A propósito desta notícia, que explica que o novo filme de Lars von Trier terá uma versão censurada (também) na Europa do Sul. A expressão usada é, aliás, uma "versão católica para os mercados mais conservadores".
Exmos. Srs.,
Agradecemos o cuidado e atenção manifestados sobre a nossa sensibilidade, mas dispensamos o paternalismo. Estamos conscientes de que ver um filme de Lars von Trier implica riscos, nem que seja estéticos, mas preferimos ser nós a fazer essa escolha.
Com os melhores cumprimentos,
AMC

Encaremos o caso de frente: a iniciativa é do produtor e o realizador nem protesta. Portanto, vou ali e venho já…
O realizador é co-fundador da produtora. É muito provável que seja o próprio realizador a decidir como ficará a versão “censurada”.
Pior. Vou ali e… não sei se volto.
riscos estéticos são também éticos. e morais. a interjeiºção “nem que seja” anterior ao substantivo estético não assenta.
de resto, em concordância.
j
Repare a AMC que a produtora quer vender o filme também para exibição televisiva. É pois normal que queiram um produto “vendável” para exibição ao grande público.
Trata-se de uma pura estratégia comercial. Se a AMC comprar uns “douradinhos da IGLO” na Dinamarca também notará que eles são muito menos salgados do que os “douradinhos da IGLO” vendidos em Portugal. (E provavelmente se comprar “douradinhos da IGLO” na Índia sentirá que eles são distintamente picantes.) Trata-se de adaptar o produto-base aos distintos gostos de distintos mercados, com o fim de maximizar as vendas.
Isto só significa uma coisa: o filme em questão não é uma obra de arte, é antes do mais um produto comercial.
E ainda dizem que não há censura psicológica ?
Claro que existe !
Quer dizer, no Sul da Europa, e é isso que nos diz respeito, embora o resto do planeta também nos leve à apreensão, lá por ser considerada católica, tem uma versão censurada. E os habitantes do Sul da Europa que não são católicos? E os agnósticos e os ateus ?
“Continuamos “pior. Até a Dinamarca, liberal costumeira nestas coisas, se deixa levar por proselitismos.
Chocante !
Primeiro vende-se a versão censurada, mais tarde a versão integral, sem cortes em DVD. Sucesso comercial garantido. Não é bem o que espero de Lars von Trier, até porque costumo gostar dos seus filmes.
Ana,
o CEO da Zentropa poderá até vender uma versão censurada (a tal “versão católica”) do original, naquela retórica bacoca para este ou aquele mercado. O que é irónico é que qualquer delas será sempre a de um realizador…católico.