa vida é curta. Mas talvez seja melhor assim. Se muitas pessoas de 70 ou 80 anos já têm tanta dificuldade em adaptar-se ao tempo presente, como seria se vivêssemos 150, 200, ou 300 anos?
Totalmente de acordo, Cristina.