Anitta no Rock in Rio


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Há vinte anos que fazem um grande festival musical ali em Chelas, julgo que, pois nunca lá fui, nas redondezas do Valsassina – onde estudei – e do velho Cambodja, zona dura onde nem nós, rapaziada dos Olivais, nos atrevíamos a pass(e)ar, a não ser os desgraçados que ali iam ao pó. Lembro que há tempos, estando eu no estrangeiro, lá foram os Stones e apareceu, de surpresa, o Springsteen. E que passados anos regressou este, já com a banda toda, e muito lamentei não ter lá estado, antes a rever os dos Glimmer Twins e, até mais, depois a ver o Boss.

 

Nos últimos dias os gerontes lusos com os quais tenho ligação no Facebook apinharam a minha “ração” de FB com postais sobre a edição deste ano: discutiram o plantel, gozaram com os artistas contratados, foram anunciando que os filhos (e netos) lá foram, e alguns gabaram-se de os terem acompanhado, etc. e tal. Foi um frenesim, o qual bem demonstrou a relevância para a cidade deste festival – ainda por cima neste pós-Covidoceno.

 

E hoje há imensa gente a protestar, insultar, uma cantora brasileira – Anitta, da qual nunca ouvira falar – por ter acenado a bandeira espanhola. Nem sequer se tratou de uma coreografia, apenas aconteceu que a mulher foi cantar junto ao público, um entusiasmado de primeira fila passou-lhe a Rojigualda, e ela continuou até ao palco e nele agitou a prenda por alguns momentos.

 

E cai o Carmo e a Trindade…! Um enorme coro de coirões insurgindo-se por tal ter acontecido no … “Rock in Rio” em Chelas! Como se dizia no meu tempo “Se a estupidez pagasse imposto, estava Fernando Medina eufórico”. Que patrioteiros imbecis.

20 comentários em “Anitta no Rock in Rio”

  1. A cantora, cuja especialidade é fazer tatuagens no rabo, não se pode queixar. Havia de ser na terra dela, com a bandeira argentina. Já não havia espetáculo.

  2. Pior que isso é ouvir Anitta que nem um rabo de jeito tem para apresentar. Um gajo dos Olivais não papa música para totós. A malta amansada de Chelas é que se deixa enganar.

  3. em 49 morei numa quinta perto e ia-se a pé a meia-noite.
    nas noites de fim de semana de verão havia sardinhadas e guitarradas.
    não sou saudosista

    1. Era o antigo bairro do relógio em Chelas relativamente perto do aeroporto, boa droga um gajo voava mesmo sem bilhete.

            1. Ficava ao pé da rotunda do aeroporto em Lisboa que tinha o relógio no morro pelo lado de Chelas e ia por ali fora.

            2. Ok mas era entre a 2ªcirc e a Av. do Brasil ou do lado da bomba para o lado da Pardal Monteiro onde é hoje a feira do relógio?

            3. Já me baralhei. Estão a falar do morro onde é hoje o Rock in rio e por baixo são as bombas de quem vem do Areeiro ou da Av Estados Unidos da America ?

            4. Estão a falar do morro onde é hoje o Rock in rio e por baixo são as bombas de quem vem do Areeiro ou da Av Estados Unidos da America

              Suponho que sim… Que eu saiba não há ali outro outeiro daquele género (“morro” é brasileiro

          1. Em Portugal há esta mania de que tudo é óbvio, mas não é. Parece os engenheiros informáticos que fazem formulários para o público em geral como se toda a gente soubesse o que são TLDs e A-records e um gajo quer registar um domínio e não se percebe nada.

            É esta a herança de décadas de funcionalismo público deprimente e pastoril: o jargão profissional. Desde os bombeiros aos GNR aos serviços às Finanças até os médicos … toda a gente fala na sua língua horrenda como se tivéssemos todos de passar pelas tragédias aborrecidas em que eles voluntariamente embarcam.

        1. Pote de água em Lisboa era onde os betinhos iam jogar snooker ao pé do mercado de Alvalade os outros acampavam no Camboja a consumir, a traficar e a morrer mais o diabo a sete. Barra pesada mil vezes pior que o Casal Ventoso. Ainda bem que acabaram com aquele bordel de droga, salvo erro na década de 90.

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