Assim vai o Mundo


Carlos Barbosa de Oliveira,

O fim das top-models? Qualquer dia, até a Miss Universo será um robô.

 

Sida alastra em Washington: Como irá reagir Bento XVI?

 

Ingrid Bettancourt: afinal havia outro  Começa a perceber-se aquela encenação da libertação?

 

Medvedev anuncia rearmamento da Rússia para responder à expansão da Nato. Que é que esperavam?

 

Papa inicia visita a África da pior maneira. Contra os preservatrivos, Bento XVI recomenda abstinência.

 

El Salvador vira à esquerda. Não tarda nada vão começar a chamar-lhe ditador…

 

Cimeira da água em Istambul. Nestas alturas, vale a pena lembrar que a guerra do Darfur começou por ser uma guerra da água.

 

Negócio da "lingerie" prospera. Sempre disse que a crise era uma oportunidade de negócio…

 

Onde está o dinheiro? AIG recebeu dinheiro dos contribuintes americanos e distribuiu-o pelos seus administradores e Obama está furioso.

 

Coreia do Norte: Abriu uma pizzaria em Pyongyang. O povo norte-coreano continua a passar fome, mas o gosto de Kim Jong-il pela comida italiana foi determinante para a abertura do regime mais opressor do globo às iguarias gastronómicas do mundo ocidental (sem link).

25 comentários em “Assim vai o Mundo”

  1. Que não se saiba onde pára o dinheiro ou que El salavador vire à esquerda ainda vá que não vá… mas o fim das Top Models? Está tudo louco?

  2. Tal como assinalou o Daniel Oliveira no blogue Arrastão, quase toda a América do Sul virou á esquerda. Muita extrema-esquerda.

    Não auguro nada de bom para esses países que são governados pela extrema-esquerda.

    Aliás, um bom exemplo da marcha-à-ré pode ser visto na Venezuela desde que Chávez tomou o poder.

    A liberdade vai-se esvaindo… é isto que querem aqueles povos?

  3. A única coisa que não pode surpreender é o Papa iniciar a visita a África (não contra os preservativos, mas) a lembrar os deveres de castidade.
    A Igreja não pode pregar defesas para os comportamentos que condena, mas compete-lhe pregar o seu padrão de comportamentos. É normal.

    1. Será normal, João, mas tem consequências gravíssimas. De cada vez que a Igreja condena o uso do preservativo, está a condenar à SIDA (e à morte) uma quantidade de gente que vê nesse argumento “abençoado” uma desculpa para o facilitismo. Porque os tais comportamentos não deixam de existir, como todos sabemos…
      Em países como as Filipinas, por exemplo, o argumento pesa e as consequências são trágicas.

      1. Não posso concordar, Ana, na perspectiva da Igreja. Repare que a Igreja só pode pregar os seus padrões.

        Por outro lado (e tenho a certeza de que concordará), ninguém ouve a Igreja quando não lhe convém. Por que raio a Igreja precisaria de dizer que usem o preservativo?

        Não acha que a Igreja também sabe que não é preciso pregar o preservativo e que não faltam pessoas, movimentos e instituições a fazê-lo? Aí está a resposta à sua (nossa) angústia. E a Igreja sabe-o muito bem e aceita silenciosamente que as ‘fraquezas’ sejam protegidas com outras ‘fraquezas’. Porque também é bom não esquecer que a Igreja tem movimentos e instituições em todo o mundo a prestar muito mais assistência do que os Estados. À sida também.

        Concordamos? Tenho para mim que é importante concordarmos, não sei bem porquê.

        1. Concordamos… quase, João, mas não completamente (comove-me essa sua vontade de que eu concorde consigo, sabe?). Percebo o que diz, e percebo as razões. Mas essa velha táctica enviesada da Igreja Católica, de fechar os olhos às entrelinhas e de deixar que o “trabalho sujo” (neste caso, não acho que seja trabalho sujo defender o uso do preservativo, note-se) seja feito por outros, nunca me agradou muito. Admite-se que é um mal necessário? Então defenda-se. Pensa-se que é pecaminoso e inútil? Então condene-se. As meias tintas é que não me convencem.

          Eu sei que a Igreja tem um trabalho admirável no pós-drama, mas acho que deveria ter também a responsabilidade da prevenção.

