
Tínhamos quase a mesma idade e começámos ao mesmo tempo no jornalismo. Ambos em semanários, embora concorrentes: um saía à quinta, outro à sexta. Quando era frequente um jornal ter tiragens superiores a cem mil exemplares. Conheci-a num dia de Verão, parecia cena de filme. Na Rua do Jasmim. Descia eu do Príncipe Real, vinha ela em sentido oposto, da Praça das Flores, também solitária. Muito bronzeada, vestida de branco – o Tejo escoltando-a à distância.
Era uma das mulheres mais belas da nossa geração, uma das mais belas que até hoje conheci. A Clara Pinto Correia – tínhamos o mesmo apelido, mas nenhum parentesco nos ligava – não se limitava a ser bonita e a escrever num estilo muito próprio, com linguagem solta, ousada, que parecia brotar-lhe de geração espontânea, à maneira da escrita automática de um Jack Kerouac. Testando os limites ditados pelas convenções, o que irritava alguns bonzos do nosso ofício.
Parecia não fazer caso do que pensavam dela. Sempre pareceu.
Pouco depois, publicou um romance arrebatador, que permanece como marco daqueles anos fugidios – a turbulenta década de 80, na ressaca do frenesim revolucionário, ainda antes da adesão do País à Comunidade Europeia. Documenta esse tempo de transição, naquela terra-de-ninguém que nos marcou para sempre. Tinha apenas 24 anos quando o escreveu. Abandonaria o jornalismo cedo de mais, fragmentou-se por actividades várias, talvez excessivas.
Outras obras passaram sem deixar rasto. Esta ficou. Como retrato de um Alentejo onde a esperança era escassa. Como signo de uma época irrepetível. Adeus, Princesa é também um dos melhores romances portugueses de sempre centrados no jornalismo – como havia sido, duas décadas antes, O Secreto Adeus, de Baptista-Bastos.

Guardo um exemplar que ela me ofereceu, com dedicatória. É da 9.ª edição, da Relógio d’Água, com magnífica capa de Jorge Colombo – daquelas que quase já não há. Um exemplar que a partir de agora, infelizmente, se torna um pouco mais valioso.
Há três anos, revisitando o livro, escrevi de rajada um pequeno ensaio sobre a principal personagem feminina, Bárbara Emília. É, para mim, uma das mais marcantes figuras da ficção portuguesa do último meio século. Ponderei enviar-lhe esse texto, ainda hoje inédito: dar-me-ia imenso gosto que ela o lesse em primeira mão. Só não o fiz porque perdera os seus contactos e não encontrei quem os tivesse: ela atravessara anos muito turbulentos e acabava de se ocultar algures no Alentejo, onde vivia como eremita, longe dos holofotes que chegaram a ofuscá-la.
Seria ali o último refúgio da Clara, agora tristemente desaparecida. Lamentarei para sempre nunca lhe ter mostrado o que escrevi, confirmando uma convicção enraizada: só nos arrependemos do que deixamos por fazer.
Mas continuarei a revê-la, inundada de beleza, subindo de branco integral a calçada oitocentista da Rua do Jasmim. Com a prata do Tejo a refulgir em fundo como se a emoldurasse para a eternidade.

É um lugar comum, mas a cultura portuguesa ficou realmente mais pobre.
Lugar-comum, sim. Como RIP e “descanse em paz”, etc.
Temos o dever de combater os lugares-comuns, ensinava um velho mandamento do melhor jornalismo – hoje cada vez mais esquecido.
Uma belíssima Homenagem, como só o Pedro Correia sabe fazer.
Só espero que não apareçam por aí os Anónimos a manchar o vestido branco da moça!
Se aparecerem, não os aceite, SFF.
“Prata do Tejo” – Ouro da Homenagem!
Feliz Natal!
O Pedro Correia não costuma recusar comentários, por muito maus que sejam. E normalmente casca-lhes em cima. Já me aconteceu a mim, muito merecidamente.
É assim que a gente se articula.
É verdade.
Obrigado, Francisco.
Foi publicada online uma última crónica dela muito perturbadora. O Pedro já leu?
Estou a pensar escrever sobre isso aqui.
