Aumento dos impostos


Jorge Assunção,

Diz a TSF que Lobo Xavier defende aumento dos impostos alargado a todos os contribuintes, sendo explicado no corpo da notícia que "o fiscalista, apesar de ressalvar que quer apenas responder a uma tendência socialista de aumento de impostos, gostaria, caso isso aconteça, que todos levassem pela mesma tabela". A reportagem é do jornalista Emídio Fernando, o mesmo autor do texto que o André Couto tinha feito referência aqui. Gostaria? Será mesmo isso que Lobo Xavier disse? Obviamente que não. O que é dito é que em caso de combate ao défice via subida dos impostos (refira-se que Lobo Xavier defende a diminuição da despesa), esta irá verificar-se para todos os contribuintes, ou seja, pensar que ficará limitada aos ricos é pura ilusão. Não se trata, portanto, de uma questão de gosto, mas tão só de uma inevitabilidade. Lobo Xavier procura chamar a atenção para aquilo a que Luís Campos e Cunha há uns dias fazia referência nas páginas do Público, dizia o ex-ministro das finanças que vamos ter um "aperto orçamental, para 2011 e anos seguintes, nunca visto na história da democracia portuguesa". Campos e Cunha dizia também que o aumento dos impostos estava "fora de causa", por isso previa que fosse a despesa a sofrer uma redução. Lobo Xavier, por outro lado, refere uma previsível "tentação muito grande" para usar os impostos no combate ao défice e é para isso que alerta. A avaliar pela história recente, acredito que é Lobo Xavier quem acerta, muito embora Campos e Cunha tenha razão. Claro que podemos sempre acreditar nas palavras do querido líder, quando questionado sobre os previsíveis sacrifícios futuros, respondeu que o "défice será reduzido com estabilizadores automáticos, não é preciso pedir sacrifícios especiais a ninguém". O primeiro-ministro tem parcialmente razão, mas está aqui espelhado o pensamento do optimista permanente, espero que por esta altura os eleitores já tenham percebido onde este tipo de pensamento nos colocou.

2 comentários em “Aumento dos impostos”

  1. Este tipo de pensamento colocou-nos cada vez mais na cauda da Europa, e temo que se os portugueses vierem a dar mais uma vez o benefício da dúvida a José Sócrates, que já provou não ser capaz de efectuar reformas, aqui entenda-se, reduzir a despesa pública e diminuir o peso do Estado, iremos sofrer durante muitos anos as consequências do caminho errado. A credibilidade sobre economia, e não só, do primeiro-ministro está abaixo de zero.

    1. António,

      noto que há pouca gente interessada em discutir o mais que certo aperto orçamental futuro. Perceber o que nos espera, ajuda a perceber porquê que certas decisões actuais não deviam ser tomadas. Mas agora a lei é gastar. Quando chegar o recibo ninguém diga que não foi avisado.

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