De Barco pelo Tejo


Maria Dulce Fernandes,

Teve início no ano passado, sensivelmente por esta data, o programa ” Conhecer Lisboa e arredores em transportes públicos “, no qual tentámos transmitir aos netos os encantos e a cultura da nossa cidade. Por motivos familiares, foi necessário adiar o passeio de barco para data incerta, mas não ficou esquecido.

Madrugámos na quinta-feira dia 6 e após uma viagem de autocarro, uma outra viagem de metropolitano e uma pequena caminhada, chegámos por fim ao Terreiro do Paço e à estação Sul-Sueste, onde embarcámos na aventura do Tejo.

A navegação teve a duração de uma hora e 30 minutos. O passeio foi fantástico. As vistas, mudaram quase nada, mas têm a mesma magia da minha meninice e esclarecer as crianças, que nesse dia ao pequeno almoço seguramente devoraram línguas de perguntador, foi fantástico e divertido.

A próxima etapa, já acordada entre todos os participantes,  serão os elevadores da cidade e o Cristo Rei.

Um Dó Li Tá (2)


Maria Dulce Fernandes,

Este noite, após a partida que ditará o vencedor, termina um dos mais polémicos Mundiais de Futebol da história da FIFA. Espero que, no próximo quadriénio, com os olhos postos em todos os “casos” da presente competição, possa haver mais isenção, educação e desportivismo, que só poderão engrandecer o futebol.

Não é possível fazer desporto, quando os interesses financeiros são o único propósito de uma organização que se quer imparcial, e para quem Citius, Altius, Fortius – Communiter não quer dizer rigorosamente nada.

Para o jogo de logo, não dou palpites. Na minha ideia, por muito mirabolante se seja o pensamento,  o jogo já está decidido.

Adorava que me provassem estar errada.

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Estava errada! Muito errada, e estou por tal muito feliz !

Y VIVA ESPAÑA

 

Um Dó Li Tá…


Maria Dulce Fernandes,

Hoje há futebol. E ao que sabemos, há futebol de primeira categoria, defrontando-se duas grandes selecções representativas de grandes países de provada excelência  na arte da bola.

Sem sombras a escurecer a partida, já que nem a França nem a Inglaterra estão na lista dos favorecidos do mundial, acredito que vai ser um bom jogo.

A magia do futebol não pode nem deve descambar em sucessivos e despudorados truques de ilusionismo, em que a célebre máxima que diz que o princípio fundamental se baseia na destreza da mão foi substituída pela sórdida manipulação de resultados.  

A questão que se põe aos espectadores é a seguinte:

Castillon ou Waterloo?

Voto Castillon e, sem ansiedades patrióticas, preparo-me para ver a grande final do Mundial da  FIFA 2026, com a cisma persistente de que, do jogo de amanhã, já se sabe de antemão o resultado.

Que vençam os melhores.

 

Arrancar dentes a frio


Maria Dulce Fernandes,

As crianças são o nosso futuro, a luz dos nossos olhos, o bater do nosso coração. Se me derreto ou se me aperta o peito com todas as crianças em geral, o que dizer das minhas crianças?  Por elas faço quase  tudo. E quase tudo inclui até fazer aquilo que não gosto.

O meu neto mais novo está quase a completar o seu sétimo aniversário.  Com a celebração em vista, questionei-o sobre o presente que gostaria de receber. A resposta foi avassaladora e deixou-me completamente atordoada. Pediu-me um equipamento do… Messi. Com tanto equipamento bonito no mercado, propus-lhe o mais belo de todos, logo a seguir ao equipamento da selecção portuguesa, e que é o da Noruega. “Ah, o Haaland, vicking, golos, ro!, bla, bla, bla, mas não o consegui demover. É o equipamento do Messi e mais nada.

Já encomendei.  A sensação foi tão má ou até pior do que ter votado PS para a Junta de Freguesia.

