O país do TGV, do novo aeroporto de Mário Jamé Lino e dos fatinhos Armani da classe dirigente é o mesmo que deixa morrer o património histórico e cultural. Percebe-se: reabilitar monumentos não dá votos. Mais vale inaugurar cento e oitenta e quatro rotundas e quatrocentos e sessenta e três fontanários. O que vale a janela do Convento de Cristo comparada com o computador Magalhães, distribuído como bacalhau a pataco?
As pedras não dão votos
Patrícia Reis,


Bem visto, compadre. O País é assim: o património histórico é tratado como se nada fosse. O matrimónio também: a culpa morre historicamente solteira…
Sobre o TGV (http://mudaportugal.blogspot.com/2008/10/tgv-e-o-pendular.html) e o Magalhães (http://mudaportugal.blogspot.com/2008/12/o-sucesso-do-magalhes.html) estamos conversados.
“Perco” algum do meu tempo livre a visitar Portugal. A maior parte das vezes faço visitas ao nosso património historico-cultural.
Ainda este fim-de-semana estive a visitar o castelo de Palmela por exemplo.
É de facto triste ver o estado físico a que chegam as coisas.
Recomendo-lhe uma visita ao castelo de Lanhoso, meu caro (se ainda não o fez). Só por isto: a condessa D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques e reconhecida pelo Papa como Rainha de Portugal, esteve aí presa. A partir de então, parece que ficou traçado o nosso drama…
Se quiser passar por Mafra um destes dias caro Pedro poderá ver duas coisas fantásticas: os carrilhões do Palácio Nacional que já lá vai uma década estão calados porque se tocarem caem, e a metade traseira do dito monumento que, ao contrário da metade frontal, vai mantendo a sujidade de há 60 anos, e isto porque há 15 anos alguém no ministério da Cultura achou que bastava limpar meio Palácio para turista ver. Não faltarão certamente, e infelizmente, outros exemplos.
É chocante, Helder. Isso e tanta coisa mais na área do nosso património. Infelizmente, a opinião “esclarecida” não se preocupa com essas minudências.
O frontispício do Palácio e Convento de Mafra limpinho ‘para inglês ver’ é, infelizmente, um hábito generalizado entre nós. Nem é preciso ir longe: muitas das ruas mais próximas do Terreiro do Paço sofrem do mesmo mal; no Porto, então, as ruelas mais recônditas da Ribeira constituem outro triste exemplo. Casos destes são como os seus decisores: vivem da fachada…
Absolutamente degradante! Longe vão os tempos do “BOLETIM DA DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS”, editado mensalmente.
Para governar um país não basta ser-se o mais votado, é necessário ter capacidade para tal, caso contrário os resultados serão catastróficos.
A capitulação de Portugal está cada vez mais próxima.
muito bem Pedro.
escrita acutilante ou talvez até abrasiva como eu gosto.
ainda vamos criar um blog juntos.
boa sorte a este blog, com o qual me espero informar e divertir.
Obrigado pelos simpáticos votos, meu caro.
Abraço
Não vale nada até ao dia em que possa votar, Pedro.
O Nuno Carvalho chamou à colação, com toda a propriedade, o denominado “BOLETIM DA DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS”.
Trata-se de uma excelente publicação do tempo do Estado Novo, onde parece que, afinal, a cultura era mais importante que hoje.
Irónico,não é?.
O magnifico “BOLETIM DA DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS” continuou a ser publicado até ao ano passado, quando este Governo decidiu extinguir um dos melhores serviços de salvaguarda e restauro de património do Mundo, com técnicos de altíssimo gabarito e sentido de responsabilidade civica e ética. Não tenho qq interesse pessoal nisto, mas tive por motivos academicos de estudar os procedimentos da extinta DGEMN e sei do que falo.
Ainda na primeira metade do século se deveu à DGEMN a salvaçao de centenas de monumentos portugueses, intervindo com obras e restauros que, apesar de serem esteticamente condenáveis aos olhos do sec XXI, possibilitaram ainda termos castelos e palácios de pé.
Agora , com a extinçao, ficou apenas o IPAR ou o seu sucedâneo a tratar dos monumentos, o que – pela triste amostra do que tem feito e dos bilioes que gasta com projectos pretenciosos e inexequiveis, está igualmente condenado a finar.
Meus caros, o sr. Socrates tem um projecto pessoal que coloca á frente de tudo. E ele e seus apaniguados estão a desmantelar Portugal às postas, como uma rés, para vender ao desbarato.
Ou começamos tudo de novo, refundamos este país com a pouca gente de bem que ainda não enlouqueceu ou fugiu, ou então façamos-lhe as exéquias!
O Expresso lá veio fazer mais o seu fretezinho ao Governo da República, dando a entender que a privatização é uma boa coisa porque permite salvar os monumentos. Afinal nós estamos todos muito pobrezinhos e o Estado não tem dinheiro para pedras mortas.
Aceitam-se apostas sobre o próximo orgao de comunicaçao social a aderir à campanha de privatização do patrimonio cultural de Portugal.
hoje também falo deste assunto no Vilaforte.É uma vergonha Nacional.
Já lá vou espreitar, Pedro.
Caro Pedro Correia,
Votos de sucesso para este projecto do Delito de Opinião!
É com prazer, ainda que pelo motivos errados, que assisto a uma referência ao património histórico-cultural deste país. A sua permanente secundarização (ou esquecimento e abandono mesmo) no seio das políticas culturais e da política em geral deve ser sempre motivo para nota (sem ser de rodapé) e lembretes nunca são em excesso. É o mínino que podemos fazer. Agradeço-lhe por isso.
Eu é que agradeço este contributo, André. Apareça sempre.
Como eu vos compreendo.
Tenho uma filha que estuda conservação e restauro, por paixão!
Dói visitar património e vê-lo no estado em que está…..
Pois dói, Fátima.