          1. E tem, Ana: abstinência sexual, castidade. Esse é o papel da Igreja.

            De resto, faz parte da educação e até vai ao encontro dos valores que são comuns. Não é socialmente desejável, no mundo dito civilizado, andarmos por aí feitos coelhos…

            1. João, não seja snob… não estamos a falar de cidadãos ocidentais “civilizados”, preocupados com o que é ou não socialmente desejável, mas de pessoas que não só não fazem a mais leve ideia do que isso possa querer dizer como têm muito mais com que se preocupar. Sobreviver, por exemplo. Ou comer. Gente para quem o sexo é o único prazer que resta (de borla, ainda por cima) e a única compensação de uma vida de que nem imaginamos os contornos…

            2. Falei de educar, Ana, e não de embalar a situação da desgraça. A Igreja educa. Educa mesmo e, às vezes, educa ao seu modo, quando se trata de padrões.

              Não estou a dizer que concordo ou se aceito. Estou apenas a entender o que é a Igreja para que a reflexão sobre ela faça sentido.

          2. Não quero exactamente que concorde comigo. Eu é que acho que esta e outras análises às posições da Igreja e do Papa devem ser feitas à luz da própria Igreja e do Papa. De outro modo, estaremos a falar de coisas diferentes.

            Por exemplo: podemos defender que o Estado consagre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Podemos, sim. Mas não podemos esperar que a Igreja o faça. E menos ainda criticar que a Igreja não o faça.

            1. Nisso estamos inteiramente de acordo (vê? ainda há uma esperança…). Mas atenção: a inversa é igualmente verdadeira. Por que carga de água tem a Igreja de opinar sobre o casamento civil (seja entre quem for), um acto que lhe é totalmente alheio? Essa confusão está generalizada nos países de tradição católica… se a Igreja não gosta de intromissões nos seus assuntos, não se intrometa também nos que não lhe pertencem, não acha?

            2. Não, Ana, não acho. Se a Ana, eu e toda a gente pode opinar, se há movimentos, partidos e congregações que podem opinar, por que motivo a Igreja ficaria afastada?

              A Igreja tem até o dever de opinar, porque essa é uma mera forma de também pregar. Tem os seus conceitos sobre o casamento, a família, etc., por isso tem obrigação de defendê-los. Estranho seria que não se pronunciasse.

              O facto, aliás, é hoje genericamente entendido e aceite. Repare como partidos e movimentos actualmente declaram compreender a posição da Igreja sobre o tema. Declaram-no e acrescentam que se trata de um assunto político, do Estado, da sociedade civil, como é óbvio. Mas a Igreja pode e deve ter a sua intervenção: não pode nem deve viver de costas voltadas para a sociedade e fingir que ignora as polémicas que a dividem.

            3. Pois então voltamos a discordar. A Igreja até pode opinar (todos somos livres de fazê-lo) mas não devia ser consultada, com pompa e circunstância, sobre um acto de mero direito civil. O casamento religioso é um sacramento, o casamento civil é um contrato entre duas pessoas, cuja finalidade é a protecção legal de direitos e deveres nele consignados. Só isso. A Igreja não tem de pronunciar-se sobre um acto aplicável também a quem não é católico, ou sequer religioso. Está no seu inteiro direito de defender os seus conceitos de casamento e de família e até de ser intransigente sobre eles, mas dentro do seu universo e não agindo como se o Estado fosse pertença sua.

              Quanto a “viver de costas voltadas para a sociedade” e para o que se passa no mundo, também acho que não deve. Era disso mesmo que eu falava, quanto ao preservativo…

            4. Claro que a Igreja não deve ser consultada e essa eu não entendi. Mas pronuncia-se, sim, sobre o casamento, mesmo sobre o casamento civil e sobre os não-católicos. Porquê? Porque à Igreja cumpre atrair a si os não-católicos e defender o seu conceito de casamento e família, independentemente de ser entre católicos ou não. Com que direito? Com o mesmo que leva a Igreja a educar e a prestar assistência acima de todos os Estados, a todas as pessoas que dela precisam, sem olhar a diferenças, nem sequer de crença ou comportamentais.

