Acordo burrográfico (4)


Pedro Correia,

– A sua profissão é mesmo essa?

– Sim, sou detetive.

– E não consegue encontrar o C?

8 comentários em “Acordo burrográfico (4)”

  1. Julgo tratar-se de um discurso directo do texto de um livro.
    Há corrupção por cá e no Brasil também, mas o Pro. Hermano Saraiva dizia corrução.
    Mas o mesmo não acontece com o c não mudo de facto, que os brasileiros dizem fato e para fato chamam terno (casaco, colete e calça). Com as mudanças do tempo a sobrinha passou a guarda-chuva, qualquer dia no Brasil por causa das alterações climáticas o terno passará a duo ou simplesmente uno (calças).

    1. “Corrução” é uma forma arcaica, sempre houve alguma oscilação ao longo dos séculos, tendo até convivido as duas formas. Mas “corrupção” acabou por se fixar (mesmo no Brasil), até porque está mais próximo do étimo.

  2. Os acordeiristas acham que têm os olhos bem abertos, mas não vêem o essencial. Ou fazem vista grossa, não vá o seu coisinho desmoronar-se como um castelo de cartas, que o é.

    1. Bestas quadradas. Impuseram este “acordo” para unificar a ortografia com a oposição quase total da comunidade científica, que não foi tida nem achada, e da esmagadora maioria dos escritores, poetas, ensaístas e da própria comunidade académica.
      Não unificaram coisa nenhuma: acentuaram as divergências.
      Inventaram palavras que não existiam (“rutura”, por exemplo, em vez de ruptura ou rotura) e sacaram da cartola quase dois mil vocábulos que passaram a divergir da ortografia brasileira (“receção” por recepção; “exceção” por excepção, etc.)
      Quem se lembrou de parir isto tinha uma lucidez intelectual digna de um Palma Cavalão.

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