Acordo burrográfico (34)


Pedro Correia,

– Tenho que otar.

– Tens que optar.

– Não é otar?

 Otar é para os otários.

40 comentários em “Acordo burrográfico (34)”

  1. Essa consoante não foi suprimida, pelo que o facto (sim, facto) de um otário dizer “otar”, nada tem que ver com o AO.

        1. Vê-se que não costuma ler o Diário da República.
          Sorte sua.
          Já eu não posso dizer o mesmo.

          Quanto à dúvida que parece exprimir no fim do comentário, confesso que não a entendi.

            1. Uau. Enfim.
              “Egipto” tinha uma consoante muda que foi suprimida. Em “egípcios” e “egiptólogos” foi mantida, obviamente.
              Cada um tem as suas causas. Algumas são úteis.

            2. Claro, faz todo o sentido tirar o P de Egipto (que é pronunciado) e mantê-lo em egípcio e em egiptólogo – famílias lexicais mandadas às malvas, separadas sem critério científico algum.
              É de génio…
              Como em epiléptico (que vocês escrevem “epilético”) e epilepsia.
              Ou lácteo mas “laticínio” – vá-se lá saber porquê.
              Talvez alguém tenha lançado uma moeda ao ar. E ficou assim.

              Cada um combate pelas suas causas.
              Você combate pelo extermínio de consoantes. Não lhe gabo o gosto.

            3. O que importa aqui não é o assunto, pois que se sabe que o deixará de ser no tempo de nem uma geração, mas sim o delicioso schadenfreude.

            4. Os desocupados anti-AO têm que ter a última palavra? Parecem os negacionistas anti-“rebanho”.

            5. Pois se fui eu que comecei, é justo que seja eu a terminar.
              Repare que está a contar comentários que nada têm que ver com o assunto inicial. Quase parece que ficou sem argumentos e agora só está a engonhar.

            6. Não é você que termina. A casa é minha, quem termina sou eu, desde que me apeteça. E apetece-me quase sempre.
              Ficou registado o seu apreço (e o seu tempo e a sua disponibilidade) para um tema que não teria relevância alguma mas afinal parece ter.

            7. Tem, na exata medida da vergonha alheia sentida por quem olha para os paladinos da perenidade linguística, como se alguma língua alguma vez tivesse perdurado para além da sua própria contemporaneidade.
              Vamos todos morrer, homem. A língua também. Relaxe. Há causas tão mais relevantes. Olhe, eu estou neste momento a preparar-me para ir ver doentes (é só acabar este delicioso café em copo descartável de papel). Curiosamente, cada um deles fala um Português diferente e nada puro. Você teria um chilique.

            8. Espantoso. Você está cada vez mais envolvido num assunto “sem relevância alguma”.
              Prepare as munições. Ainda restam muitas “consoantes mudas” por exterminar.

            9. Nunca teve uma consoante muda, é disso que estamos a falar.
              Vou continuar à procura, é preciso exterminá-las a todas.

      1. O arcodo ortográfico é avaliado através dos erros no Diário da República?

        Já no tempo do Diário do Governo ficou famosa uma ressalva: “onde digo “digo”, não digo “digo”, digo “Diogo””. E não havia AO.

        1. Não conheço nada mais oficial do que o Diário da República. De tal maneira que nenhum diploma tem validade se não for lá publicado.

          Talvez você prefira o Borda d’ Água como “fonte autêntica”.
          Se assim for, até compreendo. O Borda d’ Água é redigido com muito mais qualidade. Desde logo por não ter adoptado o dialecto acordístico.

  2. Eu oto, tu otas, ele ota, nós otamos, vós otais, eles otam;
    Eu otei, tu otaste, ele otou, nós otámos, vós otastes, eles otaram….
    E andam aí algumas oções. https://activa.sapo.pt/lifestyle/2020-04-20-as-novas-caixas-de-tv-sustentaveis-samsung-podem-servir-como-casas-de-gatos/
    A febre de cortar consoantes dá nesta aberração…

    1. Desde que abriu a época de caça às consoantes, estes exterminadores arrasam tudo: consoantes mudas, sonoras, sibilantes, vociferantes, tonitruantes.
      É preciso é dar cabo delas.
      Numa espécie de luta de classes. A consoante representa a “classe privilegiada”, portanto é para abater. A vogal é proletária, protagonista da revolução ortográfica.
      O ideal será um idioma só vocálico. Regresso às origens – ao A, E, I, O, U.

      1. Para os defensores da disortografia, cinco vogais ainda são demasiadas! Escolhem sempre a “oção” mais estúpida.

            1. Não é criação minha. Derivei-a de “linguicídio”, que li num artigo de Nuno Pacheco sobre o AO (ou o Bicho, como lhe chama Afonso Reis Cabral).

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