Não li, Cristina
Mas acredito que mereça referência, sim.
Este texto é uma das coisas mais bonitas e honestas que li nos últimos tempos. E esta linha é de mestre, pelo menos para quem conhece bem Lisboa: “o Tejo escoltando-a à distância”
Um abraço, Pedro.
Grato, V. Abraço.
“Pela escrita morre o ser” (Impronunciável)
Ai, se não houvesse um para-além, que não prometesse a propriedade sapr3i…
A ironia é terem-na acusado de plágio. E agora todos plagiarem através dos chat’sgpt e congéneres.
O Impronuncialismo, por causa disso, e doutras coisas semelhantes, vai muito à frente de tudo isso.
Este Post de Pedro Correia é, ou não, obviamente, impronunciável?
Regressamos sempre à palavra que Camões usou para encerrar ‘Os Lusíadas’.
Que eu me recorde, apenas me cruzei com a Clara Pinto Correia
uma única vez. Foi no saudoso Rádio Clube Português, ali perto
do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Foi por volta de 1980.
Foi uma das primeiras vezes que fui às históricas instalações.
Entrava-se e descia-se por uma pequena e pouco inclinada rampa.
Eu tinha ido prestar provas para ser jornalista, segundo o anúncio
a que eu tinha respondido. A parte da escrita (na carta) e do currículo
(idem) já estavam. No dia combinado e à hora mais conveniente,
apresentei-me a escrutínio. Uma senhora, com cerca de cinquenta
a sessenta anos de idade, indicou-me um gabinete com uma mesa,
uma cadeira, um microfone (“Um, dois, experiência.”) e visão para
o exterior e vice-versa. Também tinha uma porta. Entregou-me uma
folha, ou mais do que uma, com um texto dactilografado para eu ler
quando ela pedisse. Ela saiu, fechou a porta no trinco (não, não estava
a ser sequestrado – a porta não foi fechada à chave) e foi para outro
gabinete, com visão recíproca. Passados uns minutos, fez-me um sinal
(ou disse-me, via intercomunicador – já não me recordo exactamente)
para eu começar a ler o texto. Com a voz colocada e sem tropeçar
nas palavras e na pontuação, dei o meu melhor. Dezoito ou dezanove
anos de idade bem vividos, a ganhar cinco mil escudos por dia, desde
os dezasseis anos de idade, na empresa Cascais Jazz, onde era relações
públicas (os pagamentos eram feitos em relação aos dias de trabalho),
acumulava com a venda de enciclopédias em inglês, numa empresa
chamada Systems Publishing. “The New Caxton Encyclopedia”, assim
se chamava. Vários volumes. Muito ilustrada. Encadernada em percalina. Qualidade. Preço a condizer. Só vendi uma. Ganhei cinco mil e oitocentos
escudos de comissão, mais vinte e um livros da colecção “Prémio Nobel”
(da Literatura), volumes XXII (1922) a XLII (1947) (em 1935 e em 1943 não houve).
Livros de grande formato. Ilustrados. Encadernados em percalina. Qualidade.
Grátis (parte do pagamento). Para além disso, tinha uma mesada de quatro
mil escudos e, de vez em quando, ía vender umas coisas minhas na Feira da Ladra
(Lisboa). Continuava a estudar, namorava, era músico (viola solo / guitarra, nos
RAIOS E CORISCOS, banda de “punk rock” – pesquisar em blogs.sapo.pt, etc.),
viajava. Áh! A minha prestação no Rádio Clube Português… A meio do texto,
mais ou menos, quem é que entra no outro gabinete e vai falar com a minha
escrutinadora? Nada mais, nada menos, do que a Clara Pinto Correia…
Já era famosa na altura. Reconheci-a imediatamente. Olhou para mim, que
entretanto tinha acabado de ler o entediante texto. Devo ter-lhe piscado
o olho. Eh! Eh! Eh! Afinal já conhecia uma das “manas Pinto Correia”, a “T. P. C.”
(Teresa Pinto Correia), que foi minha colega no Lycée Français Charles Lepierre
(Lisboa). Áh! E o meu pai dava-se com o pai da Clara, da Margarida e da Teresa,
o João David Pinto Correia. Para além disso tínhamos conhecimentos pessoais comuns. Ela riu-se. Acabei por não ficar… Voltaria ao Rádio Clube Português,
algumas vezes para dar entrevistas por causa da Universidade Livre (Lisboa).
