Aos demagogos do desemprego (2)


André Couto,

Depois de eu ter dito isto, diz-nos o último Semanário Económico que "Portugal é o País da União Europeia onde o desemprego menos subiu", segundo dados do Eurostat.

Gostava de saber onde se escondem por esta altura os paladinos do desemprego que todas as semanas enchiam os jornais, televisões e afins. Calculo igualmente que, se uma análise fizessem, este facto já não fosse da responsabilidade do Primeiro-Ministro…

 

(Imagem rapinada ao Câmara Corporativa)

17 comentários em “Aos demagogos do desemprego (2)”

    1. Como salientei na primeira parte deste post, eu também não.
      A minha única ideia é desmanchar o discurso demagógico de que a culpa de tudo isto é do Primeiro-Ministro. Não é, ponto. Pela sua acção temos, pelo menos, sentido de forma mais leve esta crise.

      1. Não digo e nem acredito que a culpa seja toda do PM, mas lembro que o PM, quando vista ao parlamento, tem sempre o cuidado de colocar a culpa nos anteriores governos.

        A acreditar nas palavras dele, o bom foi feito pelo actual PS, o mau é culpa dos outros.

        Acredito de facto que a crise é geral, que atinge tudo e todos, principalmente quando se tem uma economia como a nossa.

        1. Permita-me que lhe diga que o Primeiro-Ministro, de há um ano para cá tem, e bem, colocado a justificação para a situação actual na conjuntura internacional.
          Isso tem sido diversas vezes dissecado aqui…
          Concordo em especial com o seu último parágrafo.

    2. Nem significa que os outros estejam necessariamente pior, Daniel. Está sempre pior quem tem uma economia mais frágil, quem paga mais juros, quem tem um custo de vida mais elevado, quem vive com um PIB inferior, quem produz menos, quem exporta menos e quem mais tem de aguentar situações precárias.
      Já para não falar da realidade dos números…

      1. “Nem significa que os outros estejam necessariamente pior”

        É que não estão certamente, João.

        http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=365206

        “Portugal deverá cair este ano para a 33ª e última posição no “ranking” de riqueza criada por habitante das economias avançadas, revelam as últimas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre 2000 e 2008, Portugal recuou da 18ª para a 32ª posição. Este ano, arrastado pela crise, tocará no fundo, ultrapassado pela Eslováquia, destina o Fundo.”

  1. André,

    no post anterior disse-te isto:

    “Sócrates tomou posse era bem mais favorável em relação à actual. A média de desemprego na zona euro era de 8,7% e Portugal tinha um desemprego de 7,4%. No final de 2008, a zona euro tinha um desemprego médio de 7,6% e Portugal terminou o ano com desemprego de 7,8%.”

    Queres comentar? Ou vamos andar a fazer análises mês a mês?

    1. Jorge,
      Antes de mais peço desculpa por não ter respondido nessa altura e só o fazer agora.
      Quando Sócrates toma posse estávamos numa escalada negativa de evolução do desemprego. Em termos relativos a situação era melhor do que agora, mas a evolução era cada vez pior porque em Portugal o desemprego aumentava e na Europa descia.
      O que vês hoje é evolução ser cada vez melhor na medida em que na Europa o desemprego aumenta mais do que em Portugal, o que abre horizontes para que em breve se inverta este cenário interno.

      1. André,

        “o que abre horizontes para que em breve se inverta este cenário interno.”

        é do horizonte que tenho medo, porque as estimativas dos institutos internacionais não são famosas. Bem pelo contrário, o que eles dizem, quer no desemprego, quer no crescimento económico, é que nós agora no curto prazo, fruto da crise internacional, vamos passar por um período relativamente mau para todos, mas no futuro, quando todos os outros voltarem a melhorar, Portugal ficará para trás (seguindo o rumo que já traçava pré-crise internacional).

        Se a culpa nesse aspecto é de José Sócrates (e nunca só dele, mas também de Guterres, Barroso, Santana, Ferreira Leite, etc…), é outro assunto muito mais complexo de explicar, que não se resume nem em gráficos, nem em dados relativos a um único mês de evolução do desemprego.

