Habituei-me desde o início desta caminhada já longa que levo de profissão a considerar os meus companheiros de ofício como membros de uma família alargada que integro com inteiro gosto. Sucede assim com quem trabalha diariamente comigo, com quem já trabalhei, com quem conheço bem e até com quem só conheço de nome. Somos elementos de uma vasta equipa, unidos por um código deontológico que nos serve de guião e pelo mesmo imperativo de levarmos diariamente informação a quem nos lê ou nos escuta. Não é por acaso que muitos de nós – como eu sempre fiz – nos designamos camaradas: a camaradagem, nas boas e nas más horas, é para nós um posto de que não abdicamos.
As distâncias, físicas e temporais, são irrelevantes neste caso: tanto nos interessa acompanhar o percurso de alguém com quem trabalhámos até há poucos dias como de alguém que não vemos há anos. Podemos por vezes zangar-nos, podemos até deixar de nos falar por algum tempo, mas o sentimento de que fazemos parte de uma tribo muito especial permanece – e este traço de união acaba por prevalecer. Como diz aquele verso da canção, é mais forte o que nos une do que aquilo que nos separa.
Vem tudo isto a propósito da inesperada morte de um companheiro de trabalho do DN, de que tomei conhecimento ontem à noite. O Daniel Lam era um bom repórter, um bom colega, um homem bom. Olhar para o lugar vazio que deixa na Redacção é sentir que cada um de nós partiu um pouco também com ele.
Até sempre, camarada.

Excelente nota, Pedro. Mais uma, porque infelizmente te calhou outra vez. Deixar camaradas assim, e partir, como fez o Daniel, é ficar de outra maneira. Um abraço.
Sem dúvida, Fernando: é ficar de outra maneira.
Abraço.
Um beijo, Pedro. Raio de vida que nos prega estas partidas.
A quem o dizes, Leonor… Beijinho.
Um excelente camarada e, principalmente, um homem bom. O Daniel era uma daquelas pessoas que gerava consensos: toda a gente gostava dele. Até sempre Dani.
Abraços, Pedro.
O Dani era exactamente assim, Vítor. Um abraço.
É uma tribo complicada, muito dividida, mas concordo contigo quando dizes que “é mais forte o que nos une do que aquilo que nos separa”. Em momentos como este percebe-se bem. Beijo.
Por vezes somos forçados a divulgar notícias muito tristes, Teresa. E a notícia que custa mais a escrever é quando morre um de nós. Sei bem do que falo.
Um beijinho.
Sei do que falas e conheço-te para saber bem o que dizes.
Um abraço, compadre.
Abraço, compadre. Também somos membros da mesma tribo.
Carissimo,
Um choque para mim. Trabalhamos juntos n’ A Capital sendo o Carlos Ferro testemunha desses tempos gloriosos dos últimos jornais no Bairro Alto.
Após o Pedro Beça Murias – com quem trabalhei n’ O Europeu – eis nova bofetada da realidade.
Temos que continuar, com certeza.
Forte abraço,
Pois é: há que continuar. Um forte abraço, meu caro.