Ainda respondi a uns anúncios para ser jornalista, até perceber que era quase
tudo feito não com base no mérito, mas na cunha amiguista, clubística, familiar,
maçónica e / ou política… Sempre fui pelos concursos públicos e pelo mérito.
A competência por um lado e a honestidade por outro…
Lamento a morte da Clara, a bióloga e investigadora que ficou quase tão entusiasmada como eu com a completa descodificação do genoma humano.
Lamento a morte da multifacetada Clara Pinto Correia.
Os meus pêsames à família.
João Barros da Costa
Reparei que usou quase todo este espaço, imoderadamente, para falar de si próprio.
Nem por isso.
Limitei-me a enquadrar a situação.
Achei que dizer que me tinha cruzado com ela era pouco.
Por tudo o que ela fez, merecia um texto meu mais elaborado.
Gosto de explicar bem as coisas. Quem leu não estava lá…
Já se sabe a causa da morte?
P. S.: A Raquel Soeiro de Brito chegou aos cem anos. Haja alguém…
João Barros da Costa
Escreverei sobre Raquel Soeiro de Brito, que conheci noutras paragens, bem distantes. Chega aos cem enérgica e lúcida, merece aplauso redobrado.
Chegar aos cem, hoje, não é prodígio algum. Ontem Dick Van Dyke – nome grande da eterna Hollywood – festejou cem primaveras com boa saúde. Marca já atingida ou superada pelas suas colegas Eva Marie Saint (101 anos) e Lee Grant (100).
E o filósofo Edgar Morin acaba de publicar novo livro, aos 104.
Rectificação.
Não referi a Rosário, como uma das irmãs Pinto Correia.
Lapso. Desculpe, Rosário.
Mais uma vez, as minhas condolências à família.
Faz falta…
João Barros da Costa
Não é uma rectificação, é uma adenda.
Clara Pinto Correia tinha algumas frases irónicas que captavam bem o seu tom característico:
“Os homens passam a vida a sonhar com mulheres e as mulheres a sonhar com homens, e no fim sonham todos a mesma coisa: liberdade.”
“A ignorância, quando bem organizada, pode parecer uma teoria.”
Justa homenagem.
Gosto dessas frases – e subscrevo-as sem hesitar.
Honremos o Post de Pedro Correia.
Elevando o nível do Comentário.
Sobre o luto, ele é sagrado. É impronunciável. Fica dentro de cada qual, selado de pronúncias, e cada palavra que dele se diga, até é uma ofensa que se lhe faz.
Portanto, deixemo-lo tal como é, na impronuncialidade de cada qual.
Este Post de Pedro Correia, deixando em paz esse luto sagrado, talvez até pudesse ser o «Pensamento do Mês» (ou mais). Se, por exemplo, o relacionássemos com o Tempo. E, nesse caso, a questão-do-mês seria: «Será possível parar o Tempo?».
Deixemos a prosa académica de parte. ISTO É, esqueçamos por momentos o que do Tempo disseram, Agostinho de Hipona nas “Confissões”, Nietzsche, ou Henri Bergson, e outros semelhantes. Esqueçamos o artigo de Thomas Kirwood (“Por que não vivemos para sempre?”). Não nos importemos com o que escreveram Arpad A. Vass (“Do pó ao pó”), Robin M. Henig (“Quando a vida pertence aos vivos?”), Michael Moyer (“O eterno fascínio pelo fim: por que adoramos histórias sobre o nosso próprio desaparecimento?”), Céline Bagault (“Seis minutos antes do fim do Mundo”), ou George Musser (“O Tempo pode acabar?”). Esqueçamos a fórmula matemática do Tempo [S = Kb log (W)] formulada por Ludwig Boltzmann.
OUÇAMOS APENAS … o que disseram as CRIANÇAS, no estudo e recolha que o “Magazine Philosophie” fez em 2025 (não traduzirei o ‘francês’ propositadamente).
