As eleições e o cartão de cidadão


Rui Rocha,

Momento 1 – Em 2009, o eleitor substituiu o cartão respectivo e outros documentos de identificação pelo cartão de cidadão.

Momento 2 – Em 23 de Janeiro de 2011, o eleitor tenta confirmar o seu número no site disponibilizado pela Comissão Nacional de Eleições. O site não arranca, presume-se que devido ao elevado número de consultas. O eleitor tem uma vaga ideia do número, pelo que decide dirigir-se à escola onde decorre a votação na sua zona de residência. Chegado à escola, dirige-se a uma das 12 mesas de voto em funcionamento, precisamente aquela que corresponde ao que crê ser o seu número de eleitor. Não existe nessa mesa qualquer fila. Infelizmente, o número memorizado não corresponde ao número de eleitor correcto. Apesar da insistência do eleitor, a amável senhora recusa-se a procurar o nome nos números da lista próximos. O eleitor é remetido para um eficiente serviço colocado à entrada da escola onde lhe darão informação sobre o seu número. É um local desabrigado, ao frio. Felizmente não chove. A fila tem cerca de 20 pessoas. Deve ser rápido, pensa o eleitor entusiasta. Na verdade, nem por isso. O sistema está praticamente bloqueado. A espera foi superior uma hora. A fila, entretanto, passou a ter mais de cem pessoas. Às 14h43 o eleitor tinha já enviado a mensagem por sms que lhe permitiria também obter o número de eleitor. O eleitor escreve este post às 16h06 e ainda não recebeu resposta. Da mesma forma, o número telefónico disponibilizado com idêntica finalidade continua inacessível.

 

A situação já provocou incómodo a muitas pessoas e algumas desistiram mesmo de votar (presenciei vários casos). Espero que entretanto o sistema desbloqueie, sob pena de assistirmos a uma grave perturbação do processo eleitoral.

13 comentários em “As eleições e o cartão de cidadão”

  1. isto é uma vergonha. Depois queixam-se que as pessoas não querem ir votar

    eu por exemplo, tenho o cartão de eleitor num estado lastimavel porque o papel é de má qualidade.

    Não chega o BI para votarmos?

    em Portugal, o nosso principal problema é o demasiado uso do papel!

        1. Com a competência revelada pela equipa que está a conduzir o processo, se avançarmos para o voto electrónico, no dia das eleições ainda nos saem torradas do terminal, Francisco.

  2. Não há trafulhice que não lembre ao governo do falso engenheiro.
    Esta do boicote governamental à votação, forçando a maior abstenção de sempre, é de mestre!
    O pulha e capangas não recuam ante seja o que for que lhes proporcione mais algum tempo de poleiro.
    Mas lá chegará o dia da vingança… Oh, se chegará!

    1. Carlos, como não sou de intrigas, acho que foi só mesmo uma questão de incompetência. Aliás, se existisse um objectivo deliberado de boicotar, com a competência desta gente, o mais provável é que falhassem. E que tudo corresse bem.

  3. A culpa foi, é e será sempre do sistema, seja de que sistema for, não interessa. O sistema foi, é e será sempre a vítima fácil do próprio sistema, seja de que sistema for, não interessa. Confuso?! Talvez, a culpa é o do sistema, estúpido!

    (adenda: entenda-se por “estúpido” o sistema, claro)

  4. Podem fazer a melhor das reformas administrativas, mas enquanto houver neste alegado país a mentalidade inquisitorial e burocrática de quem está do outro lado, nada funcionará.
    Mas porque carga d´alhos é que aquele D. Afonso Henriques teve que se virar contra a mãe? Filho de uma boa senhora…….não fosse esse avilte, hoje éramos espanhóis.

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