As promoções na função pública afectam os saldos


Rui Rocha,

O leitor, conhecedor exímio dos meandros do negócio em geral, sabe bem que saldos não são promoções. Os saldos têm uma época própria, bem determinada no calendário. As promoções são uma antecipação. Acontece que os comerciantes, aflitos com o evoluir do negócio, socorrem-se de uma subtileza semântica para ganhar mais uns cobres. Para não se verem afectados pela perda de poder de compra. O resultado final é o mesmo. Mas, se lhe chamarem promoções, livram-se de coimas, inspecções e outros incómodos. O que acontece é que as promoções prejudicam os saldos. Aqui, intuo no leitor um certo desassossego. Pois é verdade. Se o negócio se antecipa, pouco resta depois para saldar na época pertinente. Agora, o que são as coisas, aprecie-se o enorme paralelismo entre a prática comercial e outras negociatas. Repare-se como estas promoções também se destinam a antecipar receita. Prevenindo a perda do poder de compra. E como também afectam os saldos. Entendidos estes como os das contas públicas. É claro que a analogia não é perfeita. Nada na vida o é. As promoções do comércio chegam aos 50% e as da função pública só atingiram no final de 2010 uma variação de 15% face ao ano passado. Coisa modesta, não lhe parece? A maior miséria é mesmo ser pobrezinho a pedir. E as promoções dos comerciantes são admitidas por lei e não violam a moralidade. As dos funcionários públicos, por seu lado… Pois. O privilégio de escrever para um leitor informado é poder deixar-lhe a maçada de tirar conclusões. E é claro que o leitor, avisado como é, também sabe como tudo isto vai acabar. Certo?

2 comentários em “As promoções na função pública afectam os saldos”

  1. Rui,
    Os meus parabéns aos promovidos!
    (Conseguiram safar-se, danados!)
    Os “promotores” seguiram o exemplo de, pelo menos, um dos “sponsors” do ano: Zeinal Bava -PT.

    1. Pois quer-me bem parecer que estamos já na fase do salve-se quem puder. O que só piora as coisas. A seguir a uma medida dura, nada melhor que uma repartição desigual para acentuar a violência da dita.

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