Assim não


André Couto,

Leonor Coutinho deu ontem nota da sua indignação, indignação que partilho. É inconcebível que seja em plena segunda semana de Julho, a dois meses das eleições, que se definam as regras para um ciclo eleitoral que há anos estava delimitado no tempo.

Um dos problemas que temos na política interna é a incapacidade de atrair bons valores e boa gente, esses amiúde apostam no privado onde não conhecem tanta exposição e são remunerados a um nível superior. Esta medida agora aprovada reforça essa incapacidade. A política no Partido Socialista deixa de ser algo previsível e aquilo que era verdade ontem passou a ser hoje mentira, o que é especialmente grave tendo em conta que se trata de opções de destino de vida e de carreira feitas por muita gente.

Não está em questão o mérito da decisão. Como já afirmei, concordo plenamente com a não permissão de duplas candidaturas. O Partido Socialista possui bons quadros, de sobra para enfrentar este ciclo e subsequente governação com sucesso. Para além disso é justificável, numa óptica de rejuvenescimento do Partido, a aposta em novos valores e credibilidade junto do eleitorado.

Situações que são iguais (Ana Gomes, Elisa Ferreira, Leonor Coutinho, Sónia Sanfona, por exemplo) estão a ser tratadas de forma desigual, sendo os critérios díspares e imprevisíveis. Se a alteração é feita posteriormente, no mínimo que se peça também a Ana Gomes e Elisa Ferreira que optem desde já pelo Parlamento Europeu ou pelos respectivos municípios.

Não é assim que se define um bom rumo interno e também não será em cima do joelho que se conquista a confiança dos portugueses.

18 comentários em “Assim não”

      1. Não vou procurar fundo, mas entendo que Sócrates tinha mais vantagens se desviasse a oposição para outros temas até deixar cair a discussão em torno dos candidatos duplos. Esta decisão é um ponto falhado da estratégia que lhe convinha.

  1. Aplaudo a isenção, André. E concordo em absoluto com a conclusão que tiras: não é assim, com esta alteração permanente de critérios “conforme o que dá jeito”, que o PS reconquista a já desgastadíssima confiança de quem lhe deu o voto antes. E muito menos novos eleitores.

    1. O que não significa, devo acrescentar, que concorde com o princípio das candidaturas duplas, que considero profundamente desonesto e um mau princípio.

      1. Exacto. Não é o mérito da decisão que está em questão mas sim o tempo. Ainda poderia aceitar se Ana Gomes e Elisa Ferreira tivessem de optar, daria coerência e abrangência à decisão que seria justificada pelos tempos difíceis que o PS vive. Seria uma decisão fora de tempo, censurável mas ao menos cortava a direito com base num erro assumido.
        Assim dá ar de filhos e enteados, não compreendo.

  2. I Parte

    O sol tentam tapar
    com uma peneira,
    é uma forma de destapar
    a tremenda bandalheira.

    Por puro oportunismo,
    apanágio dos socialistas,
    tamanho é o cinismo
    nestas decisões moralistas.

    Esta falta de autenticidade
    na política socialista,
    alimenta a mendicidade
    desta gente calculista.

    II Parte

    Os erros capitais
    de uma legislatura falhada,
    são tantos e fatais,
    ficando a nação esfrangalhada.

    As crenças adolescentes
    e a propaganda encomendada,
    originaram caos efervescentes
    numa política trucidada.

    A exacerbada autoridade
    criou uma zanga colectiva,
    aliada à falta de verdade
    de uma política subjectiva.

  3. Já sabemos que o Sócrates tem andado a enganar os portugueses. Agora, ficamos a saber que também engana os portugueses “camaradas” de partido.
    O irónico da coisa, é que com toda a polémica à volta das duplas candidaturas, para Coimbra ainda nem meio candidato arranjaram.
    Isto tudo, estando no poder. Se perdem as legislativas e Lisboa, então o melhor é fugir.

    1. Meios candidatos temos em todo o lado. Em Leiria por exemplo há uma: Isabel Damasceno, o Valentim Loureiro lá do burgo. A Manela quer, a estrutura local não. Divergências internas?

      Por outro lado temos o Rangel. Criticar Elisa Ferreira e Ana Gomes é bonito, ser coerente e dizer que vai cumprir o mandato para que foi eleito, pondo de fora um regresso para formar Governo é que não. Conheço essas coerencias.

      Não atire pedras que os telhados de vidro são mais que muitos. Deixe-se ficar em silêncio para que a porcaria que suja o copo não venha toda ao de cima.

      1. Já várias vezes tenho visto o Rangel trazido à conversa. Na minha opinião, está-se a falar de situações diferentes. Tanto quanto eu sei, pertencer a um governo não implica uma candidatura, implica um convite. Paulo Rangel não se candidatou a mais nada que ao Parlamento Europeu. Limitou-se a dizer que, se for convidado para o Governo, pondera sair de Bruxelas.

        1. Caro João Sousa, isso é o mesmo que dizer que uma moeda de euro francesa não é igual à portuguesa.

          Paulo Rangel não se candidata a nada para além das Europeias, apenas diz que se a Dra. ganhar volta para formar Governo com ela, deixando de cumprir voluntariamente o mandato para o qual foi eleito, em função de um lugar melhor. Seja então coerente e opte já por um ou por outro.

          O que é lixado na política é que a coerência é uma coisa muito fácil de apregoar mas muito difícil de cumprir. Quando toca aos bolsos e às influências é o cabo dos trabalhos para lhe atender.

      1. É por isso mesmo que a discussão é do tipo corporativo.
        Alguns não querem correr o risco de concorrer e perder um de dois lugares eventualmente disponíveis.
        O exemplo da Leonor Coutinho é paradigmático. Ela sabe que não tem qualquer chance em Cascais. Se soubesse antes que não se podia candidatar a outro lugar acha que aceitaria a candidatura à Câmara ?
        De certo modo, isto até é bom para educar quem considera a existência de lugares cativos na política.

        1. Está muito enganado a esse respeito. A Leonor Coutinho já tinha posto o seu lugar de Deputada à disposição, tal como o Paulo Pedroso. A esses dois faço-lhes a defesa da honra pois são exemplos raros de seriedade na política em Portugal.
          Amanhã escreverei sobre isso.

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