“EST-IL POSSIBLE D’ARRÊTER LE TEMPS?”:
— “Je brise toutes tes montres, et toutes les horloges du monde…” (Constance, 6 ans).
— “Quand on meurt, cést la vie qui s’arrête, pas le temps” (Maëlle, 6 ans).
— “On ne peut pas arrêter le temps mais on peut retourner dans le passé, avec les souvenirs” (Harun, 7 ans).
— “Quand on s’ennuie, c’est comme si le temps s’arrêtait” (Haifa, 8 ans).
— “Si on pouvait arrêter le temps, personne ne bougerait plus, il n’y aurait plus de sons et plus de lumière. L’air ne circulerait plus. Le sang pareil. On serait mort!” (Ouassim, 10 ans).
— “Pour certains, une minute passe très vite. Pour d’autres, lentement. Mais en vrai, le temps passe toujours à la même vitesse” (Ghislain, 11 ans).
E estes dois, não serão apenas, TAL COMO NÓS, crianças mais velhas?:
— “Alors, non, on ne peut pas appuyer sur un bouton pour figer le monde comme dans un film, mais. parfois, un instant est si fort et si beau qu’on a l’impression qu’il dure toujours. Ne serait pas ça, arrêter un peu le temps?” (Alexandre Lacroix, à 45 ans).
— “La durée est le progrès continu du passé qui ronge l’avenir et qui gonfle en avançant” (Henri Bergson, à 48 ans)…
Nenhuma dúvida: temos francófono.
“Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…”
Eugénio de Castro, “Epígrafe”
Porque não publica aqui o ensaio sobre a Bárbara Emília? Gostava de o ler.
Enviei na altura para a revista Ler, sugerindo publicação. Ficaram de me dar uma resposta – até hoje.
Não insisti.
Entretanto reformulei os planos.
Aqui não publico porque se insere num conjunto de ensaios sobre personagens femininas na literatura portuguesa que tenho esperança de ver um dia em livro. Até lá, por motivos diversos, prefiro mantê-los inéditos.
(Bem a propósito, os versos de Eugénio de Castro.)
A revista LER já só publica os Diogos Vaz Pintos e os Andrés Canhotos, malta que escreve com os pés e escreve grandes estopadas empastadas.
Quem tenha uma escrita compreensível e límpida, vê-se em palpos de aranha para publicar lá.
Para além de que eles raramente aceitam cronistas novos – o Francisco Mota não-sei-quantos tranca o “prestígio” daquela revistazeca a sete chaves.
Duvido que aquilo ainda venda muito e algum subsídio hão-de receber para se manterem em actividade…
Era mesmo isso que ia sugerir (ou pedir)!
É como explico acima, João.
Lindíssimo tributo a uma grande Mulher, este seu texto Pedro. Tive também o privilégio de a conhecer pessoalmente. Culta, alegre e divertida. Dizer que o país ficou mais pobre é muito acertado.
Culta e divertida, sim. Quando a conheci, muito alegre também. Tinha a vida toda ainda pela frente.
Obrigado, Dulce.
Que bonita homenagem.
Comovida.
Uma verdadeira “belle toujours” e, ainda por cima, inteligente… Que maçada!
Quanto(a)s não terá irritado Clara Pinto Correia?
Que descanse em paz.
No país das pequenas e grandes invejas, Paula. Funcionam como ácido, por vezes letal.
Num país onde o “lobbying” raramente é assumido de forma transparente, o mais comum é criarem-se teias de interesses, de influências e de pressões, muitas vezes fundadas em certos “amiguismos”, há que favorecer os “compadres” e as “comadres”…
Por outro lado, e talvez o mais perverso, somos um país onde proliferam as “eminências pardas”, os “ungidos da intelligentsia” (Thomas Sowell), os pretensos iluminados, alegadamente pertencentes a uma certa elite intelectual, tanto do sexo masculino como feminino, que dificilmente “perdoam” a uma mulher por ser bonita e inteligente…
Tem razão, Pedro. O sucesso alheio ainda deixa muito(a)s a latir de inveja…
Clara foi vítima, desde muito nova, da maledicência alheia. Muita dessa maledicência, infelizmente, era feminina. Houve quem insinuasse que “Adeus, Princesa” não tinha sido escrito por ela. Houve até outra Clara que chegou a escrever uma crónica exigindo que não a confundissem com ela. Enfim, o costume em Tugal perante o sucesso alheio.