É quase como arrancar dentes a frio…

 

Portuguêsmente comendo


Maria Dulce Fernandes,

Conforme planeado, hoje foi dia de sardinhada. Não sei se é do calor, se da idade, mas nesta incursão gastronómica, acabei por ficar aquém daquele recorde que bati há dois anos, o tal das 16 sardinhas. Desta vez, comi apenas 14 peixitos. A falta de preparação física associada ao calor e à vetustez deglutiva, fizeram-me mostrar o cartão vermelho à travessa de prata fumegante que se avizinhava. E, com grande pesar, saí de jogo.

O Casamento da minha melhor amiga


Maria Dulce Fernandes,

Éramos três jovens sonhadoras, para quem nada parecia impossível. A Clara “Demis Roussos”, a Rosa “Cat Stevens” e a Dulce “Alvin Lee”, bem de acordo com as nossas inclinações amorosas e preferências musicais à época.

 Viviam-se os anos de pós-revolução em que tudo, ou praticamente tudo era permitido e até incentivado. De alunas de quadro de honra, passámos a integrar a molhada geral da igualdade de oportunidades, junto com os sem grande qualificação académica, para quem a média de entrada na faculdade era 10 valores.

 Sendo as cunhas o grande motor propulsor de toda a organização escolar, de acordo com a filiação ou simpatia politico-partidária, fomo-nos distanciando, cada uma de nós abraçando uma facção que as outras rejeitaram. A união não fez a força.

 Os anos passaram, integrámos o mercado de trabalho, casámos, constituímos família, criámos o núcleo da nossa vida. Encontrávamo-nos para conversar sobre tudo e sobre nada, muitas vezes revivendo apenas as tropelias da juventude.

As  tardes da má língua, como chamávamos aos lanches ou passeios mensais, foram sendo cada vez menos frequentes. Os contactos pessoais passaram a fazer-se por Zoom, nos aniversários e datas festivas, cada uma na sua casa e na sua terra.

Quando o convite chegou, fiquei espantada, mas feliz. A Rosa, divorciada há dez anos, depois de um casamento atribulado com um misógino profissional, um espécimen masculino espectacular, mas intragável como pessoa, tinha jurado que maridos, nunca mais.

Dez anos é muito tempo, como canta a música. O pensamento amadureceu e a solidão foi a grande protagonista desta reviravolta. A Rosa vai voltar a casar. Encontrou um piqueno uns anos mais velho, tranquilo, letrado e que a trata como uma rainha. Que bom!

Vai fazer a cerimónia em Cascais, no pequeno jardim da sua casa. Só quer boas lembranças no seu séquito de noiva, daí a convocatória das melhores amigas de uma juventude longínqua, mas de boas e doces  memórias.

 É um grande passo  depois de dez anos sozinha, mas a busca incessante da felicidade ofereceu-lhe uma segunda oportunidade para encontrar amor, companhia, amizade e dedicação. A Rosa agarrou-a com as duas mãos e acredito e desejo que a vá viver plena e intensamente.

Desejo-lhe as maiores felicidades.

Para ver Portugal jogar


Maria Dulce Fernandes,

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Ontem fiz rissóis de camarão. Comecei pelo recheio, sem pressa, com a calma adquirida em quatro meses de convalescença e recuperação física, que felizmente já está no bom caminho. Passei em seguida para a massa, que sovo ainda quente e deixo arrefecer durante um par de horas. Entretanto preparo os ingredientes para a confecção de um arrozinho de tomate com coentros, que é petisco que muito me apraz.

Com creme e massa arrefecidos quanto baste, é altura de abrir as hostilidades e começar a luta com o rolo da massa. É esticar até obter uma translucidez firme, centrar uma colher creme e cortar com ajuda de um aro (a minha mãe esticava a massa com uma garrafa vazia e cortava com um copo, com extraordinária mestria). Repeti o processo sessenta vezes, com alguns minutos de intervalo entre cada dúzia. Mais uma hora de frigorífico e ficaram prontos para panar. Mais um pouco de frio, e ficaram no ponto para congelar ou fritar. Fritei oito. Muito bons que estavam.

