Que as autoridades judiciais do Malawi negassem a Madonna a adopção instantânea de uma órfã natural daquele país alegando que também ela teria de cumprir as formalidades exigidas em todos os processos de adopção, é compreensível. Mas justificar uma nega – como ouvi aqui há dias nos noticiários – argumentando que é contra as políticas do Malawi entregar crianças órfãs em lares destruídos (segundo a imprensa cor-de-rosa Madonna separou-se recentemente) é de uma arrogância inqualifícável.
Não discuto a sobranceria da star ao pretender levar para casa de um momento para o outro a criança que talvez por moda decidiu resgatar de um orfanato africano, mas pior é o que está na origem desta decisão judicial. É também de arrogância que se trata. E da pior: joga-se assim o futuro de uma criança a quem por milagre quase saiu a sorte grande.
Madonna vai recorrer. Faz bem. Se gosta e pode fazer de Pai Natal, só lhe posso desejar o maior sucesso.


Eu, por sinal, tenhos sérias dúvidas que a sorte grande, mesmo para uma criança do Malawi, seja caír de para-quedas no lar da sra. Ciccone.
Pelo menos, abominaria que hipotética filha minha, caso ficasse orfã, tivesse essa sorte.
Xarope: presumo que não seja fã da sra Ciccone. Por acaso também não sou, nem nunca fui. Nem como artista, nem como “civil”. Mas não é isso que está em causa, não acha? E claro que para uma orfã do Malawi esta é uma oportunidade única.
Realmente há coisas que estão para além da nossa compreensão.
Madona já teve grandes entraves aquando da adopção do outro pequenito.
Madona é uma figura pública, não sei qual o problema!
Para a criança, como diz, era a sorte grande!
Já agora, tenho conhecimento de duas crianças da Guiné Bissau que precisam ser operadas, urgentemente, ao coração.
Em Portugal já há operador, num grande hospital; alojamento e refeições para acompanhantes e para a recuperação das crianças.
O maior problema é as autoridades autorizarem a vinda das crianças e seus acompanhentes!!!
Não se entende estas atitudes!
Tem toda a razão. Parece uma versão neoafricana do “orgulhosamente sós”.
Virgínia, este caso que conta ainda é mais revoltante. Não dá mesmo para entender!
Eu que sou pacífica e em tempos acreditei que se devia dar o outro lado da face ( e isso marca além do que depois se compreende) nestas alturas acho que só à chapadona… A ser como conta, irra gente estupida!
🙂
Mesmo assim, prefiro a adopção de um Cão de Água português pela família Obama.
Compreende-se o anonimato: não é propriamente um comentário de bom gosto para o tema abordado.
Pois é, João. Alguns anónimos às vezes deixam-nos sem palavras.
O mais triste é que o preconceito vem, de quem foi e é uma das suas maiores vítimas; os povos africanos.
Patti: Não é politicamente correcto afirmá-lo, mas a verdade é que em matéria de preconceitos há muita reciprocidade. O ónus há muito que deixou de estar só do lado de cá
Inacreditável, Teresa.
Não há paciência para tanta hipocrisia e tanto ressentimento, Leonor!
Sem comentários. Ou melhor, apenas um: muito a propósito este post, Teresa.
Olá, Mike! Então e essa pauuuuusa, quando é que acaba? Com tanto Kit Kat ainda apanha uma dor de barriga!
Pausa terminada e abdominais em forma. ;D
Aleluia! (o cumprimento mais adequado, atendendo à quadra :)) )
Curiosamente esta decisão oficial do malawi poderia ter ocorrido mesmo em países europeus; pergunto-me se Portugal não seria capaz da mesma arrogância. A questão nem me parece tanto de arrogância mas mais de hipocrisia com base numa pseudomoral de raiz religiosa. E assim se atropelam os direitos dos mais fracos, neste caso das crianças!
Discordo. Obviamente, por ser em África é que se torna mais chocante recusar uma adopção com base em considerações subsjectivas e ocas de utilidade e sensatez. Nos países europeus, onde não seria tão chocante recusar a adopção, qualquer recusa seria sempre baseada na legislação vigente.
(O seu blogue é interessante, Adília. Se Freud tivesse um blogue, acho que ele iria gostar que fosse assim.)
Concedo em absoluto que o caso se torna mais chocante por ocorrer onde ocorre; mas o argumento do «lar desfeito» levou-me a procurar uma outra motivação que não apenas a da simples e estúpida arrogância. Essa motivação, se calhar, também teria pesado num país como o nosso.
Agradeço também a sua referência ao meu blogue; dada a ausência de comentários com que tenho sido brindada, já desesperava que alguém lhe estivesse a prestar qualquer atenção.
Um país do lado dito civilizado do mundo, o nosso incluído, não se rege por motivações de momento, mas por leis, como já disse.
Sobre o seu blogue, foi apenas uma graça. Tenho a certeza de que desperta muitas atenções.
É uma enorme arrogância de ambas as partes, sobretudo se enquadrarmos este dá cá, não dou, na tragédia que leva à existência de tantas crianças órfãs no Malawi e na África. A mãe da criança que a Madonna quer adoptar morreu cinco dias depois do parto. Morre uma mulher africana por minuto durante a gravidez ou durante/pós parto. Milhões que sobrevivem vivem com doenças relacionadas. Tudo devido a falta de cuidados de saúde, planeamento familiar, pobreza e desinteresse político.
Melhor que dar a um africano um bom futuro é proporcionar a dez, vinte ou cem e às mães deles um futuro digno. Ninguém fala delas, nem a Madonna, nem o governo do Malawi, nem a imprensa que segue a Madonna nas suas viagens a África.
TragédiaGeek: esse já é assunto que ultrapassa o alcance deste post. Mas claro que concordo consigo.
Sim, eu sei que ultrapassa, Teresa, e quase não comentei, mas quando se fala de arrogância nestes casos ela é tão mais profunda… quis apenas trazer essa perspectiva.
(sigo o que escreve há tempo suficiente para saber que também a preocupam estas questões)