É um facto, Pedro, lamentavelmente indesmentível: muitas vezes, o pior inimigo de uma mulher é outra mulher… Enfim, é a psique feminina no seu pior, algumas vezes, com uma toxicidade equiparada à de alguns “valentões”, pretensos “machos alfa”…
Quanto à outra Clara, é muito provável que a mesma sofra da “síndrome última bolacha do pacote”, tal é a sobranceria frequentemente evidenciada…
Infelizmente assim é.
Caro Pedro Correia
Presto-lhe a minha homenagem, pela extraordinária…homenagem que, com estas palavras, prestou a esta Senhora.
Ela merecia, Mário. Obrigado.
Mulher ousada, linda, provocadora, muito à frente do seu tempo. Talvez cansada da vibração de uma cidade que já nada lhe dizia, adoptou cães e Alentejo como refúgio, partiu cedo demais.
Não será esquecida.
Não será.
Terá sido voluntário ou foi empurrada para lá pelas circunstâncias? É que no campo uma pessoa com um determinado percurso definha. Primeiro porque não encontra nada nem ninguém que seja estimulante, só encontra gente banal com aspirações deprimentes. Depois começa a perder acesso às coisas e ao momento em que elas acontecem. Depois começa a ser esquecida pelos outros que ficaram na cidade e que eram a promessa de a distância não fazer tão mal. Depois a cabeça começa a consumir-se sempre à volta da mesma ideia de se estar a perder o momento. E depois até a própria paisagem, sem encanto porque já lá passámos e afinal não é nada misteriosa (há mais casas e estradas logo a seguir), engole a criatura.
As circunstâncias empurram-nos sempre, mesmo que por vezes não pareça. Quanto a solidões, existem também – e de que maneira – nas cidades grandes.
Duvido que tenham surgido “circunstâncias” que a tenham empurrado para o Alentejo, terá sido, antes sim, o desencanto da vida em Lisboa, quer pelas invejas com que a apedrejavam, quer pelas traições de amigos e parceiros julgados de confiança. O isolamento a que se dedicou não acredito que a tenha definhado, desconhecemos o que produziu entretanto, mas uma coisa é certa: não era mulher que ficasse parada a olhar para o montado, não terá deixado de pensar, resta saber sobre o quê e se algum dia o saberemos.
Escreveu mais de 90 crónicas no último jornal onde colaborou – o jornal digital Página Um. Que merece ser publicitado.
https://paginaum.pt/
Obrigado Pedro, tomei conhecimento desta publicação pelo postal hoje publicado pela Cristina Torrão, em que nos dá o link para o que julgo ser a última crónica da Clara Pinto Correia.
Comentei no postal, boquiaberto com o que aconteceu, vou passar a frequentar esta publicação. Obrigado mais uma vez.
Não tem de quê, meu caro.
Num mundo de máscaras, vaidades e falhados, ousar ser superlativo, autêntico e livre é uma afronta. Isto num contexto de uma suposta classe mais evoluída, sábia ou investida é particularmente revelador.
Acabou-se “a deriva dos continentes”, fica o legado. Obrigado Clara Pinto Correia por ser autêntica, livre e superlativa.
Assim foi. Infelizmente tão cedo desaparecida.
comovente, todavia comum, quando partem os que nos sao proximos, e relativamente aos quais ficou por dizer ou fazer.
Mas é tambem a vida .
Pois é.
À Clara Pinto Correia
Admiração excepcional
Fica connosco su’ veia
É Super Única Imortal
Multifacetada Mulher
Longe de a ter conhecido
Estrela que veio a sofrer
Viveu um plano divertido
A vida deu-lhe de tudo
Do bom do menos dourado
Mas foi a Clara sobretudo
Seu belo estilo apurado
Acompanhei sua vida
À distância de um cidadão
Su’ inesperada partida
Deixou triste meu coração
Descansa em Paz Mulher Forte
Com teu Brilho incontestável
Temos todos muita sorte
Serás sempre inigualável
Roberto Afonso
(pseudónimo)