Dão trabalho? Claro, mas o que é que não dá trabalho?

E diz-me a entourage amico-familiar: “Mas porque é que não compras feito? Em AB os croquetes são muito bons! Em CD os rissóis até têm camarão! Em EF fazem uns pastéis de bacalhau de truz! Só mesmo tu para estares com esse trabalho todo.” Não é mentira o que dizem, mas nunca fui grande fã de andar a correr capelinhas e depois onde é que está o gozo de comprar comida feita? Uns frangos assados, ainda vá…

Hoje vou fritar mais uma mancheia deles. Tenho tremoços e asinhas de frango caseiras, também  acabadas de fritar e vão ser  acepipes de truz a ver Portugal jogar.

A Febre de Sábado à Tarde


Maria Dulce Fernandes,

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Coleccionar é meu costume desde pequena. Selos, moedas, postais, talões de entradas em transportes e locais diversos… e cadernetas de cartas e cromos, primeiro apenas com a Neta e agora também com o Neto e a maluquice dos “bonecos da bola”.

Com o advento do Mundial, começaram as cruzadas em busca da caderneta e seguidamente dos cromos. A distribuidora tem como estratégia de marketing oferecer cadernetas às crianças à saída das escolas, mas oferecem apenas vinte ou trinta, sabendo que uma escola não funciona com menos de duzentas crianças. O que acontece é que quem não foi contemplado com a oferenda vem para casa triste e a pedir para fazer a colecção.

É aqui que a porca torce o rabo, porque não há cadernetas para a venda, e dos cromos nem se fala.

Consegui a minha caderneta no princípio do mês de Maio, num obscuro quiosque perto de um Centro de Saúde onde fui fazer um rastreio de retinopatia diabética. Nesse dia trouxe a caderneta e um molhinho de saquetas de cromos. Nas semanas que se seguiram corremos todas as capelinhas conhecidas, o quiosque inclusive, mas de cromos, nada.

Num sábado à noite, passou no telejornal uma peça sobre um evento realizado aos sábados, a alguns metros da minha casa, numa lojinha para coleccionadores de um pequeno centro comercial, onde se compravam e trocavam cromos, de diversas categorias e variadas colecções. Não tardou que o toque do telefone interrompesse a nossa atenção à televisão. O Neto pedia para o levarmos à reunião de coleccionadores. Ficou combinado que iríamos no sábado seguinte.

Como o que é prometido, é devido, preparámo-nos e lá fomos. Com a grande publicidade obtida com a peça na TV, o número de pessoas que se propuseram participar no evento provavelmente decuplicou. No parque de estacionamento, na esplanada, nos passeios, nas escadas, no chão, por todo o lado, havia gente com cadernetas abertas, papéis com listas enormes, envelopes, bolsas, caixas, baús cheios de cromos, que compravam, vendiam e trocavam. O ambiente era de uma alegria contagiante, a música era envolvente, o convívio era total. Depois de três horas, de conseguirmos um lugar no chão e de conversarmos com sei lá quantas pessoas, cumprimos o nosso propósito e regressámos a casa com setenta novos cromos, trinta trocados e cinquenta comprados avulso.

Tivemos uma tarde bem passada, produtiva e divertida. Provavelmente voltamos no próximo sábado.

Falta muito para acabar a caderneta, mas sabemos agora que é possível chegar lá, sem ter de gastar centenas de euros e que as crianças encontram amigos e colegas, fazem novas amizades e divertem-se sem TVs ou telemóveis.

