O Estado português trata mal os cidadãos. Assume que todos são falcatrueiros, uns sacanas que só querem é roubar à primeira oportunidade. Isto nas finanças, na segurança social, etc., etc. Pelos 2% de pecadores, pagam os 98% de justos, que são tratados a pontapé. O que é triste é ver a sociedade a assumir o mesmo erro: como conhece o Zé que tem um BMW e foge aos impostos, trata de assumir que todos os Zé fogem aos impostos, tenham ou não um BMW.
A confiança é um factor de qualidade da democracia. Neste ponto, ainda não saímos do Estado Novo, lamento informar.

Concordo absolutamente. Mas o contrário também é verdadeiro. A cultura vigente é: “se não te mexes vais ser enganado”. Sempre me fez confusão que à partida, toda a gente “saiba” que vai ser enganada alguma vez em alguma coisa — isto é, que as coisas não funcionem honestamente por defeito. Pelo Banco, pelas Seguradoras, pelos empreiteiros a quem comprou a casa, pelo patrão, pelo amigo, etc, etc… Será de nós ou será da espécie?
Estado velho, portanto.
Neste ponto não é tão cedo que sairemos do ESTADO NOVO e nos outros pontos importantes a ele estamos a regressar. Lamento informar…
Pior do que isso, Ana, é sabermos que os tais 2% de pecadores se safam sempre e que fazem parte, em grande parte, do próprio Estado. Neste ponto, saímos directamente do Estado Novo para a América Latina.