        Mas, enquanto a discussão se ficar por ai, podes ter a certeza que nem tão cedo nos levantamos do buraco onde estamos metidos.

        1. Jorge,
          Concordo com a tua ideia de fundo e tens inclusivamente o meu aplauso. Esse é o cerne da questão. Temos de ir fundo na análise e definição de estratégias de longo prazo que nos levem a superar o marasmo e falta de crescimento das últimas duas décadas.
          Acho que o actual Governo empreendeu reformas de fundo que podem ir nesse sentido. Se foram suficientes? Talvez não.
          Ao contrário do que possa parecer, se defendo a actual Governação não é apenas pela minha militância, é muito pela coragem que acho que a tem caracterizado.
          Sei por experiência própria que para quem governa é bem mais fácil manter as coisas como estão, não levantar grandes ondas e aos poucos a água vai ao moinho. Sócrates não foi por aí e acho que essa coragem merece defesa.

          A minha opinião é de que esse período a que te referes tem como origem a forma como foram esbanjados os recursos que entraram em Portugal ao tempo dos Governos do Professor Cavaco Silva. Tivéssemos agido de forma diferente da de alcatroar o País e provavelmente estaríamos a outro nível…

          1. “Sei por experiência própria que para quem governa é bem mais fácil manter as coisas como estão”

            Obviamente, mas aí provavelmente discordaremos sobre se algo de verdadeiramente estrutural foi alterado na última década em Portugal. E mais, discordaremos sobre se o TGV e o aeroporto são a melhor opção para um país como Portugal. Essa é a minha principal preocupação nas próximas legislativas – que qualquer que seja o resultado, o próximo governo abandone esses projectos.

            “Sócrates não foi por aí e acho que essa coragem merece defesa.”

            Pois eu acho que de coragem pouco teve. Na saúde e na educação, sectores onde deu mostras de querer tentar renovar alguma coisa, cedeu em toda a linha. E mesmo na Segurança Social só adiou o problema, não o resolveu (embora na situação actual, tal já não tenha sido pouco). E mesmo nas contas públicas, contrariamente ao que apregoa, recorreu sempre a receitas extraordinárias tal como Ferreira Leite, a única diferença foi que nunca as publicitou como ela.

            “A minha opinião é de que esse período a que te referes tem como origem a forma como foram esbanjados os recursos que entraram em Portugal ao tempo dos Governos do Professor Cavaco Silva. Tivéssemos agido de forma diferente da de alcatroar o País e provavelmente estaríamos a outro nível…”

            Claro que os fundos foram mal aproveitados, mas Guterres não teve menos fundos que Cavaco. E não foram só os fundos, Cavaco e Guterres tiveram mundos e fundos com dinheiro de privatizações. E o que fizeram? Esbanjaram o dinheiro em coisas sem sentido e sem grandes proveitos futuros. E tivemos a adesão ao euro. A baixa da taxa de juro deu-nos capacidade de acesso a crédito fácil, pena que na altura tenha sido tão mal aproveitado pelos portugueses (garantiu-nos tão só cinco anos a viver no mundo dos sonhos). E sobre o alcatroar o país concordo contigo, mas não me parece que Guterres tenha feito menos km de autoestrada que Cavaco. Pior que isso, não me parece que o aeroporto, a terceira ponte sobre o Tejo e o TGV sejam muito diferentes disso.

      2. Você continua a falar de um assunto demasiado complexo, de forma demasiado simples para pretender explicá-lo com essa simplicidae. Só lhe fica mal e retira credibilidade a esses comentário como aqueles que está a produzir. Tenha alguam calma e pesquise primeiro. Depois então, escreva sobre o assunto, mas de forma mais consistente. Desta forma, não …

  2. Acho também que o André contra todas as demagogias deveria encabeçar um estudo sobre as limpezas efectuadas pelo IEFP. Isso sim, era anti-demagógico completo.

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