Rezar


Maria Dulce Fernandes,

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Na sexta-feira fui a Fátima. Chegámos cedo, malgrado a fila na A1 ter começado paradinha, muito antes de Vila Franca de Xira, o que obrigou a 45 minutos de pára-arranca. Após termos cumprido o nosso propósito, dirigimo-nos à capelinha das aparições. O ambiente lá dentro estava envelhecido de mais de 60 anos. Enquanto lá fora havia gente nova, risos e alegria, dentro da capelinha só estavam velhos.

Os mais novos pedem milagres, pagam promessas, mas não rezam?

Terão as orações passado de moda apesar de, nas redes sociais, sermos constantemente bombardeados por todo o tipo de rezas a todos os santinhos do panteão?

Independentemente das escolhas religiosas de cada um, é raro haver quem não mencione o nome de Deus ou de santos, quanto mais não seja por fazer parte da gíria nacional.

Os velhos rezam. Os novos acendem velas e pagam promessas…

Entretanto em Fátima, saíram metade dos velhos que ocupavam a capelinha das aparições e foram substituídos por outros tantos, igualmente velhos, como os que lá estavam. Como eu que, quando saí, não sei se dei lugar ao futuro, se dei lugar ao passado.

No regresso, a fila na A1 já quase chegava ao aeroporto.

Na greve geral


Maria Dulce Fernandes,

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O autocarro chegou dentro do horário, o que só por si é indicativo de anomalia. Normalmente chega à “nossa” paragem entre 5 a 10 minutos depois da hora prevista. Hoje não houve atraso, o que é de espantar por ser dia de greve geral. Então e o trânsito? O caos que se instala quando não há transportes públicos, aumentando exponencialmente o caudal de viaturas que se dirigem aos acessos à capital? Não há!

O IC19 está às moscas às 9 horas da manhã. A EN117 idem. A segunda circular flui pacificamente até onde a minha vista alcança – o estádio do Benfica.

Terá sido esta greve estrategicamente convocada para a véspera de um feriado, com tolerância de ponto, ou ponte no dia a seguir? Cinco dias a banhos em luta por melhores condições laborais a meio do ano são um presente caído dos céus ou da diligência da CGTP?

Posso apostar que as pessoas mais afectadas não são funcionários públicos.

Caminhando por aí


Maria Dulce Fernandes,

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Caminhadas remansadas pelo vagaroso e ainda em reparação Passeio Marítimo de Algés permitem observar a fauna em nosso redor. Alguns cães vadios, muitos cães pela trela acompanhados por donos de todas as cores e feitios, imensas gaivotas a circundar as pessoas que no cada vez mais pequeno areal fazem por se bronzear enquanto comem fruta de um tupperware.

Já temos alguns conhecidos, mas as caras novas sucedem-se com grande frequência.  Muitos como nós, roupa de treino, boné, óculos escuros, telemóvel e garrafa de água, outros mais descapotáveis, com a musculatura em mostruário, saliente ou com pretensão a tal. É engraçado,  é saudável,  é bom.

Quando chegamos cedo, vemos chegar a senhora do bronze, grande chapéu de sol, óculos, toalha, saco, mala térmica e cadeirinha. Põe o besunto no corpo e sol com ela. Entrando na curva do farol da Gibalta e já praticamente em Caxias, deixamos de ver a senhora do bronze, que se tornou num ponto de referência das nossas caminhadas.

Chegados ao Forte de S. Bruno, invertemos a marcha e continuamos na direcção de Algés. Quando o nosso ponto de referência devia voltar ao ângulo de visão, só lá estava a cadeira. Da senhora nada. Nadava! Mas… nadava em topless com a maior descontracção. Olha que bem!

Eu, que tinha dado asas à imaginação e já tinha realizado o filme da velhinha triste e só, com talvez dois ou três gatos, fiquei agradavelmente surpreendida pela visão desempoeirada e descontraída.

