
Angela Landbury em The Company of Wolves
Um colega de escola costumava dizer-me que se alguma vez se cruzasse com Jessica Fletcher, a protagonista de “Crime, Disse Ela”, fugiria como do Diabo porque as pessoas tendiam a morrer como moscas à sua volta.
O Sapo faz um resumo da longa carreira de Angela Lansbury, exercício sempre algo ingrato pela necessidade de condensar 80 anos em dois ou três ecrãs de texto (o limite de atenção do internauta-padrão), mas parece-me injusto não haver nem uma menção a um adorável filmezinho de culto de 1984 chamado The Company of Wolves. Na cultura popular, Angela Lansbury será sempre Jessica Fletcher. Eu, quando penso nela, é primeiro como aquela avozinha cheia de superstições licantrópicas.

Um filme muito engraçado e muito polémico na altura, The Company of Wolves, João, que tirava todas a aura a O Capuchinho Vermelho, como conto de fadas. A série da Mrs. Fletcher foi companhia de muitos fins de tarde de Domingo. Quanto a mim, relembro-a por “Se a Minha Cama Voasse” que devo ter visto no cinema com 9 ou 10 anos e The Manchurian Candidate, mas principalmente pela única e incrível e inimitável voz de Mrs. Potts, que embalou muitos sonos das minhas filhas.
Desejo-lhe uma viagem feliz, Dame Angela.
Subscrevo na íntegra…
Mais polémica ainda teria havido se o fim seguisse com mais fidelidade o conto original.
Hoje, bastaria o pormenor de um homem adulto seduzir uma adolescente para o filme ser cancelado antes mesmo de chegar às salas.
O original é bem mais sombrio e pleno de subentendidos e acaba com o Lobo de barriga cheia e satisfeito, depois de comer a avó e a neta, provavelmente em todos os “sentidos” do verbo. Nada de final feliz, nada de caçadores, não seria propriamente um conto de fadas, impunha-se por isso lapidar a história para lhe conferir outras facetas e o brilho necessário à mensagem de que o bem tudo vence.
Ainda bem que Nabokov não foi da geração correcta. O jogo da sedução tem tantas nuances que caçador e presa se perdem e se confundem. Claro que muito do que hoje é legislado como pedofilia, há 100 anos podia ser aceite com menos gravidade, apesar de ser considerado errado.
Tem razão, mas eu nem me referia ao conto “original original” e sim ao de Angela Carter no qual ela própria se baseou para o argumento do filme.
Há muitos anos li os Contos de Grimm, já de si inspirados nos contos de Perrault, em que não era tudo rosas e não havia final feliz. Em vez de histórias de adormecer, seriam mais contos de terror, caramba. A segunda versão do Capuchinho Vermelho já tinha o caçador e a jovem bem parecida já fora substituída pela criança inocente. Quase todas as histórias terão uma maior ou menor componente sexual e finalizam com uma moral.
Esta “adaptação de um conto inspirado em” ao cinema foi a de que mais gostei, sem dúvida, João.
Psicanálise dos Contos de Fadas, Bruno Bettelheim
https://www.youtube.com/watch?v=dkuUlUbi w54
em español
https://www.youtube.com/watch?v=UrdEdPTG HLM
em inglês.
obrigada , acho que nunca vi.
É um filme com que muitas pessoas embirram por não ter uma narrativa linear: são histórias dentro de sonhos.