              Não encontramos na Igreja qualquer espécie de discriminação relativamente ao imenso papel educacional e assistencial que desenvolve no mundo. E isso dá-lhe direitos. Incluindo o de defender a sociedade à luz do seu entendimento. Não me parece que venha daí algum mal ao mundo. Até porque congrega alguns valores que são comuns à generalidade das pessoas e das sociedades.

              Respostas sobre a realidade? À luz dos seus princípios, parece ter todas. Abstinência sexual e castidade, etc., por exemplo. Educar é um meio de defesa. Perante povos que não sabem ler e escrever, damos resmas de papel e muitos lápis para rabiscar? Não: ensinamos a ler e escrever.

              No meio disto tudo, a palavra dos homens da Igreja é perfeita e sempre adequada? Não deve ser. Isso tem muita importância? Também não deve ter. -a nossa também não é. Mas hoje, definitivamente, não devo estar nos meus dias.

            5. Pelo contrário, está até muito eloquente… não que me convença de tudo o que diz, mas o problema é meu, que sou teimosa. Ficaria aqui mais duas horas a contra-argumentar, com muito gosto, mas já estou cheia de sono.
              Isto não é uma rendição nem uma fuga e a discussão está óptima, mas vou dormir. Não parece, eu sei, mas amanhã trabalho!

              Havemos de continuar o ping-pong! 🙂

    2. Concordo que o Papa defenda a castidade, se são esses os valores da ICAR. É absolutamente normal e até esperado (sou, apesar de ateu, completamente a favor do proselitismo religioso, não gosto de meias tintas). Aquilo que o Papa não tem o direito de fazer (quer dizer, direito até tem, pode é ser desonesto) é dizer que a SIDA não se combate com preservativos e que o usod de preservativos só complica a situação, afirmando que a abstinência sexual é o caminho a seguir.

      Infelizmente isto tem duas falácias bem claras. O uso de preservativos ajuda ao combate (embora não seja uma panaceia universal, obviamente). Por outro lado, a abstinência sexual, onde tem sido promovida como alternativa ao uso de preservativos, não tem apresentado efeitos benéficos (li uns estudos não há muito tempo, lamento que já não saiba onde).

      Resumindo: o Papa pode e deve promover abstinência sexual fora do casamento e fora do intuito de procriar e se um dos parceiros tiver SIDA. É isso que a doutrina católica propõe. O que não deve é afirmar que é essa a solução para o problema e que o uso de preservativos não ajuda, porque isso é falso. A Igreja deve ser uma religião do espíritual mas, se se pronuncia sobre os assuntos seculares, então tem que ser ligada à realidade.

  4. Ora chego aqui e vejo que, durante a madrugada, se estabeleceu um belo diálogo nesta caixa de comentários. Sem querer meter a foice em seara alheia. permito-me apenas repetir o que já escrevi lá no CR: a Igreja NÃO PODE colocar em causa o trabalho de milhares de voluntários de ONG ( entre os quais, curiosamente, se encontram muitas religiosas) nem ser HIPÓCRITA!
    Bento XVI é um Papa sem senso comum, que está a contribuir para afastar os católicos . Talvez queira ficar apenas com meia dúzia deles, mas bons… Não venha é queixar-se de falta de vocações, porque entre os exemplos que a Igreja dá na sua prática interna e aquilo que proclama aos seus fiéis, vai uma distância abismal.

      1. João, ontem fui dormir com uma dúvida: afinal de contas, o que tem a Igreja contra o uso do preservativo, se nem sequer é um método abortivo? Impede a fecundação, é certo, mas também o método das temperaturas e o das célebres “contas” a impedem, e são aceites e até recomendados pela Igreja. Porquê esta embirração com o preservativo?

        (já fiz a pergunta noutro sítio, e gostava muito que alguém me explicasse a razão de tanta aversão a um método que, comprovadamente, ajuda a evitar a propagação de doenças venéreas, incluindo a sida)

        1. Não sei bem, Ana, mas penso que a Igreja vê o preservativo como um convite à prática sexual. Ou seja: algo que fomenta uma prática que a Igreja condena fora do casamento.

          1. Se é só isso, as razões caem pela base. Para ser coerente, a igreja terá de passar a combater também o cinema, a televisão, a literatura, a música, as artes plásticas, o pôr-do-sol, as praias, o Verão… e mais um infindável número de convites à prática sexual, a começar pelas hormonas que todos temos…

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