Por muito que tentasse, o íman da calhandrice puxava e repuxava o meu olhar na direcção da senhora do bronze em pé, ao sol, com as mãos nas ancas e pose desafiadora. Pelo que depreendi olhando ao redor, os meus olhos não eram os únicos a olhar o léu. Percebi que ela estava a sorrir e sorri também. 

Apesar da variedade da fauna no Passeio Marítimo de Algés, as caminhadas têm sido invariavelmente iguais e pouco interessantes. Ninguém diria que aquele Grito do Ipiranga da senhora do bronze conseguisse animar tanto aquela manhã.

Sei que da próxima vez perscrutarei de imediato o rebentar das ondas.

Ser criança


Maria Dulce Fernandes,

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Crianças à solta eram a imagem de marca dos anos 60 e princípio dos anos 70. Tenho muito boas recordações de brincar às casinhas na rua com paus, pedras e bonecas de papel. Tenho muito boas recordações de jogar ao mata, saltar à corda, ao elástico, jogar a amarelinha…

Ficávamos na rua até às 9 e meia da noite sem cuidados. Olhávamos uns pelos outros e éramos felizes. Havia respeito. Havia educação. Também havia medo, mas a nossa juventude não olhava mais além. O futuro estava lá, tão longe.

Em comparação com esse tempo, o presente é sempre, mas sempre tão carregado de preocupações. Tantas vezes me pergunto se os nossos pais não se preocupavam connosco, pois não nos tinham com rédea curta, como agora se vê. Creio que confiavam. Confiavam porque desde criança aprendemos a ser responsáveis e isso, nos dias de hoje, é uma utopia.

Ontem fui, pela primeira vez, assistir a uma aula de taekwondo do meu neto. Ao contrário do que esperava, fiquei muito bem impressionada. O garoto precisava de disciplina de grupo, ponto importante em que a escola estava a falhar, por assumir a criança como um “coitadinho, deixe lá” e ter deixado que o bichinho da indisciplina se instalasse perfeitamente à vontade. As atitudes em casa eram quase o oposto das atitudes na escola e isso necessitava correcção urgente e, ao que parece, a prática da arte marcial está a surtir efeito. Ao que parece, estamos agora no bom caminho.

Eu sempre fui um bocado (🤫) indisciplinada na escola, mas os castigos, os sermões e raspanetes funcionavam… por um par de meses, ou nem tanto. Os meus pais nunca souberam e eu sobrevivi à problemática da adolescência. Agora há grupos de WhatsApp para tudo mais um par de botas, onde tudo se debate e impera a ominisciência empírica, o maravilhoso estado hipotético do conhecimento absoluto.

Que coisa irritante. 

Bichos


Maria Dulce Fernandes,

Os nossos filhos não têm idade para deixarem de ser crianças ou até uma permanente fonte de preocupações. Nem creio que venham a ter algum dia. Não irei inúmerar as razões que fundamentam este argumento,  mas acredito que não sou a única a vestir todos os dias a camisola da selecção familiar.

É talvez essa a razão de não conseguir sequer imaginar que existem monstros que maltratam e molestam física e psicologicamente crianças. Pior, molestam física e psicologicamente os próprios filhos.

A informação é abundante e diversa sobre situações que chegam ao domínio público e fazem parangonas noticiosas que provocam repúdio e asco por parte do público alvo e de todos aquele que entendem que as nossas crianças têm o direito de serem protegidas e que quem as pôs no mundo tem o dever de lhes proporcionar essa protecção e transmitir segurança.

Hoje vi o telejornal. Vi e tremi. Não entendo, nem nunca vou conseguir entender.

Afinal, não somos animais!

Na verdade, somos muito piores.

https://sicnoticias.pt/pais/2026-05-21-video-menores-encontrados-sozinhos-serem-abandonados-pela-figura-de-referencia-e-muito-complicado-a-marca-ficara-sempre-ef54b3d4

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Boa Páscoa


Maria Dulce Fernandes,

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Não é apenas de chocolate que se faz uma Páscoa feliz, mas de amor, de compaixão, de celebração da ressurreição de Cristo e da união familiar! 

