As coisas que se escrevem


Patrícia Reis,

  

Não sei se convosco acontece o mesmo. Eu gosto de guardar revistas e jornais para poder confrontar certas previsões que se fazem dos factos. Voltei a fazer isso na recente campanha para as eleições em Portugal, que teve como pano de fundo o conflito entre Cavaco Silva e José Sócrates em torno do chamado ‘caso das escutas’.

Pego agora na revista Sábado, de 24 de Setembro (três dias antes do escrutínio), e releio estas linhas:

“A escolha que sobra aos eleitores é, de facto, entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã.” (Alberto Gonçalves)

“Como há muito conheço este cidadão acima de qualquer suspeita e este político impoluto e patriota [Cavaco Silva], quero crer que ele tenha mesmo algo de substancial a dizer-nos [sobre o caso das escutas].” (Maria João Avillez)

“No fim do caminho, Sócrates desperdiçou a confiança de um grande número. Precisa de se reconhecer um novo caminho. Ferreira Leite parece indicá-lo.” (Nuno Rogeiro)

Conclusão: vou continuar a guardar revistas e jornais.

20 comentários em “As coisas que se escrevem”

  1. Eh eh, é mesmo muito interessante esse exercício, normalmente só era possível conseguir fazer essa ” brincadeira” passados uns bons anitos, mas ultimamente cada vez vimos mais esse prazo ser encurtado… e até já tem acontecido no próprio dia apanhar com o ” baldito ” de água fria…
    Será que estes senhores tinham a ” coisa ” combinada?

  2. Só se pode tirar uma conclusão: alguém lhes trocou as vísceras dos animais sacrificados.
    A Constança Cunha e Sá também padeceu do mesmo problema…

    1. Refiro-me a Constança Cunha e Sá e a uma análise que fez no Correio da Manhã sobre as eleições ao Parlamento Europeu em que apontava para uma vitória inequívoca do partido de JSócrates .

  3. Vou atribuir um Selo VIP ao Delito de Opinião… daqui a pouco, no A Nossa Candeia.
    Abraço,
    Ana Paula

  4. Apesar de por aqui sermos (quase) todos amadores, a verdade é que fomos também quase todos muitos mais certeiros que estes ‘profissionais’ nas previsões feitas. No que respeita aos resultados das legislativas, apenas a troca de lugares entre o CDS e BE pareceu surpreender alguns, a mim inclusive. Quanto à substancialidade do que Cavaco teria para dizer ao país no caso das escutas, só mesmo quem não conheça o homem dos infindáveis segredos, suspeitas e tabus, poderia ter acreditado que algo de importante e sumarento viria dali. Finalmente, quanto à escolha à disposição dos eleitores, alguém mesmo acreditava seriamente que MFL, depois da péssima campanha que fez, poderia alguma vez ganhar as eleições?

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