Concordo com quase tudo o que o Carlos Barbosa de Oliveira diz, logo abaixo, sobre os Independentes nas candidaturas autárquicas. Até nos casos concretos que apontou, mesmo quando os visados são pessoas por quem tenho estima. Mas, tal como ainda ontem à noite referi no ‘Porto Canal’, quem adere voluntariamente a um partido não tem o direito de se candidatar contra ele e fazer de conta que não aconteceu nada.
Ainda assim, há que distinguir, aqui, dois planos. Em Matosinhos, nada – a não ser a obsessão de continuar a ser o "Senhor de Matosinhos" – justificava a candidatura de Narciso Miranda contra o seu sucessor e camarada e compadre Guilherme Pinto. Em Valongo a situação é outra: Maria José Azevedo foi, em 2005, a candidata do PS à Câmara de Valongo, teve um excelente resultado e um bom desempenho como vereadora da oposição. Natural seria, por isso, que as estruturas do PS lhe renovassem o voto de confiança. Creio, aliás, que se Maria José tivesse sido a candidata do PS, poderia, desta vez, ter a vitória assegurada, contra um desgastado Fernando Melo (PSD).
Se no caso de Matosinhos talvez não houvesse nada a fazer, no caso de Valongo a história é outra. As estruturas concelhia e distrital do PS denotaram manifesta inabilidade ou, então, foram determinadas por motivos que nos escapam. E que têm a ver com a lógica da "mercearia" partidária – essa coisa pérfida que inquina a democracia.

O que queres dizer é que ele nunca mais será o Senhor de Matosinhos, mas ela poderia ter sido a Senhora da Boa Hora?
🙂
Bem visto. Acho que é mais ou menos isso.
Pois. É mais ou menos isso 🙂
Em Valongo, não sei se foi a Mª José que dividiu o PS ou se foi o PS que se subdividiu! Há muito tempo que aquela distrital precisa de um retoques, menos caciquismo e de ouvir sinais externos.
Mas, desde 2004, nada aprenderam.
Como se viu.
Ao que sei a Mª José já entregou o cartão de militante.
Só de retoques? Acho que deve ser coisa mais profunda….
Concordo. O PS Porto é uma amostra do pior aparelhismo, do mais calculista (a que ironicamente Narciso esteve tão ligado, ele que na noite em que “ganhou perdendo” se manifestou contra o mesmo aparelhismo que propagou). Maria José Azevedo teria certamente ganho a câmara de Valongo se os barões locais não tivessem querido satisfazer os seus desejos políticos muito próprios. Asoma dos votos das duas candidaturas é esclarecedora.
Mas concordo igualmente com o Carlos no seu post. Os “movimentos independentes”, à partida, não têm os meios e o conhecimento do terreno que os trânsfugas têm. Uma cara conhecida que queira continuar a presidir a uma câmara tem sempre uma montanha de apoiantes de última hora, de patrocinadores, de toda um conjunto de interessados na sua permanência, pelo novelo de relações e interesses que se estabeleceram ao longo dos mandatos. Uma verdadeira candidatura independente tem sempre dificuldades em avançar no terreno, seja pela falta de meios, de estruturas de campanha, e consequentemente, pelo esmorecer do entusiasmo dos seus apoinantes, com as escassas perspectivas de vitória. Ainda temos de andar muito até que os verdadeiros independentes alcançem um número significativo. Talvez a limitação de mandatos consecutivos ajude.
A avaliar pelos resultados, não tenho grandes dúvidas de MJA ganharia. Quanto aos verdadeiros independentes, ou são de facto figuras muito carismáticas e com hipoteses de ganhar, ou não vale a pena ir lá.
O teu post reforça a minha ideia. O aparelho do PS Porto é uma máquina de vender chouriços contrafeitos. .Podem ter bom aspecto, mas falta-llhes a certificação de qualidade
Às vezes nem bom aspecto têm, Carlos…
Bons olhos… te leiam!
Como diria o Jorge Coelho no tempo de Guterres, «estes independentes são imprevisíveis…»
Obrigado. Obrigado. Muito obrigado, João 🙂