Feliz Páscoa para todos, todos, todos no Delito de Opinião.

Guerra… para que serve?


Maria Dulce Fernandes,

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Naquela noite de Agosto de 1990 cheguei tarde e cansada, mas sem pinga de sono, como já vinha sendo hábito. Preparei um chá, peguei num livro e liguei a TV. Enquanto bebericava e lia, ia deitando uma olhadela à televisão. A situação mundial não estava famosa e a guerra parecia iminente no Médio Oriente. Durante a emissão televisiva houve uma pausa para depois ser divulgada a informação de última hora : O Iraque acabara de invadir o Koweit.

A invasão do Koweit pelo Iraque a 2 de Agosto de 1990 foi motivada pelo desejo do controlo petrolífero do território por Saddam Hussein. Gerou uma crise internacional imediata com condenação da ONU e bloqueio de bens, após a qual se verificou tomada de reféns ocidentais e a anexação do território. No final desse mês de Agosto a ONU impôs sanções e autorizou o uso da força caso o Iraque não saísse até 15 de Janeiro de 1991. As forças militares de Saddam Hussein fizeram reféns ocidentais (4 de Agosto) e o governo iraquiano declarou o Koweit como a 19.ª província do Iraque (8-28 de Agosto).

O mundo ficou em suspenso, pois foi confrontado com uma realidade que a maior parte dos habitantes do Hemisfério Ocidental apenas conhecia do cinema. 

Durante os primeiros meses, bebia-se avidamente toda e qualquer notícia que ia chegando. Havia medo no ar e o futuro era a incerteza. Mas com o passar do tempo e porque era longe e porque o destino dos reféns e as imagens dos reféns e dos poços de petróleo a arder se  tornaram triviais, foi (como ainda agora é e acontece todos os dias) caindo no esquecimento da informação que se quer aparatosa e chocante e que num ápice se torna banal e aborrecida.  Até Janeiro.

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Na noite de 17 de Janeiro de 1991 fomos ao cinema. Fomos ver, se não estou em erro, O Padrinho III. Estava frio e fomos directos para casa. Mais um chá quente, mais um livro, mais uma olhada à televisão. E José Rodrigues dos Santos, durante o programa 24 horas, dá a notícia do bombardeamento de Bagdade, pondo no ar a reportagem da CNN: “O céu de Bagdad iluminou-se.” Esta frase pronunciada em directo na CNN pelo jornalista Peter Arnett ficou para a História. Tinha começado a Operação Tempestade do Deserto, que trouxe uma nova visão sobre a guerra: em directo e a cores.

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(© ATTA KENARE/AFP via Getty Images)

Ao dia de hoje, sem livro nem chá quente, vou seguindo mais uma emissão televisiva sobre um recente e mais aceso conflito, e constato que continuamos a ver a guerra em directo e a cores. Um governo totalitário e criminoso pretende derrubar outro governo totalitário e criminoso, para salvar o povo de si próprio e da opressão dos teocratas que governam o país e que vêm infligindo tortura e morte sem qualquer respeito pelo mais básico dos direitos humanos. 

A nós os indecisos decisores passivos, resta-nos cogitar sobre um futuro cada vez mais nublado, mesmo até para quem a esperança de um mundo em paz e harmonia não morre, mas silicia-se seguramente nos devaneios  dos pseudo-Calígulas desta era de loucura.

Sensações


Maria Dulce Fernandes,

– Está quieta com a perna!

– Que perna?

– A tua perna! Estás a abanar o sofá.

– Eu não estou a abanar a perna!

– Está bem. Pronto. Não se fala mais nisso. Tenho o telemóvel a tocar. Estou?

– Hã!?

– Senti o quê? Qual tremor de terra? A sério? Olha, afinal não foi a tua sobrinha!!

– Dois!